Entre nós

Sem pausa nos bastidores

Uma preocupação central para a ABUB enquanto organização missionária é a ininterrupção dos nossos objetivos centrais: a formação, a evangelização e o serviço nos grupos locais de ABU, ABS e ABP. Por isso, quando a pandemia da covid-19 paralisou as aulas e isolou a todos, buscamos encorajar a continuidade criativa de nossos propósitos. Mas um dos grandes riscos invisíveis era a paralisação da estrutura da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB) e do trabalho dos assessores e secretários do nosso movimento…

Calma, nada disso aconteceu ou corre o risco de acontecer agora! Vamos explicar. Um exemplo dessa ameaça é a movimentação bancária das pessoas jurídicas (organizações, empresas etc.). Quando vence o mandato de alguns diretores, os bancos esperam a ata da Assembleia Geral registrada em cartório com os novos mandatos. Se ela não chega, nossa conta corrente fica inacessível e não podemos pagar impostos, contas e o sustento dos obreiros. Sem poder nos encontrar presencialmente numa Assembleia, e sem regulação clara para encontros virtuais desta finalidade, a pandemia trouxe consigo instabilidade e preocupação às organizações brasileiras sem fins lucrativos, como a ABUB.

"A ABUB é, ao mesmo tempo, um movimento, uma comunidade e uma organização", explica a secretária geral, Sarah Nigri. "Se não estivermos bem equilibrados neste tripé – cuidando também da nossa organização – colocamos em risco a missão em suas outras dimensões. As Assembleias Gerais são espaços onde vemos as três faces da ABUB atuando conjuntamente! Nelas, tomamos decisões administrativas e de governança que têm poder para impactar o dia a dia de nossos grupos."

Ou seja, prezar pela continuidade da governança, ainda que durante uma pandemia, é também prezar para que nossos objetivos finais sejam alcançados neste novo momento. Ainda que os impactos de parar esta área sejam desconhecidos pela maioria, foi e tem sido importante para a nossa organização investir esforços para a manutenção da governança. Isso reflete um trabalho com excelência e cuidado com aquilo que Deus colocou nas nossas mãos: a missão entre estudantes e profissionais do Brasil. Quando falávamos que #AMissãoContinuaDeCasa, também trabalhávamos para resolver os impasses da governança.

Como (e pra que) funciona a governança da ABUB?

O termo "governança" se refere àquilo que envolve o ato de governar. Uma organização deve ser bem estruturada e bem dirigida para viabilizar sua visão, sempre respeitando suas crenças (no caso da ABUB, a Base de Fé) e regulamentos (Estatuto). A governança abrange, por exemplo, a elaboração de políticas e propósitos, o planejamento e priorização de ações, o acompanhamento e a avaliação do trabalho desenvolvido, a prestação de contas e a verificação do exercício das funções. Tudo isso para garantir que estamos indo para o lugar certo.

No nosso caso, a estrutura organizacional é importante, em primeiro lugar, para viabilizar no nosso campo missionário os objetivos que cumprem a missão da nossa organização. Além disso, é um sistema que possibilita a segurança jurídica perante o governo, realiza processos de avaliação e planejamento estratégico do nosso trabalho entre outras questões. Tudo isso garante a continuidade e o funcionamento da nossa organização como um todo. Mas onde está essa tal de governança? Vamos explicar caso você não conheça como nos organizamos.

Na nossa estrutura temos os participantes dos grupos locais na ponta, alcançando e atuando diretamente no nosso campo missionário. Todo o resto existe para possibilitar a realização da tarefa desses. Somos divididos em sete regiões, nas quais estudantes líderes nas diretorias regionais ajudam especialmente na formação, assessores auxiliares dão apoio e os obreiros, que são assessores remunerados pela ABUB, trabalham para capacitar a ponta.

Nacionalmente temos três instâncias. Uma é a equipe do escritório, assessores e funcionários que trabalham em áreas específicas e que abrangem todo o país. A Secretaria Executiva é nosso corpo de líderes (os secretários) que coordenam as diferentes áreas do movimento, colocando em prática os planos e gerindo o todo. Os assessores regionais, nacionais e os secretários possuem contratos com a ABUB e trabalham em tempo parcial ou integral.

