Entre nós

Casa Douglas: a herança de um líder servo

Patrimônio de um ex-presidente da ABUB serviu de apoio para o grupo de Campinas, que hoje cuida da viúva que marcou gerações de estudantes com sua alegria

Por Jessica Grant

— Lois, essa é uma casa da ABU? — pergunta Davi Heckert César Bastos, ex-morador da moradia de Campinas (SP) na sala da residência. Em pé, caminhando a passos curtos com ajuda de uma cuidadora, a senhora de cabelos brancos busca na memória do que o jovem está falando.
— Casa da ABU? — responde a missionária Lois McKinney Douglas com seu forte sotaque do inglês — Mas quem está envolvido em ABU?
— Todo mundo — continua Davi.
— Incluindo a gente?
— Claro, incluindo você. Mas deixa eu perguntar uma coisa. Quando Ross estava falecendo, em 2004, o que foi que ele disse a senhora?
— O que ele disse? Ele falou sobre minha continuação aqui na casa.
— Isso, ele disse: "Lois, eu quero que você fique na casa". — Davi tenta aguçar as lembranças dela.
— Foi isso.
— E o que você disse?
— Ross… — ela pausa.
— Eu, sozinha?
— Neste casarão! — lembra-se a americana para a risada de todos.
— De jeito? — Juari Guelta, morador atual da casa, também procura ajudá-la a repetir as frases que sempre dizia.
— Nenhum! De jeito nenhum! — completa Lois.

A cena aconteceu na sala da residência da missionária, onde ela mora desde seu casamento com Prof. Dr. Ross Alan Douglas, ex-presidente da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB), no final da década de 90. Os participantes da ABU Campinas que hoje dividem com ela a moradia no bairro de Barão Geraldo haviam chamado-a para tentar recompor a conversa que todos ouviram diversas vezes. "A versão dela é a mais legal, pena que por causa do Alzheimer foram perdendo detalhes e agora fica mais difícil", diz Juari. "A gente sabe de cor, né?", explica Davi. Há até vídeos no YouTube com ela contando a história, com coro de todos os abeuenses ao seu lado (confira aqui).

Rafael, Juari, Lois e Davi

Foto: Rafael Paião, Juari Guelta, Lois McKinney Douglas e Davi Bastos na sala da Casa Douglas

A resposta de Ross ao medo de Lois em ficar sozinha, de acordo com ela, foi que ele sugeria que o espaço se tornasse uma casa da ABU. Isso já era realidade em outro imóvel que ele tinha, hoje conhecido como "Casa da ABU". A residência dela, no entanto, tornou-se a célebre "Casa Douglas".

Mas muito mais do que contar a história de como a sua moradia virou uma república de estudantes, a cena mostra o que a casa proporcionou aos seus moradores nos últimos anos: a experiência de serviço à missão estudantil e a essa missionária de 85 anos (a serem completados 86 em 3 de novembro). Morador da casa desde 2014, Juari ressalta a questão: "Um dos pontos altos de ter morado aqui foi que eu aprendi muito a cuidar e a ser cuidado. É lógico que me falta muita bagagem, mas gosto de brincar que a Lois foi a primeira coisa parecida com um filho que tive. Convivemos com ela numa fase idosa e no início do quadro atual [de saúde]".

"A casa tem muita demanda", continua o estudante e pesquisador de Matemática na Unicamp, "e se você não entende isso como um chamado missionário de serviço, você tende a se estressar muito. A casa tem essas duas responsabilidades no momento atual: cuidar de Lois e cuidar de um movimento cristão. Se você não entender [isso] como cuidar de órfãos e viúvas, que ela é ambos, você não consegue fazer as coisas. E se você não entende a ABUB como plano de Deus, você também se desgasta."

A missionária americana, que já trabalhou em lugares como Portugal e no estado do Piauí, nem sempre precisou de cuidados. Pelo contrário: ela contribuiu muito para a educação teológica e missiológica do Brasil. Bacharel em teologia, fez seu PhD na Michigan State University em missiologia e comunicação transcultural, é professora emérita da Trinity Evangelical Divinity School e autora de livros. (Leia mais sobre sua história neste artigo de sua autoria em inglês.)

Davi Bastos, que morou de 2014 a 2016 na Casa Douglas, lembra que Lois era muito independente, além de ter um ótimo humor. Ela sempre gostou de dançar e de cantar músicas como hinos e cantigas como a de um vaqueiro no Piauí. "Ela sempre gostou de conviver com todo mundo, mas foi independente. Ela foi se tornando dependente", conta o estudante de Filosofia na Unicamp. "Ano passado ela teve uma queda no quarto dela. [Com isso] descobrimos um tríplice problema: o hematoma, micro-AVCs e o mal de Alzheimer", conta Juari.

