Entre nós

Ziel Machado: de volta pra casa

"Eu achava que eu tinha colocado um ponto final na minha história com a IFES, mas coloquei um ponto e vírgula", conta Ziel Machado em meio a risadas. Hoje pastor na Igreja Metodista Livre no bairro da Saúde, em São Paulo (SP), e vice-reitor acadêmico do Seminário Servo de Cristo, Ziel participou de 34 anos da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB) e da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (IFES, sigla em inglês da associação à qual a ABUB faz parte), saindo em 2011.

Desde seu envolvimento enquanto secundarista, aos 16, passando pela secretaria geral da ABUB e até o cargo de secretário regional da América Latina, muita da bagagem que o historiador carioca carrega vem da sua formação no movimento missionário estudantil. "Kodo dizia que a melhor coisa que eu fazia na igreja era o que eu tinha aprendido na IFES", fala, também rindo, sobre outro pastor da comunidade que Ziel pastoreia desde 1995.

O ponto final ganhou uma vírgula quando Daniel Bourdanné, secretário geral da IFES até a última Assembleia Geral realizada em julho de 2019, na África do Sul, escreveu para Ziel no dia 8 de março deste ano com um convite em mente: o brasileiro foi apresentado e eleito na Assembleia Geral como presidente honorário da IFES, chefe de um grupo de 14 vice-presidentes honorários que servem como um corpo de conselheiros.

Em seu escritório no seminário, em São Paulo, Ziel conversou conosco para explicar melhor o cargo e compartilhar aprendizados. Ele brincou que agora é "velho oficial" da missão, enquanto contava que também está tentando descobrir o que o cargo significa.

Para Ziel, enquanto presidente honorário ele precisará ler o tempo atual e situar nosso ministério neste tempo, sabendo como agir nas circunstâncias, como os filhos de Issacar em 1 Crônicas 12:32: "Que tipo de apoio eu posso dar pra liderança sênior da IFES? A oração e o discernimento. E com a liderança mais jovem contar histórias para ajudá-los a formarem o ethos."

Ele pretende coordenar o grupo de vice-presidentes especialmente em oração. O primeiro pedido de intercessão será pela interinidade e a transição do secretário geral da IFES, agora à cargo da comissão de busca. Durante os últimos anos, Daniel Bourdanné sinalizou que sairia na Assembleia Mundial de 2019, e foi organizado um processo de escolha do próximo secretário geral. O novo líder poderia, também, criar uma nova visão para a década, como Daniel fez com o "Pedras Vivas", que vai até 2020. No entanto, a pessoa escolhida renunciou. A Diretoria (também chamada de Comitê Executivo) e a Assembleia deram continuidade ao processo de escolha reinstalando o comitê, o qual o presidente honorário anterior segue ajudando. Por isso, os conselheiros têm o importante desafio de orar por esta situação ímpar, aconselhar na transição quando demandados e preservar a unidade e o ethos da missão por todo o mundo

Foto: Ziel e Daniel Bourdanné

ABUB: Você se tornou presidente honorário da IFES nesta última Assembleia Mundial. O que significa este cargo e o que ele faz?
Ziel Machado: A função do presidente honorário pelo Estatuto é de ser o responsável pelo grupo de sabedoria da IFES, os conselheiros que são convocados em situações que demandem uma palavra de sabedoria, ouvir da experiência, contar um pouco da história da IFES, preservar o ethos da comunidade. Esse comitê [de vice-presidentes honorários] tem uma representação regional, homens e mulheres, e a qualquer momento pode ser demandado. No Estatuto, diz que o presidente honorário além disso tem uma fala a cada Assembleia Mundial. A eleição é por quatro anos, com possibilidade de mais quatro, e em cada Assembleia Mundial há a fala pra família toda. Nesta última assembleia, a fala do presidente honorário anterior foi sobre como está o esforço missionário no mundo hoje. Ele deu uma visão panorâmica e tentou colocar os desafios e onde a IFES se encaixa nesses desafios.

E é um cargo voluntário, certo? Não é como um obreiro da IFES.
Sim, voluntário, completamente voluntário, só à medida que demandam. O que eu vou tentar fazer é tentar trabalhar com esse grupo como um grupo de anciãos que ora, um grupo de intercessão. Então a minha ideia é a cada dois meses enviar uma notinha manuscrita num cartão pelo correio regular, oldschool. Com temas de oração pra orarmos nos próximos dois meses. Vou tentar fazer isso pra não deixar esse grupo com um salto de uma assembleia a outra. Serão seis cartões por ano, a gente mantém um vínculo e faz o pessoal orar pelas situações.

