Entre nós

Perseverança na missão: o espaço da oração

Por Felippe Schmitt, assessor da ABUB na região Nordeste

Eu conheci a Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB) em março de 1996. Lembro até hoje que foram quase dois anos de oração desde o início das aulas na universidade até encontrar um grupinho de estudantes cristãos que se reuniam no segundo andar da Biblioteca Central do campus todas as segundas e sextas-feiras.

Fui impactado. Entendi que estavam ali com o firme objetivo de compartilhar o evangelho com todos que pudessem. Isso me trouxe alegria. E abracei a causa, mais fortalecido. Passei a respirar o evangelho de Cristo, minha vida fez mais sentido e me mantive assim durante todos os anos que passei por lá.

Lembro bem das fases do nosso grupo. Inicialmente éramos cinco comprometidos e depois de um ano crescemos e chegamos quase a vinte. Então veio a greve dos professores e funcionários que durou quase um semestre. Foi bem difícil. Ficamos dispersos, sem muito contato uns com os outros e uma espécie de desânimo abateu nossa missão. Nesse período, percebi que a greve era um mal negócio para nós. Quando acabou, a recuperação foi lenta, mais seis meses para nos reorganizarmos e começarmos um trabalho mais efetivo de evangelização.

Perguntávamo-nos: Por que paramos? Paramos por quê? E percebemos que nos anestesiamos. Deixamos a vida nos levar sem um foco, um objetivo, descobri ali que grupos de ABU, ABS e ABP podem perder a direção de seu chamado. O combustível da esperança cristã não turbinava nossos motores como antes. A dispersão enfraqueceu nosso grupo.

Lembro que a comunicação era diferente de hoje. Não tínhamos celulares. As pessoas mandavam recados uns para os outros quando se encontravam, muitas vezes eu me reunia porque alguém me avisava pessoalmente de algo. Passávamos o dia inteiro na universidade e nos esbarrávamos. Essa pessoalidade animava. Mas não era tudo. Precisávamos rever nosso senso missionário, reativar nossos objetivos, planejar algo para alcançar o que queríamos. Ter clareza do que fazer.

A segunda greve durou um pouco menos, mudamos nossa estratégia e decidimos nos encontrar e orar. E foi muito bom. A oração tem um poder de guiar a vida. Fizemos até vigília e jejum nessa época. O retorno às aulas foi mais leve, novas pessoas vieram nos ajudar e não cristãos frequentavam nossas reuniões. Também fizemos encontros evangelísticos, um deles durou um fim de semana inteiro.

Percebi melhor que não existe missão sem oração. Quando grupos perseveram na oração, coisas novas tendem a acontecer. Lembro-me de um testemunho lindo: um estudante no último semestre da faculdade ficou sozinho porque todo seu grupo se graduou. Ele estava perdido, sem saber como seria a continuidade do trabalho na sua faculdade. Orou até decidir pedir para um professor reprová-lo, mesmo tendo nota para passar. Seu intuito era ficar mais um semestre para encontrar novos cristãos e dar continuidade ao trabalho. Deu certo.

Ainda lembro-me de outro estudante, este de matemática, que esteve muitos anos no nosso movimento. Ao passar em duas universidades, uma em Recife e outra em Caruaru, orando decidiu ir para Caruaru porque não havia nenhum trabalho missionário lá ainda e podia dar início a um, pois em Recife já havia um grupo estabelecido.

Hoje estamos vivendo um momento de parada prolongada, as preocupações rondam nossa missão. Já não estamos nos esbarrando na escola, no campus e até no trabalho. O cansaço e o isolamento são oposições ao nosso senso de chamado. Aliado a isso, parece que novos moldes da evangelização não estão tão claros ainda. O ativismo virtual pode também disfarçar o cumprimento da nossa vocação.

Lembre-se da orientação de Paulo: Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração. A missão precisa estar baseada em um sentimento de alegria e de que nossa caminhada terá um final feliz. Precisamos nos lembrar disso. Olhar vez por outra durante os nossos dias para o final da história é uma espécie de combustível em nossa jornada. Alimenta-nos o espírito, para superarmos aqueles dias difíceis e épocas ruins. Ajuda-nos a exercer a paciência nesta vida diante de todos nossos problemas e caminhar dentro dos momentos de incerteza e dificuldades.

A paciência é uma raiz amarga que produz bons frutos. Ela é um exercício que abre caminho para a perseverança. Grupos que perseveram em oração se mantêm firmes no seu propósito, têm paciência para esperar o tempo que for preciso para alcançar seus objetivos e têm esperança de que vão chegar lá, mesmo diante de obstáculos. A missão estudantil e profissional cristã sempre sofrerá oposições, mas não deixemos que ela ofusque nossos olhos para viver nossa vocação que é alcançar o mundo perdido com o amor de Cristo.

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