Entre nós

Encorajando a juventude a envolver-se com a missão estudantil

por Christian Gillis*

 

Escrevo como pastor de uma igreja local onde a maioria dos membros tem formação universitária. Como alguém oriundo do movimento estudantil não escrevo com isenção nem objetividade científica, mas com o coração. Compartilho meu testemunho pastoral acerca da benção que é a parceria com a missão estudantil.

O exercício do ministério pastoral para o desenvolvimento de uma igreja local é uma tarefa complexa e com múltiplos desafios. Trabalhar anos seguidos visando a edificação consistente da comunidade, estimulando a formação de diferentes gerações ao mesmo tempo, demanda trabalho árduo e em equipe.

A formação espiritual de adolescentes e jovens, nos grandes centros urbanos, em tempos de relacionamentos, convívio e comunicação fragmentadas, é especialmente desafiadora. Infelizmente, muitos pastores e igrejas assistem, com pesar, a evasão de jovens do convívio da comunidade cristã quando estes ingressam no ambiente universitário. Só por isso, já considero o ministério cristão na esfera estudantil uma providência.

Conquanto alguns colegas pastores ainda considerem as organizações que articulam o movimento estudantil um estorvo e ameaça para a frequência na programação eclesiástica, a verdade é que as agências que servem aos jovens, principalmente durante o período em que estes estão no ambiente educacional, prestam um grande serviço à Causa cristã, de várias maneiras – especialmente quando olhamos para a questão do ponto de vista do bem e das necessidades espirituais e sociais da pessoa do adolescente ou jovem, antes que dos interesses imediatos da organização religiosa em si. O movimento missionário estudantil não substitui a comunidade local no cultivo sadio da fé, antes, é um importante parceiro e cooperador na tarefa de formação integral de discípulos.

O fato é que tanto pais e pastores, como as igrejas conscientes de seu mandato e missão, atuam para firmar e fortalecer a fé naqueles que estão sob seus cuidados, de modo que cada membro da comunidade viva no mundo como testemunha de Cristo e atravesse a história como servo do Reino de Deus. Então, o movimento estudantil missionário cria um espaço, no contexto escolar, que aglutina estudantes cristãos para desafiá-los à ação missional, bem como para capacitar aos mesmos para aprofundar a sua fé e responder aos questionamentos que eventualmente surjamm no meio acadêmico. Desse modo, a missão estudantil coopera com os propósitos de pais, pastores e igrejas, complementando e desenvolvendo a formação cristã e estimulando na juventude um importantíssimo senso de missão, o qual lhes dará uma excelente perspectiva para toda a vida.

Observo que o ministério com estudantes fortalece e aprimora o discipulado, estimulando ao mesmo tempo o estudo bíblico (ensinando a leitura bíblica atenta e contextualizada – EBI, por exemplo) e o compromisso com o testemunho cristão naquele que é provavelmente o maior campo missionário (a escola). Além de fomentar a reflexão bíblica, o movimento estudantil cristão também possibilita o debate de questões teológicas e sociais que dizem respeito a relação da igreja com a sociedade, o que ajuda no preparo do estudante cristão para um exercício melhor da cidadania terrena. Muitos líderes da igreja e sociedade surgem exatamente a partir da atuação no movimento estudantil.  

É um privilégio para uma igreja local conectar sua juventude à missão estudantil, apoiando e acompanhando seu envolvimento na mesma, entendendo que este engajamento servirá para o crescimento espiritual e social de adolescentes e jovens. Com o crescimento do número de estudantes e universitários no Brasil, é muito importante que existam organizações que desenvolvam um ministério no meio estudantil qualificado para servir e apoiar o testemunho cristão neste contexto.

Como pastor, sinto-me profundamente abençoado pelos ministérios desenvolvidos pela ABU, tanto pela ação evangelizadora dos estudantes nas escolas e universidades, que motivam aos jovens da comunidade sob meu cuidado pastoral a vivenciar a sua fé em meio à dinâmica estudantil, como pelos congressos e publicações promovidos e organizados pela ABU. A Igreja brasileira como um todo, além de inúmeras congregações locais, tem sido muito enriquecida pela formação de quadros de liderança oriundos do movimento estudantil como também pela rica reflexão teológica consubstanciada no seio da missão junto a estudantes brasileiros e latino-americanos. Sempre que há ocasião, tenho alegria de participar de encontros e treinamentos da ABU e estimulo adolescentes e jovens da igreja a se envolver sabiamente com o movimento. Verifico muitos benefícios nessa relação de cooperação. Tanto como pastor, e como igreja, sentimos que é um privilégio envolver-se e apoiar como possível, inclusive investindo financeiramente no movimento missionário de e com estudantes, o que traz glória ao Nome de Deus, reflete unidade da Igreja e faz o Reinado de Cristo avançar.

Penso que as igrejas (e pastores) devem ver na missão estudantil uma grande oportunidade e plataforma de apoio para desenvolvimento do ministério e testemunho cristão perante a sociedade. A igreja local tem preparado milhões de adolescentes e jovens e agora deve enviá-los como testemunhas ao mundo, apoiando-os e buscando ajuda para a sua vivência acadêmica, de modo a que não apenas permaneçam firmes na fé, mas que sejam sal e luz do mundo. E há muitos e diversos resultados positivos do envio dos jovens para o serviço missional no contexto estudantil, inclusive a colheita e integração de alguns frutos resultantes da ação evangelizadora. Mas o principal benefício para a igreja local é ver o desenvolvimento dos seus membros como cristãos com visão missional (desejo de servir a Deus com sua vocação e profissão), inseridos na sociedade, fazendo o que é bom no cuidado da criação, o que reflete na qualidade do serviço da comunidade cristã.

A missão estudantil, longe de ser concorrência com a igreja local, é uma oportunidade para apoiar o estudante cristão a criar conexões da sua fé ao mundo acadêmico e profissional, treinando os membros da igreja a desenvolver-se como cristãos-cidadãos em meio a sociedade.

 

 

*Christian Gillis é casado com Juliana e pai de 3 rapazes.

Pastor na Igreja Batista da Redenção, em Belo Horizonte - MG

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