Entre nós

Cinco lições ao redor do globo

Da África do Sul para o mundo: os mais de mil participantes de mais de 170 países que estiveram em julho de 2019 na Assembleia Mundial da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (IFES, na sigla em inglês, da qual fazemos parte) levaram de volta para seus movimentos nacionais ideias e lições preciosas. A troca entre culturas fez com que todos pudessem aprender e ensinar. Os brasileiros citaram nesta reportagem as ideias que trouxeram de volta, mas que lições ou encorajamentos os outros países colheram?

Os abeuenses que participaram da Assembleia Mundial passaram os contatos das pessoas que conheceram e perguntamos para eles: "O que você aprendeu no evento?" Confira os depoimentos vindos de Moçambique, Bélgica, Canadá, Zâmbia e Timor-Leste.

Chavane Elias Matsinhe (ABEMO Moçambique)

"[Durante o evento tive] a ampliação do meu entendimento sobre o movimento estudantil. Com a Assembleia Geral percebi o quão sério é a responsabilidade que temos de evangelizar os estudantes. Aprendi também a mensagem de esperança que o mundo precisa e em particular, entre os estudantes, está conosco, os cristãos.

"Tive a oportunidade de participar de um seminário sobre como escrever livros. Desde que me conectei ao movimento estudantil tive desejo de escrever algo para ajudar o ministério, mas não sabia como começar. Louvo a Deus pela oportunidade do seminário.

"Com a ABUB aprendi que, como movimento irmão, principalmente na língua, naquilo que tem sido obstáculo para o nosso movimento, caminhando juntos podemos ultrapassar. Comparativamente a nós, vocês já escrevem livros pela ABU Editora, estudos indutivos etc. Material esse que pode ser muito útil para nós por causa da língua. Na perspectiva de estrutura organizacional, a ABUB está muito avançada e nos pode ser muito útil na estruturação do nosso movimento. Orem por mim, para que Deus conceda-me a graça de escrever algo para meu movimento. Enfim, foi bom o tempo que tivemos com os irmãos da ABUB, com vocês nos sentíamos enquadrados na Assembleia Geral, principalmente por causa da língua e da literatura."

Chavane Elias participa da ABEMO Moçambique desde 2001 e hoje é presidente.

Sem Thomas (Ichtus Bélgica)

Foto: Sem está de verde à esquerda

"Eu e meus colegas tivemos uma longa conversa com Sergei Koblov, secretário regional para Eurásia. Ele nos contou sobre um movimento que orava toda semana e postava uma foto disso no Facebook. Decidimos fazer o mesmo em uma cidade aqui. Na última quinta-feira foi a primeira vez que oramos em um dos campi em Kortrijk (Courtrai, em português). Planejamos fazê-lo toda quinta à tarde, às 13h30. Também temos um grupo secreto no Facebook: amigos da Ichtus Kortrijk. Lá postamos uma imagem por semana e esperamos que os membros daquele grupo unam-se à nós em oração. Isso é algo bem concreto.

"Além disso, posso dizer que foi muito encorajador conhecer pessoas envolvidas no Experimento Marcos de quatro regiões diferentes da IFES, nove países diferentes, representando sete línguas diferentes. Foi muito legal perceber que temos o mesmo evangelho nos conectando."

Sem é obreiro da Ichtus Vlaanderen, da região flamenga da Bélgica, onde, entre várias tarefas, também coordena o Experimento Marcos.

T.V. Thomas (InterVarsity Canadá)

"Um dos maiores encorajamentos que ouvi diversas vezes na Assembleia Mundial de 2019 foi sobre o crescente treinamento em governança para diretorias que está acontecendo. A saúde das diretorias está melhorando e os movimentos nacionais estão, com isso, se beneficiando. Uma diretoria saudável governa bem e tem um relacionamento agradável e colaborativo com o secretário geral. Isso faz com que ele se sinta empoderado e habilitado a gerenciar o plano estratégico do movimento, liderando os obreiros em um trabalho eficaz e frutífero em seus respectivos ministérios.

"Também me impressionei como diversos movimentos da IFES na África estão crescendo apesar do fato de terem ministérios liderados por estudantes de maneira mais forte do que muitos países no Ocidente. Espero explorar maneiras com que os obreiros possam nutrir e facilitar uma abordagem similar no Ocidente."

T.V. fez parte da diretoria de InterVarsity Canadá por muitos anos, atualmente está como vice-presidente.

