Entre nós

Uma história antiga e duradoura, mas, nem sempre tranquila

por Jony Almeida

Pastor da Igreja Presbiteriana de Viçosa (MG)

 

Algo impressionante tem acontecido entre a Igreja Presbiteriana da cidade de Viçosa (IPV) e a ABU local nos últimos 52 anos. Isto mesmo: 52 anos.

Tudo começou em 1964, com estudantes da antiga Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (UREMG), hoje Universidade Federal de Viçosa (UFV), que receberam duas visitas de Ruth Siemens, então obreira da IFES. Os frutos destas visitas foram: 

1) Participação de seis estudantes evangélicos de Viçosa junto com o pastor Elben César, pastor da única e pequena congregação evangélica da cidade na época, em um acampamento da ABUB em Belo Horizonte, de 4 a 7 de setembro daquele ano. O pastor Elben foi um dos preletores do encontro, dirigindo dois estudos bíblicos.

2) Organização da ABU Viçosa em 19 de setembro de 1964, sendo ela assim um ano mais antiga que a IPV, organizada apenas em agosto de 1965.

No ano de 1976, a ABUB organizou o Congresso Missionário na cidade de Curitiba (PR), algo inédito e desafiante no meio da igreja evangélica e do movimento estudantil evangélico. A ABU Viçosa teve três representantes de seu grupo, membros da IPV, nesse congresso.

Mais dois aspectos são relevantes, entre tantos outros, nessa relação igreja local e ABU-Viçosa. Cito-os:

Em 2006, para celebrar os 30 anos do Congresso de Curitiba, a ABUB promoveu o Missão 2006 e escolheu a cidade de Viçosa para sediar o encontro. A gente se pergunta o porquê disso até hoje. A igreja hospedeira e de toda a equipe de trabalho no pré-congresso foi a IPV.

Há bem pouco tempo, foi secretário geral da ABUB, Reinaldo Percinoto Júnior, graduado em engenharia de alimentos pela UFV, batizado na IPV, membro e parte da liderança da igreja e da, quando estudante, da ABU Viçosa.

Por isso e por tantos outros fatos não mencionados, a ABU Viçosa e a IPV cultivam uma relação antiga e duradoura. Mas esta nem sempre foi fácil e tranquila. 

Em certo momento, a IPV tentou impingir certo ar denominacional ao movimento estudantil local, criando obstáculos à participação de estudantes de outras origens denominacionais e religiosas. Que prejuízo!

Em outro momento, algumas gerações, não muitas, de abeuenses daqui desprezaram jovens estudantes evangélicos não participantes do grupo, mas membros de igrejas da cidade, tratando-os como inferiores em sua articulação da vida cristã. Tal desprezo foi manifestado por comportamentos exclusivistas e discriminatórios e verbalização de críticas que insinuavam certa superioridade no conhecimento do evangelho em relação à igreja. Que ironia!

Felizmente, tanto a IPV quanto o grupo de estudantes perceberam os problemas, se arrependeram, aprenderam e amadureceram nessa relação, continuando assim a sua história.

Nesses longos anos de convivência, muitas foram as boas influências de ambas as partes. 

Para a igreja os ganhos foram:

1) uma visão mais ampla e abrangente do Reino de Deus, embora seja uma igreja denominacional;

2) uma convivência harmoniosa, apoiadora e crescente entre a igreja e os jovens de diferentes denominações que congregam em seu meio; e

3) um entusiasmo e participação no agir de Deus tanto na escola de ensino médio, quanto na universidade.

A igreja, influenciada pelo grupo de estudantes da ABU, tem apoiado ativamente a evangelização de jovens estudantes. No entanto, a mais impressionante e constante contribuição da ABU para a IPV tem sido no decorrer dos anos, sem interrupção, na formação bíblica de seus líderes, tanto de presbíteros como de obreiros. Muitos líderes da igreja foram abeuenses quando estudantes, participando de encontros, conselhos regionais, institutos de preparação de líderes, congressos da ABU, sem falar de toda a literatura que acompanhou essas participações. Muitos destes líderes se tornaram também uma espécie de Assessores da ABU local.

Para a ABU Viçosa, a IPV tem proporcionado um lugar sadio, acessível e formativo de experiência comunitária multiforme, como a graça de Deus, por meio da caminhada formal e litúrgica e, também, da convivência semanal intensa que uma cidade pequena proporciona.

Os jovens da ABU buscam o apoio pessoal e institucional da IPV por saberem que podem contar com isso.

A IPV, por ser tão beneficiada nesta bonita história de convivência, tem procurado divulgar sua experiência neste sentido e espalhar esta convivência para outras igrejas que estão em uma realidade universitária.

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