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Bagagem da África: três ideias para a ABUB

Estudos sobre cuidado com a criação, acompanhamento com pessoas mais maduras e um material sobre a formação de obreiros na ABUB. São ótimas ideias, não? Essas três sugestões surgiram a partir da participação de brasileiros na Assembleia Mundial da IFES, realizada em julho de 2019 na África do Sul.

É quando saímos do ambiente em que estamos acostumados que podemos refletir sobre nosso contexto, descobrir nossas qualidades, observar sobre nossos defeitos e ter ideias novas. A Assembleia Mundial da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (IFES, na sigla em inglês) é um dos espaços ideais para isso entre os movimentos missionários estudantis de todo o mundo. O encontro acontece a cada quatro anos e é uma oportunidade de alimentar-se de novas sugestões e refletir sobre o que fazemos. Na edição deste ano, Brisa, uma profissional, Carlos, um estudante, e Nilsa, obreira da ABUB, tiveram diversas ideias. Aqui, eles nos contam apenas as principais que planejam colocar em prática na Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB).

1. Ideia de uma profissional: falar de cuidado com a criação de Deus

Foto: Brisa com algumas das latino-americanas da oficina

Formada em administração, Brisa Kelly Silva está fazendo uma especialização em gestão ambiental. Por esse motivo e também por já estar refletindo sobre estas questões, ela se interessou em participar do seminário da Assembleia Mundial focado em "Cuidado com a criação". O tema aborda a mordomia com o meio ambiente a partir da Palavra de Deus. Mas, para além de sua atuação profissional, a formação que recebeu lhe deu ideias para a ABUB:

"Fiquei super motivada a pensar alguma coisa que pudesse contribuir sobre esse assunto. Então pensei em iniciar um grupo de estudos na ABUB Nordeste sobre cuidado com a criação. Mas ainda é uma coisa que não está muito bem elaborada, está tudo muito na minha cabeça", compartilha Brisa. Desde que retornou da África do Sul, ela já participou do Curso de Férias de sua região e aproveitou o evento para sondar se havia interesse no tema e foi, inclusive, encorajada por alguns assessores.

Para Brisa, o tema pode ser interessante para abordar inclusive com não cristãos. "Especialmente por conta do momento atual do país", conta. "Acho que pode levar pessoas não cristãs a refletir sobre como essas coisas estão relacionadas e também os cristãos a pensarem mais na sua responsabilidade (a começar por mim)."

E a ideia não é só para o Brasil: "No seminário havia várias pessoas da América Latina. Nós fizemos um grupo e temos conversado sobre o tema, pensado em como podemos articular alguma coisa, algum material, juntar as ideias e coisas que diferentes grupos de diferentes países da América Latina têm feito e têm pensado".

2. Ideia de um estudante: conviver com pessoas mais maduras na fé

Foto: Carlos, de camisa quadriculada vinho (terceira pessoa da esquerda para a direita), com a delegação brasileira

Carlos Oliveira, estudante de engenharia mecânica que participa da ABU São Carlos (SP), voltou impactado pela experiência que teve na Assembleia Mundial e trouxe consigo algumas reflexões. Um de seus aprendizados, por exemplo, foi valorizar mais a teologia latino-americana. "É algo que o pessoal de fora, principalmente da África e da Ásia com quem tive contato, admiram bastante e acham bem único. É uma herança importante que fazemos na ABUB, mas poderíamos fazer, explorar e valorizar mais. Não só a teologia latino-americana, como também aquilo que a gente produz dentro da ABUB", comenta Carlos.

É comum a experiência multicultural abrir nossos olhos não apenas para ideias novas, mas também para o que já temos e é um ponto forte, e não está tão evidente. "É bem único estarmos inseridos na nossa cultura e podermos responder aos nossos problemas com a Bíblia. Então eu trouxe isto [de volta]: valorizar mais a nossa experiência", compartilha o estudante.