Por que você pensou nisso?
Porque acho que uma forma de interferir no processo sem estar presente é a oração. Em Efésios 3, por exemplo, Paulo está preso, orando pelos crentes a partir de Roma. Se há uma forma de participar diretamente num processo sem eliminar a responsabilidade de ninguém, nem tolher a liberdade de ninguém é orando. Você está no processo, está orando. Eu não conheço todos os 14 vice-presidentes, mas um cartãozinho de uma coisa típica do Brasil com cinco linhas atrás com os pedidos de oração, pra encorajar a oração deles, acho que vai ser legal, vai ser de bom tamanho. E a gente pode ter um grupo conectado. Essa ideia veio de uma coisa que eu ouvi do John Stott. Ele contava pra gente que, depois que se converteu, por cinco anos o pastor que o evangelizou mandava semanalmente uma carta de discipulado. E ele acreditava muito nesse negócio de cartas. Depois que eu passei um tempo na Inglaterra ele mandava uma carta a cada seis meses com uma parte impressa, mas em cima escrito à mão uma notinha pessoal de três linhas, assinada "tio Juan". Então pensei que era uma boa ideia, melhor do que fazer um grupo de WhatsApp, que acho muito impessoal. E como o povo é oldschool, acho que vão apreciar mais receber pelo correio.

Quando você recebeu o convite, oito anos depois de sair do movimento estudantil, o que o impulsionou a retornar? O que o fez aceitar o convite?
Daniel Bourdanné me escreveu no dia 8 de março dizendo que queria o meu número de telefone pra gente conversar. Eu falei: "Epa, o que esse cara quer falar comigo agora?" (risos). Aí ele ligou e falou: "A gente no Comitê Executivo da IFES considerou que seria hora de você voltar e gostaríamos que voltasse como presidente honorário". Eu pedi uma semana pra pensar e perguntei: "Por que você acha que eu devo voltar agora e nessa condição?". Eu achava que eu tinha colocado um ponto final na minha história com a IFES, mas coloquei um ponto e vírgula [risos]. Aí conversei com Ricardo [Borges, secretário adjunto de engajamento com as Escrituras na IFES e pastor na mesma igreja de Ziel], com Kodo [Nakahara, também pastor na mesma igreja], com David Bahena [secretário regional da IFES para América Latina]. E todos acharam que nessa circunstância de certa indefinição do que iria acontecer, pois estava em aberto a questão do secretário geral, seria bom. Então sentei com Solange [Machado, esposa de Ziel], orei, e Solange viu minha cara de alegria, que esse negócio de IFES é tudo de bom, né? [risos] Eu me senti voltando pra casa, na verdade, porque passei 34 anos da minha vida nesse negócio. Tudo o que eu aprendi, minha formação toda. Eu cheguei na ABS quando tinha 16 anos. Eu sou o primeiro presidente honorário que foi secundarista no movimento estudantil. Meu primeiro contato com a teologia se deu na IFES, meu primeiro contato com missão se deu na IFES, tudo. Tenho uma dívida de gratidão muito grande, porque muitas coisas que faço e o pessoal aprecia são coisas que eu aprendi na IFES. Chegou uma época lá na igreja que o Kodo dizia que a melhor coisa que eu fazia na igreja era o que eu tinha aprendido na IFES. Eu também vejo hoje que muita coisa boa que levo pra IFES é da experiência que eu tenho na igreja local. O que me levou a decidir foi isto: sempre ouvi os mais velhos, então [ouvi] a palavra do Daniel e do Comitê, dos amigos mais próximos que estão na IFES ainda, do Kodo e o apoio da Solange e dos filhos em casa. Os filhos disseram: "Tem como a gente dizer não pra isso? Quando é que você diz não pra IFES?" [risos].

Você já foi pra várias assembleias mundiais, né?
Sim! Colômbia, Holanda, Coreia do Sul, Canadá, Polônia e na África do Sul agora. Seis no total.