Do lar de um professor a Casa Douglas dos estudantes

Apesar de famosa entre os abeuenses da cidade, a história de Lois não conta todo o percurso de transformação da residência. Para Bruce Douglas, filho e herdeiro do imóvel, a solução da república foi por praticidade e era um plano B. "Foi uma forma de viabilizar a casa, porque é muito grande e muito trabalhosa de se manter. Mas ao mesmo tempo meu pai tinha acumulado uma biblioteca gigantesca lá, ele era um comprador de livros vorazes, mais que um leitor. Nós ficamos com dó de desmanchar a biblioteca, e ambos ficaram à disposição dos estudantes", explica o fotógrafo, que mora em São Paulo (SP).  Hoje, a biblioteca está um pouco bagunçada, mas ainda serve de referência.

"[Virou uma casa de estudantes] quase imediatamente depois que meu pai faleceu. Foi o tempo da dona Lois fazer uma reforma, transformar o quarto deles numa espécie de apartamento, uma quitinete para ter um pouco de privacidade. E o pessoal já montou essa república." Dentre esse "pessoal" estava Adailson Batista, conhecido como Dal.

Fotos de Lois com as duas primeiras gerações de estudantes, no primeiro plano a turma que morou com DalDa primeira leva de moradores que chegou na residência ainda em 2004, ele conta como foi a mudança:

"No início era só uma casa com cinco dormitórios e duas salas que eram utilizados como depósitos de livros. Com o falecimento do Dr. Ross, a Lois se mudou para Michigan [nos Estados Unidos]. Consegui arrumar os livros e liberar os quartos para serem habitados. Havia uma indecisão da família sobre o que fazer com a casa, então falei com Bruce, filho e herdeiro, sobre fazer do lugar a 'Casa Douglas'. Um lugar de apoio para a ABU e para quem precisasse de hospedagem. Nessa mesma época, Márcia, filha e herdeira, esteve na casa e nos ouviu como um pedido formal", explica o então estudante de Economia na PUC Campinas, que ficou na residência até 2007. "E a formação inicial estava ali: eu, Manaus, Patrick, Pedro e Rafa." (Foto no primeiro plano acima.)

O Patrick a quem Dal se refere é Patrick Timmer, que já foi secretário geral adjunto da ABUB e serviu por anos ao movimento nacional.

"Inicialmente, [Lois] não tinha planos de voltar de vez dos Estados Unidos, mas aquela história de 'Casa Douglas' encheu os olhos dela e acabou que ela deixou Michigan e se juntou a nós. A família nos apoiou muito, pois era exatamente isso que o Ross queria para a casa no futuro." E então nasceu a Casa Douglas.

Fé e ciência: quem era Douglas?

Nascido no Canadá, Ross Alan Douglas (1928-2004) conheceu a InterVarsity Christian Fellowship quando estudou na Regina College. Lá o físico nuclear conheceu sua primeira esposa, Eileen, conhecida no Brasil como Aline, mãe de seus 3 filhos. Alguns anos depois, conta Bruce Douglas, ele sentiu o chamado para ser um missionário fazedor de tendas, ou seja, um profissional em missões. Como PhD e professor universitário, começou a procurar oportunidades.

"Ele estava em conversas aparentemente com o pessoal da universidade de Bagdá. Enquanto conversavam, um colega foi convidado para vir para a Universidade de São Paulo (USP). E [como] não tinha interesse, passou o convite para o meu pai. Aí ele veio embora. Ele arrumou um LP [disco de vinil] de aulas de português que tinha na biblioteca da universidade onde lecionava nos Estados Unidos, e ele e minha mãe ficavam ouvindo esse único LP antes de vir para o Brasil", conta Bruce.

A chegada em São Paulo (SP) se deu em 1958 e o trabalho de Douglas na USP logo deixou marcas no setor da física experimental. Ele criou o primeiro curso no Brasil de Ciência e Tecnologia do Vácuo e foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Vácuo (SBV) (fonte). Depois de anos na USP, em 1975 o professor foi para a Unicamp e assim chegou em Campinas, a quase 100 km da capital paulista.

Com seu trabalho, o canadense mostrava na prática para os estudantes que há espaço para cristãos na academia e ciência, sem negar a fé. "Toda verdade é a verdade de Deus, quer venha do estudo da natureza, quer venha da revelação de Deus", disse em resposta a duas perguntas numa breve entrevista publicada em 1999 na revista Ultimato e disponível online aqui.