O terceiro grupo que atua com o movimento como um todo é a Diretoria Nacional, composta de líderes eleitos que exercem voluntariamente a direção da ABUB, trabalhando com a Secretaria Executiva. Esdras Bispo, que concluiu em julho o mandato de segundo vice-presidente, afirmou em entrevista para o Entre Nós que um dos aprendizados que ele leva de seu tempo na Diretoria Nacional foi a divisão dos papéis numa governança bem estruturada. O professor universitário compartilhou:

"É interessante e importante compreender a função da diretoria em relação às funções executivas. [Considero] um belo exercício de governança perceber onde se encerra nossas atividades como diretoria, de guiar, dar diretrizes e norte às atividades executivas, ao mesmo tempo em que ouve os estudantes, as regiões, os obreiros e a secretaria executiva para regular e direcionar as tomadas de decisão."

A Diretoria Nacional é a responsável juridicamente pela ABUB, supervisionando o trabalho e tomando as decisões necessárias no interregno dos eventos de governança. Estes eventos são o Conselho Diretor, que se reúne com representantes regionais, e a Assembleia Geral, órgão supremo da ABUB no qual todos os grupos locais filiados participam diretamente. Nas regiões há também o Conselho Regional. A governança costura todos estes grupos e eventos mas, por seu caráter diretivo, concentra-se mais obviamente na Diretoria Nacional, no Conselho Diretor e na Assembleia Geral.

Vale lembrar que nossa casa editorial, a ABU Editora, também é governada pela Diretoria Nacional e uma Assembleia Geral com representantes de todos os grupos locais filiados.

A governança continuou de casa

O que foi mais diretamente afetada pela pandemia foi a realização da Assembleia Geral, que ocorre a cada dois anos e aconteceria dentro do Congresso Nacional (CN), em julho. Quando o CN foi suspenso, as preocupações dos diretores e secretários da ABUB se voltaram à Assembleia, com suas eleições e outras aprovações que garantem a segurança jurídica e financeira não apenas da ABUB, mas também da ABU Editora. Ela precisava acontecer de alguma forma. E aconteceu nos dias 18 e 19 de julho.

Há pelo menos quatro anos a Diretoria Nacional tem cada vez mais investido em reuniões virtuais, que facilitam a participação de integrantes de diferentes regiões e fizeram com que esta continuasse seu trabalho no isolamento social. Por outro lado, reunir delegados de quase todos os mais de 100 grupos locais do Brasil, com o devido documento que indicasse corretamente a representação de cada um e tratar questões de difícil entendimento em uma via online não era uma tarefa fácil. Pior: não havia uma política clara sobre isso, que seria inédito, e nem uma lei que ajudasse a reconhecer reuniões assim. Era possível que o cartório não reconhecesse a ata, por exemplo.

O ex-diretor Esdras também levantou outras preocupações: "Garantir nossos valores e a participação do estudante. Buscar a preservação do espaço de uma assembleia, em que os estudantes podem opinar, discutir, sugerir. Esse foi um desafio muito grande, e toda a Diretoria Nacional estava com esse objetivo em mente: garantir que as estruturas de representatividade e democracia dentro da ABUB fossem mantidas".

Nossa secretária geral Sarah Nigri contou para o Entre Nós como a realização da Assembleia – que, no fim, tratava-se de quatro eventos, com a Assembleia Geral extraordinária e ordinária para a ABUB e o mesmo para a ABU Editora – foi uma experiência inovadora e marcante:

"Os meses que antecederam a este evento foram cheios de demandas e de muito trabalho, pois era necessário checar absolutamente tudo desde procedimentos administrativos, legislação em tempos de pandemia, questões de governança até ferramentas digitais disponíveis para interação, deliberação e processo eleitoral com segurança e privacidade."

Quando as primeiras mensagens sobre representação de grupos e documentação já haviam sido enviadas aos líderes locais e regionais da ABUB, foi aprovada uma lei específica para o tempo de pandemia que viabilizou as Assembleias virtuais. Com a interpretação do cartório sobre esta legislação, foi também possível simplificar e direcionar o que precisávamos fazer. Aos poucos o evento tomava forma... uma nova forma, desta vez virtual.