E o que você acha que estes eventos grandes, que reúnem a família toda, têm de bom?
Em termos de transformação, a participação estudantil e das mulheres é evidente que se tornou cada vez mais preponderante. Na Assembleia da África as mulheres salvaram a exposição bíblica, foram excelentes. E o compartilhar das estudantes foi demais. Nessa Assembleia agora os estudantes tiveram também muita participação na plataforma, a fala foi preponderante. Sabe aquele negócio quando você chega na cozinha, abre a tampa da panela, e todo mundo sente o cheiro da comida boa? Assembleia pra mim é isso. Tirar a tampa da panela e sentir aquele cheiro gostoso de "isto é o movimento estudantil! Este é nosso jeito de fazer missão no mundo!". Porque as pessoas nunca se viram e basta três minutos que já são melhores amigos, mesmo não entendendo muito bem que língua o outro está falando. Que coisa é essa? [risos] É tipo um pentecostes com línguas definidas. Esse momento oportuno, esse kairós em que as conexões se dão, o compartilhar se dá, esse sentido de pertença. Porque a IFES tem um sentido de pertença muito grande e um jeito peculiar de fazer missão. [A Assembleia] é aquele momento quando você senta no colo da vó na sala de casa e ela começa a contar história da família, e você vai vendo no hoje essas conexões. Na Assembleia a gente tem um desafio bíblico importante, o lugar da Bíblia é preponderante, marca e modela os movimentos. A excelência e o cuidado, a responsabilidade com a gestão. A IFES no mundo todo tem tudo pra dar errado, porque a gente é um movimento espalhado pelo mundo com poucas regras, tudo na base da confiança. Eu sinto que esse sentimento de pertença, essa singularidade na missão, o compartilhar, os links que surgem, esse ethos, esse cheiro gostoso... isso anima as pessoas! Na Assembleia, eu diria que você aprende muito do que vem da plataforma, mas aprende demais nos corredores, nas mesas, nas comidas.

Você falou que a IFES faz missão de um jeito peculiar, que jeito é esse?
É levar a sério que os estudantes têm o Espírito Santo. O papel singular dos estudantes na missão. A IFES não é um ministério pra estudantes, é um ministério de estudantes. Então, tomar a sério a palavra do estudante, reconhecer que ele tem o Espírito de Deus, é enviado por Deus, isso é peculiar, isso é singular. Porque mesmo no mundo religioso, os mais velhos costumam ter preponderância. Mas num ministério como a IFES o lugar do estudante mostra que os mais novos são tão protagonistas quanto os mais velhos. E em alguns espaços eles são mais protagonistas! Isso garante a jovialidade do movimento, não fossiliza com um negócio desse. Porque a linha de frente, o estudante, está o tempo todo informando pra retaguarda o que está acontecendo. Você senta com o estudante, o cara conta histórias e você está "UAU!". A filiação dos movimentos nacionais, que dessa vez os estudantes deram testemunho, nossa! Que momento solene! O jeito peculiar é esse lugar que o estudante ocupa na missão, de linha de frente, de protagonismo, de inspirar e informar aos mais antigos pra que a nossa experiência seja processada por esse vigor juvenil que está na linha de frente. Essa combinação é legal, evita que os velhos mandem de uma maneira inadequada. Os velhos servem os mais novos e a gente vai caminhar junto. Essa pirâmide invertida pra mim é sensacional.

Olhando pro passado, você consegue se lembrar de alguma situação em que lidar com irmãos da mesma fé, mas de culturas diferentes, lhe ensinou mais sobre a missão de Deus?
Uma das coisas que a cultura diferente te faz aprender é aprender a ouvir. Então, no ministério estudantil falar não é a primeira tarefa, ouvir é a primeira tarefa. E por ser multicultural, você necessariamente tem de aprender a ouvir. Essa é minha experiência na América Latina, 19 países que falam espanhol, mas não falam da mesma forma. A mesma língua, a mesma gramática, muda o sotaque, mas comunicam coisas diferentes. Eu me lembro quando entrei na IFES e o Dieter Brepohl [secretário regional anterior] falou pra mim: "Ziel, esqueça sua experiência de êxito no movimento brasileiro, vá pra aprender". Então eu tinha de aprender a ouvir. Por exemplo, a cultura faz com que as pessoas possam usar as palavras pra esconder o que estão pensando. Elas falam, e a fala em vez de ser uma ponte é uma cortina de fumaça, uma neblina. As palavras podem esconder ou podem te pegar pela mão e levar onde você deve ir. Teve uma situação entre os líderes sêniores da IFES que um líder nosso percebeu que havia uma dificuldade de compreensão. Então um dos líderes perguntou ao outro: "Quando você diz 'não', como você diz?" Eu achei a pergunta absurda. E aí me surpreendi porque o outro demorou a responder. A demora já me deixou ressabiado: "Não é tão simples como eu imaginei". E aí ele começou a buscar palavras. Depois de um tempo, quando ele encontrou as palavras entre as interjeições e as onomatopéias, ele disse: "É que na minha cultura é muito difícil dizer não. Quando eu digo não, eu digo assim: 'Vamos pensar um pouquinho mais'." Eu pensei: "Esse cara vem dizendo não pra mim há tanto tempo e eu não sabia!". Aí você considera distância geográfica, culturas variadas, pouco recurso, pouco contato, se você não ouve um não claro você começa a trabalhar em coisas que está errado. Eu nunca podia imaginar que a forma como se diz sim e como se diz não pode criar um problema enorme de confiança, de suspeita, de incompreensão, de chateação. Então, no ministério multicultural saber ouvir é vital.