O movimento estudantil cristão havia iniciado há um ano quando o professor universitário chegou em terras tupiniquins, e ele não demorou para se envolver. De acordo com Bruce, "ele era muito ativo no grupo americano, então quando veio para cá já pediu os contatos". Bruce recorda de crescer nos eventos: "Imediatamente ele comprou uma Kombi para ajudar nos acampamentos da ABUB. Era o único carro nacional grande e ele enchia de estudantes para levar. Foi nosso carro de família durante 10 anos, duas Kombis seguidas". O fotógrafo até se lembra de uma charge feita pelos estudantes que retratava o transporte puxando um carrinho de bebê atrás, no qual uma flecha indicava ser Bruce.

De acordo com o livro Encarnando a Palavra Libertadora, escrito pela ex-secretária executiva Neuza Itioka, a casa paulistana da família servia ao movimento. O relato diz que estava “sempre cheia de assessores, profissionais e estudantes: ora eram os profissionais convocados, ora a diretoria, ora uma reunião com pessoas chaves do movimento, ora recepção dos assessores internacionais. A casa deles era sempre aberta, com a hospitalidade da dona Aline Douglas, que fazia a estada das pessoas muito agradável”.

O envolvimento do professor não foi apenas no suporte à missão com estudantes. Ele ocupou cargos na diretoria nacional por anos. Inicialmente como vice-presidente, enquanto o arquiteto e reverendo Diniz Prado de Azambuja Neto estava na presidência, Douglas foi eleito presidente em 1978. De acordo com Braulio Craveiro Filho, outro ex-presidente da ABUB, havia um receio por conta do governo militar de ter um estrangeiro na presidência, o que podia ser mal visto, mas no Congresso Nacional de 1976 os estudantes expressaram admiração pelo serviço do professor e o desejo de tê-lo na liderança. Em 1992, com o diagnóstico de câncer de sua esposa, o canadense voltou a ser vice-presidente, cargo que esteve por mais alguns anos.

Conta-se que em meio a uma crise do movimento ele, ainda que com o braço quebrado, optou por dormir em colchonetes com os estudantes no chão durante o Congresso Nacional de 1976 em Fortaleza (CE), enquanto outros preferiram um hotel. Além de tudo, o casal também foi essencial nos primeiros anos da Aliança Bíblica de Profissionais de São Paulo, por volta de 1973, organizando acampamentos e reuniões entre os graduados do movimento.

Sua esposa faleceu em 1996 e, já viúvo, Douglas conheceu a missionária e acadêmica americana Lois McKinney e casou-se com ela no final da década (foto). Ele já morava na residência no bairro de Barão Geraldo desde meados da década de 1980, e fez de lá seu lar por mais ou menos 20 anos.

Serviço, missão e aprendizado

Por causa de seu objetivo, a história da Casa Douglas se mistura muito com a história do grupo da ABU Campinas nos últimos 12 anos, e isso reflete na vida dos moradores. Juari, por exemplo, cita que cresceu com os relacionamentos da casa, como com Davi, com quem chegou a dividir quarto. "Pude estabelecer boas relações de discipulado e de trocas de experiências em Cristo, aprendi muito a mudar minha maneira de pensar", compartilha. Davi conta que a convivência com uma missionária mais velha é outro aspecto que lhes ensinou muito: "Lois foi uma pessoa muito importante na minha vida, foi uma oportunidade de serviço e de aprendizado com alguém que estava sempre satisfeita, sempre feliz".

Para Dal a vivência na residência foi excelente. "Havia muita diferença de personalidade, desde a gestão até partilhar um macarrão. Saber lidar com a inteligência emocional e também servir o movimento de forma intensa, eram aspetos constantes de ajuste e discussões. Cresci como pessoa e como cristão." Davi viveu o mesmo crescimento: "Esse contato com ideias plurais me levou a ter uma firmeza melhor no que eu acredito".

A heterogeneidade é ressaltada por Rafael Paião, assessor auxiliar em acompanhamento da cidade, que destaca as diferenças de pensamento e ênfases teológicas. Ele não foi morador da Casa Douglas, mas é da Casa da ABU, onde começou a morar recentemente quando, depois de se formar em Direito na PUC Campinas, começou a cursar Filosofia na Unicamp e Teologia no Seminário Servo de Cristo, em São Paulo.

"Essa questão da diversidade é muito intrínseca", explica Rafael, "[pois é] uma casa deixada para a missão estudantil, para estudantes que atuam na universidade, um ambiente diverso. É um reflexo. Não é uma república comum, [na qual] não teria essa preocupação [em dialogar] e cada um segue sua vida." Para ele, uma das diferenças da Casa Douglas e da Casa da ABU com outras moradias compartilhadas é que há a preocupação de resolver os problemas a partir de uma perspectiva cristã, o que gera conhecimento e aprendizado para os jovens estudantes.