Mas foi a vivência diária de Carlos na Assembleia com pessoas mais maduras na fé que lhe deu uma ideia que pode levar para o grupo local: "É interessante conhecer e estar em contato mais cotidianamente com pessoas mais maduras na fé, com 40, 50, 60 anos. Foi algo que fez bastante diferença para mim, ter [a companhia de pessoas mais velhas] nesses dias e poder compartilhar dúvidas com eles. Eles também compartilhavam dúvidas e um pouco da caminhada deles. Sinto falta disso aqui, tanto na ABU quanto nas igrejas que frequento. Poderia ser feito mais, e eu pretendo fazer mais com os estudantes que estou junto aqui em São Carlos".

Para começar, Carlos pensa em se colocar mais à disposição dos estudantes mais novos, combinar almoços com uma pessoa para conversar mais ou marcar cafés. "A ideia é mostrar que eu estou aberto para conversar quando eles precisarem", conta.

A inspiração de Carlos chega num ótimo momento para a ABUB, sendo que no próximo ano devemos estabelecer o Conselho Consultivo, previsto no Estatuto aprovado em 2018. Um corpo de conselheiros que podem, com sua experiência, acompanhar o movimento estudantil. O brasileiro Ziel Machado também assumiu nesta Assembleia uma função na IFES que envolve o aconselhamento.

3. Ideia de uma obreira: organizar uma apresentação do material de formação de obreiros

Foto: Nilsa, ao centro, com Mailin, à esquerda, e Ruth, à direita, que ajudou na tradução

Como secretária de formação, Nilsa de Oliveira conversou com muitas pessoas de vários movimentos sobre a capacitação dos obreiros, parte central de seu trabalho na ABUB. "Muitos queriam saber como fazíamos o recrutamento e formação de nossos obreiros. Eu sempre explicava um pouco dos processos e dos espaços existentes, mas sem um material organizado, bem estruturado para mostrar, compartilhar", detalha. A troca de conhecimento com certeza enriquecia a outros, mas foi justamente a limitação desse partilhar que encorajou Nilsa a organizar esse conteúdo.

"Desde o ano passado, isso tem nos incomodado. Eu e Natan [secretário de formação adjunto] temos pensando o quanto seria bom para a ABUB ter todos os processos de formação documentados, explicando como chegamos até ali e como cada espaço ou ferramenta é pensado e preparado. E foi durante uma conversa com a Mailin Young, diretora assistente de liderança e desenvolvimento de talentos da Intervarsity Estados Unidos, que tomei a decisão de levarmos adiante nosso desejo de documentar passo a passo cada ferramenta usada no recrutamento e formação de obreiros, preparando um material prático, de fácil leitura e acessível para compartilhar com todos os movimentos que queiram conhecer mais sobre o nosso trabalho aqui no Brasil."

Nilsa conta que Mailin lhe mostrou um organograma com todos os passos, espaços e ferramentas na formação, além de "quadro de talentos com 10 qualidades inegociáveis que um obreiro deve ter (e como se preparam para isso), tudo muito visual e simples". "Conhecer o material no qual ela se baseia para trabalhar, me inspirou muito em como fazer o nosso", compartilha. Nilsa diz que teve várias outras ideias, mas esta ela pretende colocar em prática em breve.

E você? Qual o último evento da ABUB que você participou e como pretende colocar em prática as ideias que teve ou ouviu?

 

LEIA O ENTRE NÓS

  • Abertura: Os diretores Marcus Vinicius Matos e Raquel Bergária falam das palavras, dos encontros e da esperança que colheram na Assembleia Mundial 2019
  • Entrevista: Ziel Machado nos conta o que significa seu novo cargo de presidente honorário e como ele servirá à missão estudantil nos próximos anos.
  • Entrevista: Obreiro da IFES, Kehinde Ojo realizou uma oficina junto com Marcus Vinicius na Assembleia. Como podemos ensinar e aprender entre diferentes culturas?
  • Artigo: Mariana Diniz nos conta como foi participar enquanto estudante do Encontro de Estudantes prévio à Assembleia
  • Artigo: Márcio Lima relata a visão de um profissional e assessor auxiliar nessa jornada de fé, encontros multiculturais e uma só esperança
  • Reportagem: Que aprendizados e encorajamentos ficaram para os participantes de outros países na Assembleia Mundial?

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