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Quando me dei conta...

Você está tranquilo na internet e vê um vídeo de uma peça que uma galera da ABU em algum país da Europa está fazendo:“The Mark Drama”. Meses depois você descobre que também tem no Brasil: o “Experimento Marcos”. E quando você se dá conta, está chamando o mundo todo para participar da reunião informativa sobre o Experimento. A peça tem 90 minutos, 15 atores. E como o “roteiro” é apenas o Evangelho segundo Marcos, alguém tem que fazer o papel de Jesus, não é? No Experimento Marcos em 2015, esse alguém fui eu.

O processo para decorar é basicamente igual para todos os atores (sim, nós decoramos o Evangelho INTEIRO). Só que o ator que representa Jesus tem que decorar todas as falas também. Responsabilidade grande? É claro! Mas oramos, conversamos e topei.

Lá estava eu lendo e relendo Marcos, várias e várias vezes. Passando as seções na minha cabeça. Decorar tanta coisa era difícil e teoricamente não encontraria nenhuma surpresa. Afinal, eu já conhecia o Evangelho, cresci num lar cristão, sempre tive contato com a Bíblia, lia a Bíblia regularmente, membro fiel na igreja, abuense convicto.Teoricamente não era para ter surpresas!

Mas quando me dei conta, lá estava eu questionando a mim mesmo sobre uma série de eventos. Sendo confrontado de uma maneira absurda por histórias que não tinham nem 5 ou 6 versículos. E isso era só a primeira semana (são seis no total para se preparar).

Fiquei chocado como estava sendo hipócrita. Como era tão rápido para falar o Evangelho, mas tão lento para vivê-lo. Era tão fácil acusar quem ignorava Jesus, quem o condenava, quem não o entendia mas, eu vinha (e ainda venho, infelizmente) fazendo exatamente a mesma coisa. Era a mesma história, com o mesmo protagonista (Cristo), só mudava o cenário (ao invés de ser a Palestina era aqui no ABC Paulista) e alguns personagens (ao invés de um fariseu, de um leproso ou de um judeu comum, era eu mesmo). E o que eu faria com tudo aquilo que estava sendo confrontado?

Mas como expressar tudo isso que está acontecendo dentro de mim? Das muitas formas possíveis, Deus permitiu que eu usasse a música. E assim surgiu “Lá fora”, na primeira semana do Experimento. Isso já era um record, ou melhor, um milagre pra mim, porque geralmente demoro meses para fechar uma música, mas quando me dei conta, estava tudo pronto em alguns dias.

Lá fora é um paralelo entre as minhas atitudes, as do leproso (o primeiro que Jesus cura, Mc 1:40-45) e as reações do Mestre nessa história, pois como eu disse antes, o protagonista da História nunca mudou.

Começa a segunda semana - quantas vezes li e ouvi sobre Jesus expulsando a legião para a manada de porcos? (Mc 5:1-20). Muitas, muitas mesmo. Mas como é possível que em poucas palavras aquele rapaz tivesse entendido o que os apóstolos demoraram anos pra perceber? Então percebo que não foi meramente “por palavras que usou, mas pela vida que Ele mudou”. E da nova multidão de confrontos, surge “Surpresa”.

Outra história clássica? Jesus ressuscitando a filha de Jairo (Mc 5:21-43). Jairo completamente desesperado e ainda aquela multidão toda atrapalhando e ainda no meio do caminho aparece uma mulher que toca em Jesus, faz ele parar e, ainda quer contar a vida toda pra ele? “Vamos embora, Jesus! Dá pra acelerar ai?” (imagino Jairo pelo menos pensando nisso, talvez até tenha dito), até que vem a notícia que já era aguardada, já que houve tanto atraso: sua filha havia morrido. 

