Entre nós

Relato da Assembleia Mundial: uma jornada de fé, encontros e esperança

Por Marcio Lima*, que participou da Assembleia Mundial da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (IFES, na sigla em inglês) enquanto profissional

“Não ardia nosso coração quando ele falava conosco no caminho e nos explicava as Escrituras?” Lucas 24:32 (NVI)

Viajei para África do Sul numa jornada em que não sabia o que me esperava, apenas confiava que de alguma forma esse tempo me marcaria. A pergunta era: o que Deus falará conosco?

Já no primeiro dia da programação fomos encorajados pela narrativa do encontro de Jesus com os discípulos no caminho de Emaús a entender a Assembleia Mundial como um espaço de encontro com Jesus e a olhar para esse momento como um ponto de referência para nossas vidas. Busquei ouvir e assimilar esse conselho.

Para mim, a Assembleia Mundial foi um espaço e tempo de encontro da família de Deus, um sinal sensível do Reino. Nesse grande encontro conheci estudantes, pesquisadores acadêmicos, obreiros e profissionais que embarcaram numa jornada como a minha e estavam ávidos por ver o que Deus poderia fazer nesses dias, isso contribuiu para criar um espaço afetivo de serviço e amor ao Senhor, no qual encontros e laços foram forjados.

Alguns momentos me marcaram profundamente. Um deles foi o de filiação de novos grupos à família IFES, demonstrações claras de que Deus pela sua Palavra está agindo. O Reino se expande e o Senhor está trabalhando, agindo algumas vezes silenciosamente, misteriosamente, mas atuando. Era incrível ver os testemunhos desses irmãos, as histórias de como Deus estava trabalhando em seus países, em suas vidas. Isso me encheu de alegria!

Algumas vezes no cotidiano, nas pressões da vida, acabamos nos acostumando com a fé cristã, com a Bíblia, e as encaramos como um item a mais da vida, mas ao me deparar com essas histórias, uma alegria me tomou, uma vez mais a fé cristã se destaca como o eixo centralizador da vida e me encontro uma vez mais com o Cristo ressurreto, conhecido no partilhar das histórias, da vida, mas também dos medos, das dúvidas. A passagem de Lucas 24:13-35 se materializa nesse momento, e o que estudamos ganhou vida, olhos e rostos. Nessa jornada, encontramos outros discípulos em suas fragilidades e esperanças. Nossa identidade como discípulos de Jesus, uma vez mais se reforça na comunhão da vida de Cristo que desfrutamos com irmãs e irmãos de distintos lugares, identidade essa que não é idiomática, étnica, ou da cor da pele, mas que está calcada na cruz de Cristo, em sua ressurreição e esperança de sua volta.

Foto: grupo pequeno, Marcio está no canto esquerdo

As diversas palestras e oficinas também me ajudaram nas perspectivas de trabalho na missão estudantil. O engajamento com a universidade é algo sensível na minha realidade como professor universitário e pesquisador. Foram renovadas em mim as perspectivas de atuação acadêmica na universidade e as conexões possíveis entre a fé cristã e as realidades do mundo. No meu caso, especialmente as tangências entre a experiência estética e a experiência religiosa e a produção artística e sua relação com as questões últimas da vida. Aliás, a arte esteve presente em diversos espaços da Assembleia Mundial, na programação, no caminho bíblico, na música, nas danças típicas africanas e na exposição das obras de artistas.

Essa jornada gera processos de escuta, avaliação e convocam respostas aos desafios da missão no meu próprio contexto. Um dos tópicos abordados na Assembleia foi o tema “Minha história na História de Deus”. Acredito que esse é um dos grandes temas para nossa reflexão enquanto cristãos num mundo pós-moderno.

Entendemos a grande história de Deus, narrada na Bíblia como a narrativa definidora da realidade. Ela nos define existencialmente, e dá sentido à realidade das relações humanas, das relações com a criação, com a cultura, com a universidade e tudo o mais que existe. Vivemos em mundo cada vez mais carente de uma narrativa que dê sentido à vida. Diversas histórias circulam no mundo da pós-verdade, mas nenhuma capaz de dar um apoio existencial de fato. Nossos amigos não cristãos precisam conhecer as boas novas de que Deus providenciou um lugar para nós em sua história, e que somente começamos a conhecer a nós mesmos à medida que entendemos nosso papel nessa narrativa, a narrativa da redenção.

A pergunta que nos fazemos é como podemos contar essa grande história de forma que estudantes não cristãos encontrem nela sua própria história e principalmente encontrem uma narrativa que é na verdade uma pessoa, Jesus, o Cristo. Levo esse desafio como assessor auxiliar, e a tarefa de contribuir na formação dos estudantes que vão compartilhar essa narrativa. Mais do que pessoas que saibam contar a história, queremos ver discípulos que entendam seu papel e vivenciem a narrativa da redenção.

Descobri que a jornada que empreendi para a Assembleia Mundial na África do Sul não terminou com o final do evento. Depois de refletir, entendi que ela é uma das cenas de uma jornada pessoal que começa quando Cristo diz “Venha e siga-me”. É um caminho que continua a ser trilhado, algumas vezes pelo deserto, pelos vales e campinas, ou pela noite escura que aguarda o brilho da aurora e o desfecho da grande história.

Foto: Jornada - Foto do autor

*Marcio participou da ABU Presidente Prudente (SP) quando era estudante de arquitetura na UNESP. Hoje é assessor auxiliar na região São Paulo e Mato Grosso do Sul além de ser mestre em História e Fundamentos pela USP e trabalhar como arquiteto e professor na Universidade Anhanguera de São Paulo.


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