Muitas vezes as casas serviram para hospedar e acolher tanto participantes do movimento quanto não cristãos, e muitas vezes estrangeiros. "Muita gente teve alguma espécie de encontro com o evangelho [enquanto hospedados na casa] e isso mudou suas maneiras de encará-lo, alguns tinham muito preconceito com o cristianismo", conta Juari. Ele se recorda dos estrangeiros hospedados na casa e do "jantar dos gringos" organizado ao longo de um ano pelo ex-morador David Kurka. Nesta atividade, os estudantes de outros países da Unicamp podiam não apenas se relacionar e serem acolhidos, mas também conhecer o cristianismo.

Foi esse espírito de acolhimento que levou Aline Rodrigues da Cruz a conhecer o evangelho na Casa da ABU, onde morou de 2013 a 2016. Mesmo sem ser cristã, ela vivia lá e participava dos estudos bíblicos. "A galera sempre me abraçou muito. Achava legal que eles me acolhiam", conta a estudante de Estatística na Unicamp, que atualmente se prepara para cursar Moda e, desde dezembro de 2016, é uma das moradoras da Casa Douglas. Em um retiro de igreja, ela acabou deixando o evangelho transformar sua vida. "Se não fosse [terem me abraçado], sei lá onde eu estaria. A amizade que formei lá me ajudou a aproximar deles e, assim, aproximar de Cristo."

A história da Aline mostra que, apesar da ligação com o movimento e de hoje ambas casas terem intencionalidade no envolvimento com a missão universitária, a Casa da ABU nem sempre teve a exigência de abrigar apenas cristãos. Ela ainda não exige que sejam apenas abeuenses, mas que se envolvam com a missão estudantil.

"A Casa Douglas sempre teve mais participação. Os moradores dela eram os líderes da ABU Campinas", relembra Rafael. Para Dal, desde o início essa conexão foi forte e importante para a continuação do grupo: "[O espaço] era constantemente utilizado para os eventos, reuniões. Era mesmo uma base para o movimento. Com isso, mais pessoas foram conhecendo a ABU e sendo conhecidas também, resultando na entrada de novos participantes, com novas ideias e força para continuar o trabalho."

Quando Davi chegou em 2014, por exemplo, vindo direto da casa dos seus pais em Viçosa (MG), já foi logo eleito secretário de literatura na primeira reunião do grupo local. Ele ocupou o cargo por dois anos e pode ver uma mudança no grupo e na casa.

"Hoje, os grupos mais articulados estão nas universidades particulares espalhadas por Campinas, a maioria longe daqui [pois o bairro Barão Geraldo é próximo da Unicamp]. Nesse sentido, tivemos o papel em 2014 e 2015 de deslocar o centro da ABU da Unicamp para a cidade. Tentamos tirar um pouco das atividades daqui", explica Davi.

Além de deixar de ser o centro das atividades da ABU, a casa passou por outras mudanças recentes. Se antes era apenas para homens, desde o ano passado há duas mulheres nos quartos individuais, como Aline.

Mas as mudanças não tiraram a Aliança Bíblica Universitária da rotina da residência -- todos ainda estão envolvidos de alguma forma -- e a Casa Douglas ainda é referência para o grupo da ABU Campinas (veja este vídeo do grupo cantando lá). A prova disso é o logo da cidade (foto): feito por Juari em meados de 2015, é uma versão da marca da ABUB com a caricatura de Lois e de Lucky, um dos cachorros históricos da casa. Os mascotes são outra história… No jardim estão enterrados três: a doberman do canadense, a boxer da americana e o labrador Lucky, enterrado pelo próprio Juari.

Para Bruce, o destino da Casa Douglas e sua história até aqui é uma celebração das coisas que seu pai mais gostava: "São duas coisas que ele dava muito valor: ABUB e o estudo. Ele foi um estudante vitalício, nunca parou de estudar. E amava a ABUB, né? Uma forma de celebrar essas duas coisas". Além disso, ele ressalta que a solução evitou que Lois (que tem PhD!) ficasse sozinha sem estímulo intelectual: "Enquanto ela ainda pode desfrutar de companhia estimulante, desfrutou. Até pouco tempo atrás ela ainda tinha um interesse intelectual muito vivo".

Independente do futuro do imóvel e da república, até aqui eles serviram a mais ou menos quatro gerações do movimento estudantil na cidade de Campinas, honrando a memória do Prof. Dr. Ross Douglas como servo de Deus. E hoje os estudantes podem servir a sua viúva, Lois, que não ficou sozinha (de jeito nenhum!) nesse casarão abençoado.

Reflita: Qual é o legado que você deixará? Leia Filipenses 2:12-18 e pense sobre como você colocará sua salvação em ação, como será o seu serviço que provém da fé?

Extra! No Youtube há um vídeo com Lois contando suas histórias uns anos atrás. Conheça mais dessa missionária a partir dela mesma.

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