"Foi muito encorajador e gratificante ver como toda a equipe – obreiros regionais e do escritório – se mobilizou e cooperou para que déssemos conta de tantos detalhes. Também louvo muito a Deus por todo o trabalho e empenho da Diretoria Nacional", compartilhou a secretária geral. "Sem dúvida, essas foram as assembleias mais participativas e colaborativas que já organizei na ABUB. Foi bonito ver como tantos observadores e delegados demonstraram amor e comprometimento com a missão estudantil, compreendendo nossas limitações na realização de um evento virtual, cumprindo com os requisitos e formalidades para inscrição, e obedecendo aos critérios de interação nos diferentes espaços."

A reunião aconteceu através da ferramenta de vídeochamada Google Meet, usando o campo de chat para interações formais, como inscrição de falas que tinham tempo e momento certo para acontecer. No WhatsApp, os delegados podiam tirar dúvidas mais informais e conversar entre si. Observadores acompanharam num link fechado a transmissão via YouTube, comentando e também conversando entre si na seção de comentários e em outro grupo de WhatsApp. A votação para composição da Diretoria Nacional foi por meio da plataforma Helios Voting. Foi uma reunião multiplataforma!

Além de decisões como aprovação de contas e relatórios, revisão orçamentária e a importante eleição, a Assembleia também concluiu o processo do estabelecimento do Conselho Consultivo e Fiscal da ABUB, órgãos que atuarão para auxiliar a boa governança na missão e eram muito aguardados desde o seu estabelecimento com a reforma estatutária da ABUB de 2018. Falando em estatuto, foi aprovada a nova versão deste documento para a ABU Editora, importante passo para o cuidado da nossa casa editorial.

Gente nova na Diretoria: bem-vindos!

A eleição envolvia os seguintes cargos da Diretoria Nacional: presidente, 2º vice-presidente, 2º tesoureiro, 2º secretário e os quatro diretores adjuntos que representam as diferentes instâncias dos grupos locais: um representante para ABP, um para ABS e dois para ABU. Três desses cargos são novos ou redesenhados pelo Estatuto de 2018 e foram eleitos pela primeira vez. O cargo de ABS não pode ser preenchido desta vez. Raquel Bergária, presidente do movimento desde 2012, foi reeleita para seu último mandato. Daniel Vasconcelos, que era diretor de relações públicas (cargo extinto), foi eleito como 2º vice-presidente.

Com muita alegria e gratidão pelo tempo de serviço ao movimento, nos despedimos de Esdras Bispo, 2º vice-presidente; Amanda Souza e Gemima Jacinto, diretoras adjuntas de ABU; e Ravena Albuquerque, diretora adjunta de ABS. Foi muito bom poder contar com estes quatro diretores nos últimos anos e queremos aqui agradecê-los. Todos os que participam da Diretoria Nacional doam seu tempo voluntariamente e arcam com os custos das viagens e dos eventos nos quais abençoam a missão e prezam pela boa governança. Ore agradecendo a Deus pela vida deles e pedindo que o Senhor continue a abençoá-los. Ore também pela Raquel e pelo Daniel que continuarão a servir, que Deus os sustente na caminhada. E, sem esquecer dos outros diretores, eleitos em 2018, que continuam no cargo por mais dois anos, peça também pelos novos que vamos conhecer mais a seguir.

Voz aos grupos locais

Responsáveis por representar estamentos da nossa missão, os diretores adjuntos se renovam em todas as Assembleias Gerais por terem mandato de apenas dois anos. Desta vez, recebemos Patrick e Débora como diretores adjuntos de ABU, além de Renato na primeira gestão de diretor adjunto de ABP.


"Ter estudantes atuando na governança é importante e necessário. Esses levam a realidade estudantil à governança, já que eles estão inseridos no ambiente que a ABUB mais possui atuação e se relacionam diretamente com a realidade e seus desafios", comentou Patrick Peixoto ao Entre Nós. Estudante de engenharia química na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), no campus de Alegre, foi lá que Patrick conheceu o movimento estudantil. Ele, que já participou até de eventos internacionais, encoraja os abeuenses: "Vá ao máximo de eventos da ABUB que você puder. O que nós podemos aprender uns com os outros são tesouros de grande valor".

Patrick aprendeu tanto que quer contribuir de volta: "Na governança da missão, eu espero e tentarei contribuir utilizando tudo que a ABUB me permitiu aprender. Deus utilizou a ABUB para me ensinar várias coisas, e eu peço a Deus que ele me use em favor do movimento".

