Blog da ABUB

Histórias e estórias?

Por Maria Cândida Becker

Tem gente que faz diferença entre um e outro? Qual está correto? 

Analisar ou analizar? Ah! Essa eu sabia, mas tive que mostrar no Aurélio porque meu chefe britânico tinha aprendido que todo verbo que vem do substantivo se escreve com “z”. Ele não sabia das exceções e era muito teimoso!

E colocar “n’Ele” ou “nele”, quando se referia a Deus ou a Jesus, era também uma discussão! Mas não só de discussões vivi quase 10 anos. Muito mais foram as alegrias, o imenso aprendizado, as amizades para o resto da vida. Uma parte da minha história.

Conheci a ABU em 1976, no Congresso Missionário, e em 1978 passei pelo Congresso novamente. Depois vieram mais alguns, não só de passagem, mas de trabalho pra valer! Não me lembro se foi em 77 ou 78 que fiz a exposição bíblica em um Curso de Férias, dirigido por Werner Haeuser.

(na foto, Candinha está de pé, a segunda pessoa da esquerda para a direita)

 

Era o início dos anos 1980 quando minha amiga Myrian Zilda me disse que na ABU precisavam de uma secretária – a secretária do Secretário Geral. 

Mal sabia eu que essa decisão mudaria o rumo da minha vida por anos. Fui lá ver o que era, fiquei dois anos nessa função e quase oito anos na ABU Editora. 

Dieter Brephol, o secretário geral - um homem inteligente, consagrado, culto, “estabanado” - foi então meu primeiro chefe. No nosso primeiro encontro de obreiros, seis meses depois, tínhamos que nos apresentar e falar alguma coisa de quem estava ao lado. Era eu quem estava ao seu lado e ouvi um cochicho: Como é seu nome mesmo? Achei estranho, mas ele me olhava sério: “Verdade, esqueci seu nome, só sei que é Candinha”. 

E fiquei com esse apelido: Candinha da ABU. 

Nestes dois anos datilografei, isso mesmo, datilografei cartas, preparei Entre Nós - da composição à arte final em máquina de datilografia, fiz a distribuição. Participei ativamente da organização do Congresso Nacional de 84, de CD’s, reuniões de diretoria, Cursos de Férias, e... tudo o mais que aconteceu naqueles anos. 

Neste tempo também andei em muito boa companhia. Brasileiros, conheci todos da época e fiz amizades com muitos: diretores, assessores, estudantes, funcionários do escritório, familiares. E mais, como eu tinha carro, coisa meio rara naqueles tempos (quando um Fiat 147 amarelo aparecia, diziam: “lá vem a Candinha”), sempre era incumbida de buscar o pessoal que chegava no aeroporto e rodoviária. Que audácia! Assim passei horas com Samuel Escobar, René Padilha, Ruth Siemens, Jorge Atiência (esse gostava de uma “pizza con cerveza”), Silvia Chaves, Marcelo Vargas, Daniel Salinas e muitos outros. 

Certo julho, depois de encontro de obreiros, CD e alguma coisa mais em Campinas, chegamos em São Paulo Myrian Zilda e eu e, depois de alguns minutos de conversa, caímos na gargalhada, pois sem perceber estávamos falando em espanhol, detalhe: não tinha mais nenhum estrangeiro conosco naquele momento!

Algumas mudanças aconteceram e fui convidada a ir para a ABU Editora. Já conhecia e convivia, mas agora passei a trabalhar diretamente com Norberto, eterno Norberto!!! Marco Antonio, John Griffin, Bill McConnell. 

Os livros eram escolhidos pelo Conselho Editorial e lá estava mais um “eterno”: o Milton Andrade. Depois ia para tradução, voltava datilografado, ia para revisão, da composição gráfica vinha tudo naquele papel roxo que a gente não enxergava quase nada, para revisão da composição. Tinha que escolher a capa, mandar imprimir, avaliar a prova da impressão, pra depois chegarem finalmente os livros para vender. Que alegria! Não era à toa que fazíamos poucos livros por ano. O processo era longo demais. 

Porém certo dia tudo começou a mudar, ganhamos um computador. Isso mesmo, lá fui usar o primeiro computador da ABU Editora com uma tabela com uns 100 códigos para usar acentuação, ç, entre outros - a tela cinza com as letrinhas verdes.

Certa vez, estávamos às vésperas do Congresso Nacional que foi em Fortaleza e o John resolveu por um fim em todos os livros da Editora Núcleo (Portugal), então resolvi mandar tudo por transportadora. No escritório era quase uma sala cheia de livros. 

Fortaleza, Natal, Recife, Salvador, Rio, cheguei de volta 30 dias depois com talvez uns 20 livros que não foram vendidos. A sala do estoque ficou vazia. 

Tínhamos poucos autores brasileiros, então traduzimos uma apostila de treinamento da ABUA (Argentina) para novos escritores e lá fomos nós fazer seminários para novos escritores, com a cara e a coragem. Até o Dr. Ross Douglas, presidente da ABUB participou! 

Ah, um dia num louco insight propus montar um estande na Bienal Internacional do Livro em São Paulo. Lógico, não tínhamos dinheiro para bancar sozinhos, convidamos então duas outras editoras e lá estávamos nós pela primeira vez na história da Bienal, um estande de Editoras Evangélicas. Saiu até no jornal regional da Globo. Enquanto as grandes editoras tinham decorador para montar o estande, escondemos nosso estoque debaixo que “cortinas” de papel crepom. 

Foram anos de profundas mudanças na política, na Teologia, na própria ABU, produzimos livros de autores que não só marcaram época, como são referências até hoje: C.S. Lewis, John Stott, Robinson Cavalcante, Paul Freston, Paul Tournier, Neuza Itioka. Livros como: Série Lausanne, A Missão da Igreja no Mundo de Hoje, A Evangelização no Brasil: Uma Tarefa Inacabada, frutos de congressos que mudaram o pensamento e ação da igreja evangélica mundial. "LIVROS PARA GENTE QUE PENSA". 

Um pouco de História e muito pouco de Estórias, porque se fosse contar as lembranças seriam muitas, porém muitas seriam esquecidas, o que permanece: o crescimento, a maturidade e as amizades. Essas imprescindíveis até hoje. 

P.S. disseram que eu só poderia escrever 2 páginas, ufa! consegui!!!

2 Comentários

Gratidão

Querida "Candinha", Pessoas como você que doaram vida, tempo, disposição e alegria sempre são dignas de serem mencionadas na História. Obrigada por partilhar essa riqueza de experiência de vida!

Muito obrigado por contar a tua Historia (com h)!

Durante meu tempo como estudante na ABU tive a chance de receber instruções e ajuda da Candinha (e do Norberto) para o meu trabalho como secretário de literatura da ABU-Itajubá. Uma vez Auriana e eu visitamos o escritório da ABUB em São Paulo (para os estudantes daquela época era como visitar Jerusalem!) e fomos muito bem recebidos pela Candinha. Muito obrigado pela tua Historia na ABUB e pela tua disposição de ajudar os estudantes. Louvado seja Deus pela tua Historia.

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