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Aprender com o administrador astuto a confiar na generosidade de Deus

Por Josué Bratfich*

22 de dezembro de 2008. O investidor francês Thierry de la Villehuchet é encontrado morto em seu escritório em Nova Iorque. Causa provável: suicídio. Ele era responsável por investimentos milionários que, em meio à crise financeira e fraudes bancárias, acabaram em prejuízos irreversíveis para sua empresa e clientes.

Um relato semelhante, mas com um desfecho bem diferente, foi contado por Jesus em forma de parábola séculos antes dessa trágica notícia. Em Lucas 16 conhecemos um homem que causou enormes prejuízos a seu patrão e se vê à beira do desespero, assim como o investidor francês: “Meu senhor está me despedindo. Que farei? Para cavar não tenho força, e tenho vergonha de mendigar…” (v. 3). Mas no fim da história, em vez da morte, ele recebe o elogio do patrão “por ter agido prudentemente” (v. 8)!

O que aconteceu para que as coisas terminassem de maneira tão inesperada assim? Ao contrário do que uma leitura simplista possa indicar, o mérito para um desfecho tão surpreendente não cabe à habilidade do servo irresponsável (que havia dado prejuízo), mas sim à generosidade sem limites de seu patrão.

Nos tempos de Jesus, as consequências para perdas financeiras eram terríveis, como prisão e até mesmo morte. E caso o administrador conseguisse escapar, seu currículo de prejuízos não lhe dava condições de conseguir um novo bom emprego. Diante desse quadro, o protagonista da parábola secretamente concede um generoso desconto aos devedores de seu patrão. Essa atitude, ainda que desautorizada, acaba rendendo a amizade desses homens, e a seu senhor a fama de generoso e inteligente.

Um patrão avarento e rígido jamais aceitaria tal artimanha, mas esse não é o caso do homem rico da narrativa. Ele foi capaz de oferecer misericórdia sem fim, aumentando ainda mais sua reputação benevolente diante do desespero de seu subordinado.

Mas que tenho eu a ver com essas histórias, já que minha fatura do cartão de crédito ainda está longe de se tornar caso de polícia ou de suicídio?

Financeiramente, é possível que sua situação ainda esteja sob controle, mas na perspectiva do evangelho nossa dívida com o patrão-Deus já se tornou impagável há muito tempo. O problema é que a gente não se deu conta daquilo que o extrato divino está mostrando. A culpa, o legalismo e até a ganância apontam que há algo errado, que uma dívida não foi paga, e que precisamos dar um jeito de resolver esse problema, sem nos dar conta de que não há fortuna capaz de saldar nosso débito. Assim como o administrador da parábola, só a generosidade do patrão é a saída viável.

Da mesma maneira que um pai aceita seu filho sujo e pecador logo no capítulo anterior de Lucas, Deus aceita seus devedores de volta quando estes reconhecem que a conta já está alta demais e que são incapazes de pagá-la, quando entregam nas mãos de Jesus a fatura que finalmente perceberam que ficou cara demais.

Reconhecer e entregar ou, em outras palavras, crer na generosidade de Deus, implica também em não mais apostar naquilo que deixou de ser confiável. Como o próprio Jesus diz adiante: "Nenhum servo pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará ao outro, ou se dedicará a um e desprezará ao outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro" (v. 13).

De que maneira seus gastos e investimentos indicam que nesse momento você confia na generosidade de Deus e não na falsa segurança que o dinheiro promete oferecer?

Em uma sociedade que busca otimizar os lucros e diminuir os riscos, somos chamados a ser generosos, arriscando o pouco que temos em benefício do outro e não mais para nosso próprio conforto e segurança. E o desafio não fica apenas com a questão das finanças, mas também a reputação, a carreira e os relacionamentos - para quem confia no patrão-Deus, manter esses “investimentos” seguros significa perdê-los para si e usá-los primeiramente para servir a ele.

 

* Josué é formado em engenharia e teologia e atua como assessor da região São Paulo e Mato Grosso do Sul. Ele expôs durante o Instituto de Preparação de Líderes de 2018 esta parábola do administrador astuto, que agora compartilha conosco.

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