Collen Njapau (ZAFES Zâmbia)

"Aprendi algo muito interessante de uma estudante de Hong Kong. Ela me contou que fazer o ministério em seu país é muito difícil. Contou que muitos estudantes não são cristãos, mas budistas. Por causa disso, é difícil espalhar o evangelho, mas, sobretudo, Deus os está ajudando a adentrar [os espaços] com as boas novas. Isso me deu coragem em trabalhar duro para o Senhor no meu movimento, porque no nosso país nada nos impede de proclamar o evangelho. Na verdade, nosso país até se declara cristão. Agora, quando olho para meus amigos em Hong Kong [e vejo que] há dificuldades mas ainda o evangelho é proclamado, quanto mais [devemos fazer] nós que não temos isso? É uma oportunidade para que eu não descanse, mas trabalhe enquanto ainda tenho essa chance. E, de fato, vejo que há esperança na mensagem do nosso Senhor Jesus Cristo.

"Também aprendi algo novo com meus amigos que atuaram no Experimento Marcos, e [a profissional brasileira] Brisa foi uma destas. Isso foi muito encorajador e um aprendizado ao mesmo tempo. Nos poucos minutos que atuaram, aprendi sobre todo o livro de Marcos!"

Collen é assessor auxiliar (voluntário) na ZAFES Zâmbia e Coordenador Regional dos Associados da província de Copperbelt.

Thurston (KOW Timor-Leste)

Foto: Thurston à direita

"Para mim, a Assembleia Mundial foi como reunião de família com primos que não conhecia antes. Conheci diferentes obreiros, estudantes e parceiros com quem tínhamos mil assuntos para conversar.

"Além de ouvir histórias inspiradoras de outros movimentos, aprendi algo novo sobre uma forma criativa de levar a Bíblia para os estudantes: o Experimento Marcos! O teatro interativo é uma das formas mais criativas de levar o Evangelho de Marcos aos estudantes. Aprendi com Chris Brown, de GBU Itália, e Sem Thomas, da Icthus Vlaanderen. Começamos a sonhar em ter isso, porque nossos estudantes são muito talentosos e expressivos, então acreditamos que um dia eles gostarão de ter essa abordagem nova e emocionante. Trouxemos as ideias para os obreiros e compartilhamos com os estudantes. No entanto, precisamos de um diretor treinado para seguir. Mas já discutimos sobre isso com nossos movimentos irmãos.

Em geral, fiquei maravilhado com a incorporação de artes (performáticas e pinturas) na Assembleia Mundial. Aqui, geralmente limitamos nossa interpretação da Bíblia a palavras escritas com canetas ou lápis num papel, mas, depois de testemunhar tantas formas artísticas vibrantes de apresentar a Bíblia, voltei com muitas lâmpadas acesas na minha cabeça, novas ideias para compartilhar com os estudantes. O caminho para Emaús tornou-se o caminho para a esperança.

Também queria conversar com movimentos de países de maioria católica, e sou muito grato ao estudante brasileiro Carlos que me apresentou ao Ziel Machado, com quem pude ter um bom tempo de escuta significativa. Nossa conversa foi útil para que estivéssemos atentos a nossa identidade evangélica, mas ao mesmo tempo ser bons irmãos com os católicos."

Obreiro da FES Malásia, Thurston participa hoje de Kernels of Wheat (KOW) Timor-Leste, pois está dedicados à IFES no Leste Asiático para apoiar o trabalho no Timor-Leste.


LEIA O ENTRE NÓS

  • Abertura: Os diretores Marcus Vinicius Matos e Raquel Bergária falam das palavras, dos encontros e da esperança que colheram na Assembleia Mundial 2019
  • Entrevista: Ziel Machado nos conta o que significa seu novo cargo de presidente honorário e como ele servirá à missão estudantil nos próximos anos.
  • Entrevista: Obreiro da IFES, Kehinde Ojo realizou uma oficina junto com Marcus Vinicius na Assembleia. Como podemos ensinar e aprender entre diferentes culturas?
  • Artigo: Mariana Diniz nos conta como foi participar enquanto estudante do Encontro de Estudantes prévio à Assembleia
  • Artigo: Marcio Lima relata a visão de um profissional e assessor auxiliar nessa jornada de fé, encontros multiculturais e uma só esperança
  • Reportagem: Uma obreira, um estudante e uma profissional trazem ideias de volta para o Brasil

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