A outra coisa é o lugar das pessoas em relação às estruturas. Pessoas cuidam de pessoas, não é estruturas que cuidam de pessoas. Por mais eficiente que seja a estrutura, ela não substitui o cuidado pessoal, ela só pode servir de apoio. Outra coisa que acho importante a partir do que aprendi no passado é o lugar do vínculo pessoal na formação das pessoas, a gente não pode simplesmente confiar em programas. Muito do que a gente aprende, aprende com vínculos pessoais intencionais e de qualidade. Por mais encontros que eu tenha participado na ABUB ou na IFES, nada se compara a esses encontros pessoais nos quais você aprende da pessoa. Uma das cosias que eu sinto mais falta da IFES é isso, essa estrutura de supervisão pastoral, de cuidado. Tanto na igreja quanto em seminários e lugares assim, as pessoas o colocam na função e querem que você produza. Na IFES tem cuidado, a cultura do sabático, dos relatórios, da visita, da mentoria, isso é importante. Uma das coisas que eu mais senti falta: quem é que me faz as perguntas difíceis? E essas perguntas salvam a gente, ajudam a gente.

Foto: Ziel, segundo da direita para a esquerda, com parte da delegação brasileira que frequenta a igreja local em que pastoreia

Houve alguma experiência no seu trabalho na ABUB ou na IFES em que você se sentiu praticamente sem esperança? Como você retomou a esperança depois?
Teve situações de dor e injustiça que levaram anos! Eu cheguei a ser expulso de um movimento nacional de um país por conta de uma mentira. Uma situação que foi equivocada e quando confrontada a pessoa não agiu da melhor forma e ainda espalhou pra alguns líderes mundiais uma versão que escondia a realidade. Eu estava bem fundamentado, porque tinha cópia da comunicação e tudo, mas criou um mal estar. Tempos depois, com uma nova liderança, ele descobriu os problemas internos e, ao descobrir, veio conversar comigo perguntando porque eu havia os abandonado nessa situação. Eu mostrei a carta. E a pessoa desvendou a mentira. Essa foi a situação mais difícil que eu passei, a mais constrangedora, porque você não pode queimar a pessoa. Trazer à tona, porque eu vou fazer um negócio desse? Conversei na época com o secretário geral e ele disse: "Abraça a granada". Foi constrangedor, difícil e longo. Mas o legal foi que a liderança em seguida descobriu os furos e fez um processo de perdão oficial.

Teve outras situações que foi necessário confrontar o pecado na vida das pessoas, e você não poder abrir isso. Tomar uma decisão, sem poder explicar muito a decisão pra preservar a pessoa. Foi necessário correr o risco de ser mal compreendido, além de deixar margem pra que pessoas inventem possíveis histórias. E você não pode se defender, porque não tem outra forma de se defender senão expondo a pessoa. Fica calado e deixa o pessoal falar as coisas. O que eu aprendi com o livro de Daniel foi isso: toda vez que você cuida da sua integridade diante de Deus, Deus cuida da sua reputação. Essa decisão da IFES de me convidar pra ser presidente honorário é a confirmação desse princípio.

