Blog da ABUB

“Eu me tornei uma chata!”

Por Steffi de Castro, da ABU São Luís (MA)

O título deste texto é inspirado numa frase de uma amiga muito querida, também abeuense de coração e há mais tempo que eu. Estávamos conversando via mensagens e eu confessei para elas algumas dificuldades relacionadas ao meu envolvimento com a igreja local e sobre como eu acreditava que a minha participação na Aliança Bíblica Universitária (ABU) tinha relação com isso. Ela identificou-se com o que eu falei e disse com propriedade: “A ABU me tornou uma chata!”. Esta frase engraçada resumiu tudo o que aconteceu comigo. Eu também estou chata. Mas, pera aí, vou explicar!

Para início de conversa, é bom que vocês saibam um pouco da minha caminhada cristã: fui católica praticante durante minha infância e início da adolescência. Aos 15 anos virei protestante em uma comunidade de missões urbanas. Os cultos eram feitos na rua, no centro histórico da minha cidade, e os membros eram “rockeiros”, hippies, dependentes de drogas, etc. Por conta de algumas discordâncias, um tempo depois eu saí da comunidade e fiquei cerca de dois anos sem congregar.

Para mim era realmente muito difícil voltar a uma igreja com paredes (literalmente), eu nem conseguia me ver nesse ambiente. Foi justamente nesse período de completo desgosto com a igreja que eu entrei na universidade. E lá conheci a Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB) logo no início do curso. Glória a Deus por isso!

Graças a ABUB, conheci irmãos de outras denominações. Por meio deles, conheci igrejas maravilhosas, aprendi a ser mais tolerante e humilde (e continuo nessa luta) e tive a oportunidade de vivenciar experiências incríveis e muito edificantes. Os Curso de Férias são eventos que eu nunca esquecerei, nos quais ouvi boa parte das pregações que mais me tocaram na vida. Aprendi muito, estudei com afinco a Bíblia na companhia dos irmãos. As perguntas não eram proibidas e sempre me senti à vontade para expressar o que eu estava pensando (mesmo que polêmico).

Foi por meio da ABUB que, após um tempo, eu decidi que estava na hora de procurar uma igreja local para mim. Foi este movimento que me ensinou e me mostrou na prática a importância da comunidade eclesiástica e também o quanto ela pode ser danosa caso esteja em moldes que não condizem com a Palavra. Eu louvo a Deus por isso!

Depois de visitar algumas igrejas, hoje posso dizer que finalmente estou em um lugar onde me sinto bem, cuidada e querida. Eu falto muito, tenho dificuldade com disciplina, não sou líder de nada, ainda não sei bem em que ponto sou necessária ali, como posso servir e nem como funciona, mas ainda assim amo aquele lugar. Entretanto, este não é o fim da história, porque eu sou uma chata.

A ABUB sempre me alimentou maravilhosamente bem: prezando por bons pregadores, boas leituras e boas atividades. Eu me acostumei a isso e comecei a ficar exigente demais. Não foram poucas as vezes em que achei grupos de jovens das igrejas que visitava chatos e superficiais. Amo a igreja que estou hoje, mas sinto que procuro no grupo de jovens uma dinâmica parecida com a da ABUB, e isso é péssimo! A minha igreja não é o meu grupo de ABU na universidade ou cidade.

Quando ouço uma pregação simples, às vezes fico agoniada. Parece que fico sem paciência para ouvir aquilo que é verdade, que não tem erro nenhum, mas que está apenas sendo dito de maneira simples. Quero profundidade. O tempo todo. Qual a necessidade disso? Por que não me sinto mais tocada com uma mensagem bíblica bonita e simples?

Também tenho dificuldades de me engajar em alguma atividade do grupo de jovens: não tenho muita paciência, sinto que estou falando demais, ou falando de menos... Acabei me tornando uma pessoa muito crítica.

Não sei se acontece com vocês, mas a “galera da ABU”, como a gente é chamado por aqui, por vezes tem fama de “se achar superior”, “intelectuais”. Realmente, focamos em estudo, incentivamos a leitura, o que nas igrejas nem sempre acontece. Mas será que isso tem nos tornado intransigentes? Eu me sinto intransigente às vezes. E impaciente também.

Minha intenção aqui não é culpar a ABUB pelo que tem acontecido comigo (até porque, como eu deixei claro no começo, foi este movimento que mais me incentivou e motivou a procurar uma igreja local), mas compartilhar uma dificuldade que tenho e que talvez mais pessoas também tenham.

Percebi que por vezes me pego pensando em buscar na minha igreja, na minha denominação, aquilo que a ABUB me proporcionou e ainda proporciona. É um ministério, um movimento, que quero continuar me envolvendo e ajudando como posso e que me discipulou com muito amor. Não há problema algum em se envolver com a missão estudantil, e o que aconteceu comigo pode não acontecer com a maioria das pessoas. Ainda assim, é sempre bom lembrar da importância da igreja local.

Eu ando tropeçando bastante para me firmar no lugar que estou porque tenho dificuldade de ser humilde. A vida em igreja requer um senso de humildade muito grande. Mas não só de humildade, de obediência também. Acho que perdi essas qualidades pelo caminho… Estou juntando os pedaços agora.

Não devemos subestimar a importância da igreja local. A necessidade dela em nossas vidas é real. É mais que uma sugestão bíblica, é um mandamento. Por isso, devemos exercitar em nós a humildade, a paciência e o amor. O Senhor é o dono da missão, e é também o Senhor da igreja, das igrejas. Às igrejas fica o desafio de não oferecerem aos jovens apenas leite espiritual, aos pastores e líderes cabe o dever de discipular de maneira que eles se tornem maduros na fé, não subestimando suas capacidades e acompanhando-os no caminho do aprofundamento da Palavra. Além de possibilitar que possam atuar na igreja de acordo com seus dons.

A nós, jovens que ficaram chatos, fica a certeza da necessidade de aprender a ouvir cada pregação com humildade, considerando tudo o que está sendo dito, retendo tudo o que é bom, inclusive as coisas simples (e principalmente essas!). Devemos nos esforçar para participar da melhor maneira possível. Entregar os nossos dons e talentos a igreja. Cultivar o amor pelo evangelismo não somente na ABUB, nem somente na Igreja, mas na vida.

Nenhum Comentário

Comentar

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
O teste abaixo serve para verificar se você é um ser humano e para prevenir submissões automáticas de spam.