Blog da ABUB

Gerações, conexão e missão

Por Lucas Barbosa da Paz - ABU Natal

Em 2016, nós da Aliança Bíblica Universitária (ABU) de Natal (RN) organizamos um evento que alguns outros grupos locais também realizam, o “Encontro de Gerações”. Nele, reunimos participantes de várias épocas do movimento para juntos celebrarmos e recordamos esses momentos do grupo. Nosso grupo local tem funcionado ininterruptamente por já quase 50 anos e tem, portanto, muitas gerações compondo esse belo trabalho.

Estávamos, porém, preocupados precisamente com a continuidade do movimento em nossa cidade. Somos hoje um grupo local com membros efetivos muito novos no movimento, e, por isso, os sentimentos de desnorteamento, incerteza e desamparo nos ocorreram com alguma frequência neste último ano. Foi muito disso que motivou o evento - a necessidade de um reencontro com o que nos identifica enquanto ABU Natal. Tiramos boas reflexões que respondiam aos nossos desconfortos, e a partir dessas reflexões que tentarei responder às perguntas “Qual a importância das gerações para que o trabalho missionário seja próspero? Qual a importância de conectar as gerações na ABU?”.

Como ficou explícito acima, o trabalho da Aliança Bíblica Universitária do Brasil e, mais especificamente, o da ABU Natal não começou com nós mesmos. Não estamos partindo do nada. Por mais óbvio que possa parecer essa constatação, penso que é algo sobre o que precisamos alongar nosso pensamento. Se não partimos do nada, de onde então partimos? Que trabalho é esse que nos chega à mão para fazermos? O que já foi feito? O que há para ser feito?

Dialogar com as outras gerações do movimento nos fez entender melhor o porquê do trabalho da ABU: porque Deus se interessa, sim, na universidade, porque é necessário anunciar o Reino ali, e porque nós, estudantes, somos os trabalhadores a quem o Pai confia a sua missão. Testemunhamos nesse ambiente tão plural, tão rico em ideias, porque estamos nele, somos ele, ao mesmo tempo que somos também, e antes de tudo, o Reino. Olhando para trás entendemos que há uma missão e o que ela é.

Ao mesmo tempo, nossos irmãos que nos antecederam não puderam terminar o trabalho sozinhos, nem poderiam por mais fiéis que tenham sido. É um trabalho que só será, enfim, concluído, quando o Senhor Jesus, na sua vinda, estabelecer plenamente seu Reino. E é a partir dessa constatação que nos livramos da ambição megalomaníaca de a completarmos sozinhos, em nossos poucos dias de universidade e de vida, a missão é toda do Senhor. Nos libertamos da presunção e passamos a enxergar na dependência um fundamento da missão, afinal:

“Todos estes viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-no de longe e de longe o saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra.” (Hb 11.13)

E ainda:

“Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no entanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido. Deus havia planejado algo melhor para nós, para que conosco fossem eles aperfeiçoados.” (Hb 11.39-40)

De maneira que, quem vem depois precisa do que vem antes e tem nele uma base e o porquê (a promessa) da missão -  o entendimento do que ela é. E o que vem antes precisa do que vem depois, pois sozinho faz muito pouco comparado ao que é todo o trabalho a ser feito. A missão só faz sentido quando pensada no conjunto inteiro da obra. Assim, entendemos que somos sempre dependentes: tanto dos que vêm antes, quanto dos que vêm depois.

No entanto, ainda que a missão seja a mesma para todas a gerações, as questões que precisam ser respondidas mudam à medida que os tempos mudam também. Isso fica muito evidente quando procuramos dialogar com os nossos irmãos sempre-abeuenses. Cada geração testemunha ao seu tempo e no seu tempo. Entender isso é crucial para que a missão seja próspera e saudável. De outro modo, corremos o risco de importar respostas para questões que não pretendiam responder, o que pode se confirmar como um grande equívoco. O mundo, a universidade hoje não é a mesma coisa de 40, 20, 10, nem mesmo 2 anos atrás.

Além disso, sem entender as mudanças correríamos o risco de deixar de aprender do Espírito da missão ao repetir os mesmos erros que nossos irmãos infelizmente e naturalmente cometeram (assim como nós infelizmente e naturalmente erramos). Se queremos progredir, ser o “aperfeiçoado” (Hb 11.40) do trabalho das outras gerações, precisamos escutar o que eles de fato testemunharam, pensando no tempo - no contexto e nas questões de quando deram o testemunho - e para o tempo que testemunharam, aprendendo com seus acertos e também com seus erros.

Por fim, precisamos olhar para trás para dizer: “Até aqui nos ajudou o Senhor!” (I Sm 7.14). Uma geração proclama à outra geração o mantimento e cuidado do Senhor para com a missão, que é dEle. Deus, ao longo de toda a história de seu povo, ensina que para perseverar é preciso recordar. Quando recordamos percebemos a “grande multidão de testemunhas ao nosso redor” (Hb 12.1a), nos dando razão para continuarmos a correr, “sem desanimar, a corrida marcada para nós” (Hb 12.1b). Assim podemos manter o passo firme na nossa parte da marcha rumo ao descanso de Deus (Hb 4).

É recordando que vemos a pessoa que está em todas as gerações trabalhando, ininterruptamente, junto a nós na missão, com feitos grandiosos e atos poderosos (Sl 145): o Deus da missão, que certamente a aperfeiçoará e a consumará (Hb 12.2b). É na conexão orgânica, de um corpo, com os irmãos de todas as gerações que Deus se faz lembrado e podemos manter os nossos olhos fixos nEle (Hb 12.2a), e nEle recebendo a força para não desanimar, nem desistir (Hb 12.3).

Portanto, se a ABUB é parte da missão de Deus (e eu estou convicto que seja!), precisa de conexão entre gerações, para continuar testemunhando fiel, contextualizada e confiantemente as boas novas do Reino, e é de um encontro de gerações (que poderia ser qualquer evento com qualquer outro formato, mas com o intuito de conectar as gerações) que chegamos a essas conclusões.

E aí? Anime seu grupo a aproveitar que neste ano a ABUB completa 60 anos para organizarem um Encontro de Gerações! Publiquem a foto nas redes sociais com a hashtag #ABUB60anos

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