Quais desafios você vê pra missão estudantil internacional nos dias de hoje?
A condição crítica na qual o mundo se encontra é sempre um desafio muito grande. Como ser um cristão coerente num mundo que deliberadamente deu suas costas pra Deus? As consequências dessa desobediência a Deus torna o desafio de ser cristão uma ameaça em alguns lugares. Por outro lado, o testemunho do evangelho nunca foi tão necessário, tão pertinente. Nas situações de maiores crises, traz paz e esperança pra muita gente. O desafio é como ser pertinente sem ser assimilado, identificado mas não assimilado. A arte de aprender a nunca ficar confortável nesse mundo, em hipótese alguma. Seja na sua profissão, igreja local, família. Porque naquilo que esse mundo expressar a bondade de Deus, ok, mas naquilo que expressar uma oposição sistemática a Deus, estamos desconfortáveis. Em todos os espaços, privados ou públicos. E em cada país esse mal estar vai se expressar de uma forma gritante em uma ou outra área. O grande desafio da obra estudantil é perguntar pro Espírito Santo: a percepção que temos de nós corresponde a que Deus tem de nós? Ao longo da história o que a gente percebe é que a igreja cristã tende sempre se acomodar ao status quo e a justificar determinados status quo. Isso é muito ruim. Esse conceito de ser peregrino no mundo é o grande desafio. Nós somos de um novo mundo, uma nova terra, em termos de valores.

Você comentou que coisas boas que fez como pastor na igreja local foi o que aprendeu na IFES. Conte pra gente uma coisa que você aprendeu no movimento estudantil e levou pra igreja ou pro seminário.
O lugar que a Bíblia tem na minha vida pessoal, a forma de estudar e apresentar a Bíblia é a grande contribuição [do ministério estudantil]. Outra coisa que é fundamental pra vida inteira, não só pra vida ministerial, é aprender a tirar leite de pedra, a não temer os pequenos começos. No ministério estudantil a gente sempre lida com insuficiência de recursos, insuficiência de coisas. Por isso que na sala de aula, por exemplo, eu me recuso a usar tecnologia pra além da lousa e papel. O que eu vejo é que muitas vezes quando temos muita parafernalha as pessoas confundem obra relevante com essas coisas. Eu gosto de ser cada vez mais simples nos recursos que uso e mais profundo naquilo que estou falando. A gente depende da força do Espírito, e não da parafernalha. Embora não tenho nada contra o uso sábio da tecnologia, que também expressa a graça de Deus. Mas evito criar intencionalmente essa associação entre ministério bom com ministério com muito recurso, podemos ser bons sem todos os recursos.

O tema da Assembleia Mundial deste ano teve a ver com esperança. Que mensagem de esperança você gostaria de deixar aos estudantes missionários? Como eles podem continuar sendo mensageiros de esperança, preenchidos de esperança, em tempos tão difíceis?
Uma das sugestões mais lindas do evangelho, Paulo fala disso em Romanos, é que a esperança em Cristo não nos confunde, não nos decepciona. O que me dá muita esperança é que a graça de Deus foi suficiente ontem, é suficiente hoje e será amanhã. O que me dá muita esperança é que nada pode nos separar do amor de Cristo. Nada! E quando a Bíblia diz nada, é nada mesmo. Então, se nada pode me separar do amor dele e a graça dele é suficiente, eu tenho recursos pra poder encarar o que vem pela frente, mesmo que seja dolorido. Acho que quando Jesus foi pra cruz ele não perdeu a esperança, pelo contrário. A cruz é a expressão máxima da esperança dele. Então, eu vejo que por mais difícil que seja a situação, a graça de Deus é suficiente, o evangelho continua sendo boas novas e nada nos separa do amor de Cristo. Qual é a segurança que o mundo tem fora disso? A tecnologia está caminhando na direção de nos tornar um grupo de ociosos. Se você tem confiança nisso, lascou. Mas se nada nos separa do amor de Cristo, pronto. No fim do dia, um estudante na Suécia lidando com uma crise de fé de uma sociedade rica vai ter a mesma esperança de um estudante num lugar do mundo debaixo da guerrilha, da fome absoluta, da devastação ecológica ou social. Com a mesma esperança, enfrentando desafios diferentes. Graves, mas sobrevivendo a eles.

 

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  • Abertura: Os diretores Marcus Vinicius Matos e Raquel Bergária falam das palavras, dos encontros e da esperança que colheram na Assembleia Mundial 2019
  • Entrevista: Obreiro da IFES, Kehinde Ojo realizou uma oficina junto com Marcus Vinicius na Assembleia. Como podemos ensinar e aprender entre diferentes culturas?
  • Artigo: Mariana Diniz nos conta como foi participar enquanto estudante do Encontro de Estudantes prévio à Assembleia
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  • Reportagem: Uma obreira, um estudante e uma profissional trazem ideias de volta para o Brasil
  • Reportagem: Que aprendizados e encorajamentos ficaram para os participantes de outros países na Assembleia Mundial?

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