Entre nós

Como tudo começou!

 

Bill Mc Conell, assessor da InterVarsity (movimento estudantil evangélico americano), foi "enviado ao Brasil" no início da década de 72 a convite de René Padilla, então secretário regional da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos - América Latina. Com sua esposa Bete e seus filhos teve um papel fundamental no levantamento de recursos e voluntários para as primeiras publicações do então "ministério de literatura" da ABUB.

Seu trabalho foi fundamental para a expansão e a consolidação da ABU Editora (novos contratos e distribuição de livros) e do registro formal em 1975.

Depois de 15 anos de missão no Brasil retornaram aos Estados Unidos e ao departamento de missões da InterVarsity.

Bill partilha conosco um pouco dos primeiros anos e desafios para que a ABU Editora se estabelecesse:

Nos conte como nasceu a ABU Editora.

Quando eu cheguei ao Brasil, a ABU já havia assinado contratos e em meados de 1972, a Neusa Itioka, então Secretária Geral, pediu que eu escrevesse para os donos dos direitos na Europa, pedindo paciência por não termos publicado nada. 

As respostas foram meio ásperas: ou publique logo, ou desista e devolva os direitos! Apesar de eu estar ainda na escola de línguas, não sabendo dizer nem "bom dia" direito, procurava entre os abuenses tradutores, revisores, artistas para as capas, etc., e entre alguns meses saíram tiragens pequenas de uns livrinhos ("Melhor é Serem Dois" e mais outros dois títulos de Hans Bürki) e, se a memória não falha, "Amei uma Jovem", de Walter Trobisch). 

E daí? Como distribuir estes livrinhos? Primeiro, aproveitamos os Cursos de Férias e acampamentos.  Foi assim que eu, até então sabendo nada de publicação, nem vendas, entrei no ministério de literatura cristã. Nos dois anos seguintes continuamos a publicar uns pequenos livros e desenvolver uma rede de distribuição, e em 1975 registramos oficialmente a Editora e foram os estudantes que escolheram o nome: "ABU Editora".  

 

Como era o contexto editoral nesta época? Quais as primeiras estratégias para que a Editora se estabelecesse?

Não foi uma época propícia para organizar uma nova empresa, pois a inflação monetária foi galopante e outras editoras cristãs foram todas sustentadas por fundos do exterior.Também, autores brasileiros não nos conheciam ou não tinham confiança na nova entidade.  

Mas conseguimos apoio da InterVarsity Press Americana e também Britânica, e tomando vantagem dos preços baixos dos livros da Edições Luz em Portugal, importamos muitos livros que aumentaram nossa lista de ofertas. A fundação de John Stott na Inglaterra nos deu dinheiro para a publicação da série A Bíblia Fala Hoje, que conseguimos até exportar a países africanos a fim de formar jovens pastores.

Desenvolvemos "livromático", o envio automático de cada nova publicação para os profissionais, assim garantindo uma certa tiragem cada vez.  Os estudantes desenvolveram meios criativos para distribuir os livros -- nos seminários teológicos, grupos de leitura nas faculdades, etc.  Uma Secretária Nacional de Literatura organizava uma rede de secretários de literatura em cada região do país.  

Uns poucos autores brasileiros, como Robinson Cavalcanti, procuravam a Editora e se tornaram "best sellers." E com a alta qualidade de traduçâo e revisão de Milton Andrade e Silêda Steuernagel, a Editora ganhava uma ótima reputação. Assim, pouco a pouco, os livros da Editora ficaram conhecidos e utilizados dentro do movimento e para além dele.

Nos conte sobre alguns desafios e oportunidades que vivenciou como editor.

Desafios e oportunidades?  Muitos!  Por exemplo, quando os salários dos obreiros ficaram atrasados, a Editora "emprestava" livros para eles, a fim de estimular as vendas e deixarem os obreiros com uma porção dos lucros.

Outra coisa: quando Tonica foi enviada como missionária para ajudar o movimento estudantil na Angola, o governo não permitia o envio de dinheiro para o exterior. A solução foi enviar livros da Editora, que ela distribuia facilmente, assim recuperando o salário dela. E a Editora tinha uma venda garantida cada mês!  

Uma oportunidade que não se desenvolveu bem foi a de conseguirmos os direitos para a série "As Crônicas de Nárnia" de C. S. Lewis.  Esta foi a nossa tentativa em oferecer livros cristãos para a juventude, e de fato, foram ótimos livros, mas não conseguimos mercado para os livros e nem ganhar a confiança dos evangélicos (o primeiro da série foi O Leão, A Feticeira e o Guarda-roupa)! 

Enfim, fizemos muitas tentativas de ministrar à Igreja brasileira, e especialmente aos estudantes, mas nem tudo deu certo.  Mesmo assim, muitos ganhavam boa orientação cristã, livros de qualidade, e conhecimento de autores bons, incluindo brasileiros entre eles.

A grande luta foi em manter a Editora financeiramente viável e também termos um editor brasileiro para assumir a liderança. Este último não conseguimos, e então, o John Griffin continuou o bom trabalho na Editora, e passou a liderança adiante depois de alguns anos.

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