Entre nós

Relato do Encontro de Estudantes: semelhanças cheias do cuidado de Deus

Por Mariana Diniz*, estudante que participou do Encontro de Estudantes e da Assembleia Mundial da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (IFES, em inglês)

Viajar para a África do Sul nunca tinha passado pela minha cabeça, muito menos a real oportunidade de participar de uma Assembleia na qual pessoas do mundo todo, de diferentes línguas e culturas também participariam. Quando escrevi minha carta de motivação, necessária para a seleção da delegação brasileira, fui muito honesta quanto ao desejo “de conhecer as diferentes realidades dos estudantes por todo o globo, suas histórias, alegrias e dificuldades, que muitas vezes são tão parecidas com as que enfrento na Universidade de Brasília (UnB), mas também tão únicas e cheias do cuidado de Deus”. Mas nunca imaginei o quão surpreendente e maravilhosa seria essa oportunidade.

Delegação brasileira com o ex-secretário geral Daniel Bourdanné e sua esposa. Mariana está no centro da foto, de lenço vinho no pescoço.

Nas semanas que precederam minha viagem eu estava realmente insegura. Ir para um outro continente, com uma outra língua e principalmente uma outra moeda realmente me deixava desconfortável. Deus, apesar da minha insegurança, sempre esteve cuidando de tudo nos mínimos detalhes. Desde do voo, cheio de amigos brasileiros, até a recepção calorosa com bolinhos que a equipe da Assembleia Mundial providenciou para nós no Aeroporto de Joanesburgo.

O que mais me marcou em toda a Assembleia Mundial foi o Encontro de Estudantes nos dois primeiros dias, em que apenas os estudantes que foram para o encontro estavam presentes. Apesar de ser um grupo menor do que os 1200 participantes da Assembleia como um todo, os 100 estudantes presentes tornaram o mundo muito mais próximo e real. Quando me vi na tenda do encontro eu não conseguia parar de pensar no tanto que aquilo parecia com um familiar Curso de Férias ou Congresso Nacional da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB), com amigos já conhecidos e irmãos por conhecer. Era um grupo tão diferente de jovens, mas também tão igual, com alguns tímidos e outros rindo, tentando vencer as dificuldades da língua para compartilhar suas histórias.

A primeira atividade foi um quebra-gelo no qual cada um recebia um provérbio e devia encontrar outro estudante que tivesse o mesmo provérbio, foi uma bagunça só de jovens rindo e recitando provérbios em línguas que às vezes nem falavam. Como já tinha participado do encontro Cone Sul de 2018 (que reúne participantes da Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Brasil), tive a oportunidade de reencontrar um amigo chileno que era meu par de provérbio. Não imaginava revê-lo e isso foi fantástico para, por meio dele, conhecer mais estudantes e amigos da América Latina.

Foto: IFES

Foi assim que me vi como tradutora de uma estudante da África Francófona que falava em inglês comigo para que eu a traduzisse para um amigo da Argentina que não falava inglês. A grande questão é que eu não falo Espanhol! Foi uma experiência intrigante na qual, mesmo com as dificuldades da língua, todos estavam dispostos a tentar se entender e compartilhar um pouco da realidade da missão estudantil em seus países.

Depois desse momento de nos conhecermos, tivemos uma roda de conversa com atuais e antigos representantes estudantis na diretoria da IFES. Um momento para conhecê-los e entender qual era seu papel na diretoria, sendo principalmente o de interlocutores da realidade estudantil por todo o globo. Várias falas reforçavam que o movimento estudantil realmente é uma família.

No dia seguinte conhecemos o então secretário geral da IFES, Daniel Bourdanné, que nos contou um pouco da sua história e trajetória no movimento, nos incentivando sempre a permanecer firmes na missão de pregar o evangelho em nossas escolas e universidades.

Na última tarde do encontro cada região da IFES se separou para que cada grupo pudesse compartilhar entre si a história de seu movimento nacional. Contar um pouco de quais foram as dificuldades dos movimentos, assim como seus pontos fortes que permitiram que superassem-nas e permanecessem ativos na missão. Como a ABUB faz parte da América Latina, compartilhei nossa história com amigos argentinos, chilenos, panamenhos e bolivianos.

Foto: Daniel Clavería

Foi incrível esse tempo de compartilhar histórias, porque tive a oportunidade de ver quão semelhante elas foram e têm sido: a mesma dificuldade de levantar recurso ou treinar novas lideranças, como também a presença de obreiros e estudantes engajados que confiam em Deus e no seu cuidado.

Participar do Encontro de Estudantes realmente me levou a conhecer as diferentes realidades dos estudantes, talvez não por todo o globo, mas de amigos queridos da América Latina. Pude conhecer suas histórias, alegrias e dificuldades, que muitas, sim, são tão parecidas com as que enfrento na UnB, e também cheias do cuidado de Deus.

 

*Mariana é estudante de história na UnB e faz parte da ABU Brasília (DF).


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