Eu também com milhões de coisas pra resolver, importante, urgentes, precisando da ajuda de Jesus e, aparentemente, nada acontece - “Dá pra acelerar ai?”, mas então vem a resposta extremamente perturbadora: 'Não temas, apenas creia'. Então, há uma mudança na postura de Jairo e na minha também - “Aprendo que do meu jeito não pode mais ser. Estou a ouvir e esperar”. O nome da música? “Ouvir e esperar”.

Comecei a experimentar a terceira semana, com trechos extremamente conhecidos. Jesus multiplicar pães? Andar sobre as águas? E o clássico da confissão de Pedro (Mc 8:27-30). “Quem as pessoas dizem que eu sou?”, mas não importa o que os outros dizem, mas sim o que eu digo e sei que Ele é. Não adianta fazer sentido para todos os outros! Se não fizer para mim, seria autoengano. E assim, aparece mais uma canção: “Quem é?”

A preparação continua, agora a quarta semana - tantas músicas não falam sobre a cura do cego Bartimeu (Mc 10:46-52)? Mais uma figurinha repetida na minha memória, #sóquenão! Eu nunca tinha reparado que Bartimeu só se levanta quando o Mestre manda chamá-lo. Ele já estava berrando a ponto de incomodar todos ao seu redor, mas sem se levantar. Que cuidado é esse demonstrado por Cristo? (e que eu insisto em não compartilhar). E Jesus não o trata como “parte da paisagem pra quem está de passagem, mas notou, mudou, meu coração aflito, Ele me fez ter sentido”. E uma atitude meio surpreendente: enquanto muitos são curados e saem gritando por ai, a atitude de Bartimeu é singular, ele decide simplesmente seguir a Jesus. Então surge a música cujo trecho eu deixei entre aspas agora pouco: “Logo, eu vi”.

Fomos caminhando então para a quinta semana de preparação. Refletindo sobre a purificação do templo em Jerusalém (Mc 11:15-19), acabou aparecendo “Há tempo” e sobre a oferta da viúva pobre: “Enfeitar”.

Sexta semana, estamos quase para apresentar já. Admito que chorei ao ler a chegar na parte da crucificação. Enquanto lia e chorava, tentava até me controlar, surpreso comigo mesmo porque era como se eu nunca tivesse entendido a dimensão do sacrifício de Cristo. Que amor é esse? E que silêncio absurdo de Jesus em momentos que eu esperava qualquer coisa, menos ficar calado? Nisso, surge “Paz traz”.

Começam os ensaios, acabou a preparação de decorar. Pensei que estava “livre” das músicas, mas então a encenação de quando Jesus é interrompido enquanto orava logo no início do Evangelho (Mc 1:35-39) realmente me fez questionar quais eram minhas prioridades. E quando me dei conta, lá estava “Seguir e relevar”.

As apresentações começam (porque o Experimento em si, já tinha começado há muuuito tempo), e enquanto estava sendo crucificado, ficava pensando sobre aquele momento.

Que amor é esse? E uns dias após, graças a Deus, consegui terminar “A flor”, que tenta resumir toda essa história.

A cada música terminada, fui compartilhando com minha família, a galera do Experimento e alguns amigos a mais. Então, Jéssica Grant me pergunta: “já pensou em fazer um CD?”, para ajudar no financiamento coletivo que estava sendo preparado para o Experimento.

Quando me dei conta, Deus tinha aberto as portas pra esse projeto e lá estávamos gravando num estúdio de um abuense aqui do meu GB, com outros amigos da ABU ajudando no arranjo e gravando alguns instrumentos. Estava pronto “Ouvir e esperar” (o nome do álbum).

A história de cada música é muito maior do que o que escrevi aqui e estou disponível para conversar sobre elas, sobre o Experimento, sobre a ABU, sobre a fé, sobre o que você quiser, é só chamar! haha

Um forte abraço, fiquem na Paz
Asaph Jacinto (ABU ABC - SP/MS)

Esta é a playlist do álbum Ouvir e Esperar do Asaph. Para adquirir o CD entre em contato com ele: asaph_jacinto@hotmail.com

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