Também representante das ABU's, Débora Oliveira Chaves quer trazer o conhecimento que recebeu enquanto estudante de Relações Internacionais na Universidade de São Paulo (USP), onde conheceu e atuou na missão, para sua atuação enquanto diretora: "O tema de liderança, governança e organização são muito presentes e latentes no contexto mundial, e isso vejo muito de perto na própria faculdade. Pensar sobre o tema e trazê-lo para a realidade da ABUB é um privilégio", compartilha.

"Dado que a função principal de diretora adjunta de ABU é ser voz dos universitários, penso que um bom desempenho está diretamente ligado a escutar e manter relacionamentos com os estudantes. Tenho consciência da grande responsabilidade que é e tenho orado por isso. Uma boa governança guiada por Deus reflete diretamente nos rumos da missão, e assim pretendo seguir!"

É também com a representatividade em mente que Renato Mendonça, da ABP São Paulo (SP), assume como o primeiro diretor adjunto de ABP. Como contou ao Entre Nós, "o público universitário é prioritário dentro da ABUB, não tem como negar, mas profissionais e secundaristas fazem parte do movimento e precisam ser representados. Agora os profissionais conseguiram isso. O pessoal ficou feliz com a representatividade. Vale lembrar do Grupo de Trabalho da ABP que continua acontecendo há alguns anos e esse cargo é fruto do trabalho do grupo".

Renato conheceu o movimento na universidade, quando se formou em sistemas de informação no Mackenzie (São Paulo). Ele também fez pós-graduação em engenharia de software no ITA (São José dos Campos) e participa do grupo de profissionais da capital paulista há muitos anos, onde exerceu funções na liderança.

Novos cargos para mais segurança

Com a reforma estatutária criou-se os cargos de 2º secretário e 2º tesoureiro, que, apesar de terem "segundo" em seu nome, possuem responsabilidades próprias e garantem a segurança da governança na ausência dos "primeiros", além de trazer mais olhares para assuntos tão importantes.


A engenheira física Bárbara de Abreu Francisco conheceu o movimento missionário na ABU São Carlos (SP) e já tem servido como voluntária representando a ABUB junto ao movimento parceiro Vocare. Como 2ª secretária, além de apoiar o 1º no trabalho com as atas e documentos, ela deve apoiar na formulação de políticas e diretrizes da comunicação da ABUB. Seu foco, conforme contou ao Entre Nós, é manter o trabalho da governança claro e transparente:

"Espero poder contribuir com a clareza da comunicação e a transparência das ações da diretoria para o movimento estudantil. Via as atas, deixando-as descritas o mais claro possível para que as próximas gerações consigam entender o que aconteceu no debate, como aconteceu, quais foram as resoluções e o porquê delas. Mesma coisa nas políticas e na comunicação, para que as pessoas não tenham dúvidas do que estamos querendo dizer, o que queremos proclamar, como queremos fazer isso e o que move nossas ações."Caio de Paula Cabral, formado em ciências contábeis pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), onde participou da ABU Maceió, traz sua experiência e estudos na área para contribuir como 2º tesoureiro.

"A ABUB tem passado por dificuldades envolvendo sustentabilidade financeira que ocasionaram na redução da carga-horária de alguns obreiros, então essa tem de ser uma prioridade na qual eu espero contribuir", compartilhou o diretor. "Desde a diretoria regional eu convivo com o desafio de colaborar com os grupos locais sem estar de corpo presente. A tarefa de mobilização de recursos é diretamente atribuída ao cargo de 2º tesoureiro, então o meu desafio maior será como colaborar e potencializar a mobilização de recursos feita pelos obreiros, tesoureiros regionais e tesoureiros locais."

Assim como os adjuntos comentam da proximidade com os grupos locais, Caio disse que vê isso como um ponto importante para "alinhar as iniciativas que já são desenvolvidas e exitosas" e trocar as ideias entre os grupos e estamentos. "Se nós, enquanto diretores, estivermos alheios à realidade dos estudantes, aos desafios dos profissionais, não iremos corresponder às atribuições, porque tudo o que a gente faz e delibera deve ser visando atender às demandas da base para que cumpram o objetivo dessa missão, de comunicar o evangelho de Cristo."

Ou seja, para a missão continuar mesmo em meio a uma pandemia, a governança também precisa ter seguimento – e graças a Deus nosso movimento conseguiu manter ininterrupto o trabalho dos bastidores.

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