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Missão na cultura jovem global secularizada

Luke Greenwood fala sobre a necessidade da Graça de Deus em um mundo pós-moderno

(Texto de Renan Ramalho)

 

Na ABU não é raro ouvimos falar a respeito dos males do pós-modernismo. Uma vez informados a respeito dos valores de nossa época, planejamos estratégias que muitas vezes se traduzem em pura oposição, uma cruzada contra a “cultura e seus males”, e em alguns casos, armados de preconceitos. De fato, os caminhos e ambições humanas, devido a nossa natureza caída, tendem a contrariar em alguma dimensão os planos de Deus, e, certamente, muito do que é pregado pelo discurso atual deve ser repensado a luz dos ensinamentos de Cristo.

Entretanto, talvez tenha chegado a hora de elaborarmos estratégias de promoção do Reino que não se traduzam em simples afronta a cosmovisão atual, mas que, atuando em duas frentes, sejam capazes de por um lado apresentar o caminho inegociável da fé convictamente cristocêntrica, e por outro, aproveitem os clamores próprios de nosso estado cultural como ponte entre duas naturezas imutáveis: o Deus eterno e a natureza da carência do homem, que mesmo possuidor de uma dimensão mutável e temporal, expressada na cultura, sempre foi carente espiritualmente.

O seminário ministrado por Luke Greenwood, membro do grupo de missões internacionais Steiger, tratou o tema da missão na cultura global basicamente em três momentos: primeiramente a apresentação do ministério No Longer Music, num segundo momento foi apresentado um diagnóstico de nossa cultura e dos clamores dela, e, por fim, evidenciou-se as possibilidades de usar tais clamores e necessidades como ferramenta na demonstração da relevância de Deus e sua Graça para o mundo hoje.

O No Longer Music é um ministério criado na Europa, hoje tendo sua versão brasileira, que trabalha com evangelismo através de shows envolvendo música e  performances teatrais, a fim de, com sua linguagem diferenciada, alcançar lugares e públicos aos quais o discurso cristão raramente chegaria, como bares, festivais de musica underground e encontros de Nova Era. Com o crescimento do projeto e suas turnês por diversos países, surgiu espontaneamente uma rede informal de pessoas que se identificavam com essas novas linguagens e campos de missão, o que, por conseqüência, gerou o Steiger em forma de rede missionária organizada.

No segundo momento foi mostrado como o caráter secularista, relativista e pluralista se apresenta como desafio atual na prática missionária. No contexto turbulento do pós-modernismo vive-se a dificuldade de afirmar verdades absolutas e caminhos únicos. Existe ainda uma descrença, fruto das decepções com os planos e ideologias modernas, nas capacidades humanas de promoção do progresso e da construção de comunidades ideais. O resultado de tudo isso é a descrença numa idéia de “sentido” para a existência, gerando projetos de vida baseados no imediatismo e na pura sobrevivência e intensificação dos prazeres. Por fim, um forte descrédito na institucionalização das praticas coletivas de fé estariam ligados ao estímulo pela busca por uma espiritualidade individual.

Finalmente foi discutida a questão da possibilidade de criar linguagens de evangelismo que atendam a esse contexto turbulento e que sejam adequadas aos clamores dos nossos tempos, utilizando-os como evidência da necessidade humana da Graça de Deus. Dessa forma, a contextualização da mensagem cristã seria um guia para uma cultura secularizada; uma espiritualidade pluralista seria via de acesso a Cristo pela verdade; a proposta comunitária da vida cristã seria um consolo a uma sociedade fragmentada; e por fim, o chamado radical da vida cristã de promover os valores do Reino na terra moveria aqueles que estão sedentos por ação diante da apatia de uma sociedade consumista.

Diante de uma realidade de identidades múltiplas como a que vivemos se faz constante a necessidade de atualizações das linguagens de evangelismo, dado que o isolamento das comunidades eclesiásticas, por vezes, criam um desconhecimento dos contextos daqueles que  carecem da mensagem cristã e uma cultura própria que se traduz em um abismo entre o “sal e a terra”.

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