Entre nós

Estudante de ensino médio, adolescente, missionária!

Estudante do ensino médio na Escola Estadual Djanira Rodrigues de Oliveira, Karen Ramos Ribeiro (17), participa de dois núcleos de ABS em Belo Horizonte (MG): em sua escola e outro no pré-vestibular. "Intensa" (como ela define os adolescentes) e muito disposta para servir a Deus, desde a 5ª série está envolvida com grupos cristãos na escola. Karen participa da 8ª Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte e nesta breve entrevista compartilha de seu envolvimento na ABS: desde como funciona 'seus núcleos' até os caminhos (e reviravoltas) de sua descoberta como "estudante missionária".

1) Como funciona seu grupo na escola? Como é a dinâmica dos encontros?

Na minha escola, o recreio é de 15 minutos, por isso o núcleo funciona às terças e quintas-feiras na sala de informática. Antes ele era no pátio e a média era de 25 alunos do ensino fundamental, médio, servidores e professores.

A nossa reunião começa com uma oração, uma música e depois a palavra de uma das líderes atuais (eu, Gabi, Bela e Rebeca) ou dos futuros líderes. Lá eu sou a única que aplico EBI, as outras pessoas dão uma “minipregação”. Já chamei muitos para os treinamentos, mas ninguém pôde ir até agora. Atualmente o grupo recebe de 5 a 8 pessoas por reunião e busca formas de trazer os amigos não cristãos.

Em maio, fizemos uma parceria com a MPC-BH e realizamos o Projeto Escola da Vida (www.portalescoladavida.com.br), que inicialmente era um concurso de redação, em outra semana palestras sobre valores do adolescente, conversa com os professores e no final um culto, onde foram premiadas as três ‘melhores’ redações e distribuídas Bíblias para todos os alunos.

Já no cursinho, com muita luta interior, fui conversar com o diretor (que é da mesma igreja que eu) e  perguntei se tinha grupo de estudo bíblico. E ele logo marcou uma conversa comigo e na outra semana já começamos o núcleo, que funciona todas as quartas e tem 20 minutos de duração.

Fiz um cartaz, pra divulgação e, como o diretor pediu, chego mais cedo às quartas-feiras e escrevo no quadro do Intensivo e Extensivo, avisando sobre o clubinho. Os estudos são conduzidos normalmente, por mim, ou pelo meu diretor.


2) E quais foram (e são) os desafios de formar um grupo de ABS na escola?

O primeiro de todos é perder a timidez e procurar parceiros de missão. Depois que o grupo já teve o seu inicio o maior desafio, que é resolvido com muita oração, é manter essas reuniões sem que as pessoas e até você desanime ou desista.

Uma coisa que percebo, sobre nós (adolescentes), é que nós somos muito intensos, empolgados; então nossas reuniões são cheias de alegria, música, palavra e conversa, de um jeito que só nós, adolescentes, somos.

3) Por que você se interessou por missão estudantil? Como conheceu a ABS?

Eu já participava do clubinho da minha escola, mas não fazia idéia de que isso ocorria em várias escolas. Alguns anos depois (quando tinha 14 anos) foi quando realmente peguei firme com Deus e recebi meu chamado missionário. Resolvi pesquisar sobre Missões e orar por Angola. Fui à biblioteca da igreja e achei um livro “Eu, um missionário?”, da Tonica (Antônia Leonora Van der Meer), reservei-o sem saber direito o que era, mas tinha que ler - afinal, eu achava o livro a minha cara! Depois, lendo-o eu descobri que falava de Angola e além disso, a Tonica falava sobre os grupos de estudo em Angola. Achei muito interessante e sempre quis saber mais da ABS e ABU, mas não achava ninguém que conhecesse!

3)  E como foi este processo de “se reconhecer” missionária? 

