Entre nós

Experiência com a ABS na Noruega

Jeannie Bonna
ABU São Luís (MA)
Intercambista (ABUB-NKSS) em 2010/11

Chovia bastante quando chegamos à escola St. Svithun. Uma mulher nos recebeu sorrindo. 

Na sala, alguns adolescentes comiam o lanche. Aos poucos a sala foi enchendo. Soubemos depois que quando chove os alunos ou vão para a biblioteca, que tem um limite de capacidade, ou assistem as reuniões da LAGET (nossa ABS). Logo, em dias chuvosos as reuniões lotam. O que é bom e ruim.

Não é fácil ser um estudante de ensino médio e participar da LAGET. Pelo menos é o que eles me disseram. Muitos grupos, por vergonha dos colegas, promovem um clube jovem, do qual só participam seus amigos. Placas ou convocações públicas e à vista, então, são quase proibidas.

Mas esse não é o cotidiano de todos os grupos. Muito pelo contrário, a ABS é o segmento mais forte da LAGET. Se os grupos universitários são mais independentes, os de ensino médio são bem ligados aos chamados líderes adultos, que nesse caso são geralmente líderes das congregações próximas. O líder adulto é, em geral, alguém bem mais velho. A diferença de idade, por incrível que pareça, não afeta a relação discipular entre os adolescentes (normalmente entre 14 e 17 anos) e estes líderes. Acredito que parte do sucesso dessa parceria não seja o fato deles tratarem os adolescentes como iguais, mas aconselhá-los como quem pode e deve fazê-lo.

Alguns grupos gozam de forte liderança, como foi o caso de uma escola em Sandnes. Eu e minha parceira de trabalho na LAGET fomos chamadas para visitar um grupo que tinha intenção de se filiar. Como é comum, o primeiro passo seria visitar, conversar com o grupo, propor um acompanhamento e então treiná-los. No entanto, na primeira visita constamos que as reuniões já aconteciam perfeitamente organizadas, com liderança fixa, liturgia padronizada e programação definida para as próximas 5 semanas. Grupos como esse são raros de achar, mas existem. O problema é que a liderança reside nas pessoas que conduzem o grupo e quando essas se formam a tendência é os membros se sentirem perdidos.

Muitos acampamentos e treinamentos são organizados para evitar situações como as citadas e para estimular os jovens a se envolverem com o ministério estudantil. Como é do costume e uso norueguês, esses eventos consistem em ressaltar a importância do conhecimento bíblico, de um relacionamento diário com Deus, do contato com a natureza e momentos de descontração com jogos em grupo (coisa que os noruegueses adoram).

Uma das grandes dificuldades que eu encontrei foi relativa à noção errônea, que grande parte da juventude tem, de que por serem um país cristão, terem tradições cristãs e a cruz na bandeira, são, eles mesmos, naturalmente cristãos. É um tabu falar abertamente de religião.

No entanto, o sentimento geral é de que estão em contato com Deus, de uma forma ou de outra, salvo aqueles que professam outros credos ou credo nenhum.

É tarefa árdua a do obreiro da LAGET (assim como o é em todos os outros movimentos estudantis). Mostrar a jovens, que tem tudo que o dinheiro pode comprar, que viver é muito além disso, e viver uma vida com Deus requer outros ideais pode não ser a mais simples das tarefas. Mas é também gratificante.

Testemunhar jovens se encontrarem na fé cristã e nela crescerem é uma grande recompensa. Ver as fotos de antigos treinamentos e identificar pessoas de destaque hoje, que foram tímidos membros no tempo de SkoleLaget, é de aquecer o coração.

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