Em 2009, eu fiquei incomodada com muitas coisas, na igreja e nas organizações missionárias. Pagávamos 150 reais num acampamento pra assistir a um culto de manhã, almoçar e ficar a tarde toda a toa, depois jantar, outro culto, talvez uma festa e dormir. Eu já quase não tinha dinheiro e não queria gastá-lo desse jeito. Queria ir em encontros que valessem a pena eu pagar 150 reais e pudesse fazer de tudo.

Nesta época eu tinha 15 anos e as missões em que eu me interessava eram para pessoas maiores de idade, desde treinamentos até impactos. E orando sobre isso, um dia perguntei ao Zé Rapha (também da ABS BH), se ele sabia de algum acampamento pra menores de 18 anos, e que pagasse por volta de 150 reais sem ficar à toa a tarde toda. Ele me falou do Curso de Férias em Viçosa. Eu fiquei muito feliz e ainda lembrei que em Viçosa eu poderia conhecer a Tonica! Fiz minha inscrição, só que na última hora minha mãe não me deixou mais ir. E desde então o Rapha me convidava pra algumas reuniões e falava que retornaria a ABS em BH. E fui conhecendo aos poucos o tamanho do movimento, e gostando mais.

Reconhecer-me missionária ainda é um processo. A imagem que eu tinha de missionário era “algum Santo que viajava o mundo todo”, e entender que missionário não é isso está se tornando fácil agora, mas antes era difícil. Às vezes eu falo assim: “Nossa, até me senti uma missionária!” e as pessoas falam, “Não Karen, você já é!”. Acho que quando eu menos esperar “a minha ficha vai cair”, e eu entenderei de fato que sou uma missionária.

4) Quais os principais desafios para um adolescente cristão?

Ultimamente, penso que os principais desafios estão ligados à identidade. Estamos numa fase em que pensamos apenas no dia de hoje e sempre queremos descobrir coisas novas, queremos saber quem somos e por que somos. Estamos sempre buscando alguém para nos espelhar, e isso se torna um desafio se a pessoa que se escolhe ter como exemplo não tem bons exemplos. Os adolescentes precisam de mais orientações para não se colocarem em armadilhas por conta da identidade.

8) Deixe um encorajamento para os estudantes de ensino médio que querem iniciar um grupo na escola.

Não desanime nunca se seu núcleo tem apenas 4 pessoas, contando com você. Não pense que é o fim do grupo; peça a Deus gente nova, peça parceiros, peça que Ele fale ao coração do seu amigo não cristão pra ir ao clubinho, como minha amiga insistiu comigo. Peça a Deus criatividade para os EBIs e para as divulgações. Por mais que a ABUB seja um movimento com alguma estrutura de apoio, com obreiros (ainda precisa de mais), nós dependemos de Deus, nunca deixe de orar, de exercitar a fé.

Eu sou fruto da persistência da minha amiga que era líder do clubinho. Tive uma época em que andei afastada, mas eu tive duas amigas que sempre oraram por mim, me aconselhavam e pediam pra não “desviar mais”. E com isso elas sempre me levavam ao clubinho, e muito do que era falado lá era para mim. Acho que se minha amiga não estivesse orando por mim, e nem insistindo para eu ir ao clubinho, eu poderia ter me afastado mais.

1 Comentário

ABU e ABS Não são diferentes assim...

Após o término do Acampamento de Verão ABS 40 Anos: Salvador 40 Graus, alguns estudantes me procuraram com a curiosidade de saber como me envolvi com o movimento estudantil e hoje ABP/ABS. Pude compartilhar um pouquinho da minha história no envolvimento com clubinhos e com a ABU com esses estudantes. No entanto, hoje gastei um tempinho no site da ABUB lendo o último "Entre Nós" lançado, que foi um especial da ABS. A entrevista da Karen Ramos me fez perceber que os desafios como ABU e ABS não são tão diferentes assim. Deus nos ensina a ter comprometimento, amor, disciplina e perseverança na caminhada diária com Ele e essa relação será a base da nossa formação como missionários! ;D

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