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Uma celebração de alegrias!

O Encontro de 60 anos da ABUB trouxe a memória da fidelidade de Jesus no passado e o convite para o contentamento e perseverança hoje

Giovanna Amaral e Jessica Grant

Ouvir histórias, compartilhar lutas do passado e desafios do presente - e reconhecer que, a seu tempo, cada geração é chamada a permanecer fiel a Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e para sempre! No Encontro celebrativo pelos 60 anos da ABUB (E60) as narrativas vivas se cruzaram, e ao mesmo tempo que eram singulares, trouxeram também traços comuns e verdades que não perecerem.

O E60 “Alegrem-se Sempre” ocorreu dos dias 15 a 18 de junho em Campo Limpo Paulista (SP) e recebeu mais de 100 pessoas de diferentes gerações e das sete regiões do movimento. A palavra de abertura foi proferida pela primeira vice-presidente da ABUB, Daniela Frozi. A partir do tema da alegria contínua, ela nos lembrou que, ainda que não seja fácil seguir a Jesus, a alegria que temos nele nos une e a esperança da ressurreição nos nutre: “Apesar das más notícias que recebemos, em Jesus Cristo sempre teremos boas notícias. A vida em Cristo é uma vida de alegria pelos novos valores que ele nos traz”.

A programação das manhã iniciava com louvor, oração e as exposições bíblicas que abordaram os quatro capítulos do livro de Paulo aos Filipenses. Antes da exposição, estudantes guiaram os participantes a imergir no texto bíblico via arte - dança, poesia e encenações.

Na quinta-feira (18), Antonia Leonora Van der Meer, a Tonica, obreira da ABUB e IFES (Angola) nas décadas de 70 a 90, partilhou do primeiro capítulo da epístola, lembrando o tom carinhoso de Paulo aos filipenses e a ênfase da unidade, baseada no compromisso com o evangelho e na cooperação mútua. Tonica também ressaltou que o sofrimento que os cristãos possam viver não deve excluir a alegria. 

Painel de Gerações - Ainda pela manhã ocorreu o painel de geração dos anos 57-87 apresentado pelo obreiro da região Leste, Pablo Gomes, com Dieter Brehpol (secretário geral entre 76-83), Ziel Machado (secretário geral entre 85-97), Rute Silveira (estudante na década de 60, pioneira da ABU e ABP Rio/Niterói) e Braulio Craveiro Filho (quando estudante participou da comissão do congresso missionário de 76 e integrou a diretoria nacional por quase 30 anos. Atualmente é vice-presidente honorário da IFES).

Dieter, inspirado pelo testemunho de Hans Bürki, ressaltou que é preciso ser sempre pertinente na universidade. Bürki, professor universitário, propunha várias ações nas universidades, com temas como “A busca humana por um significado permanente na vida”. Dieter também lembrou-se do testemunho de Dionísio Pape, pioneiro no nordeste e o modo como ele era um “encorajador” da obra, inspirando os irmãos à perseverança.

Para Rute, que esteve nos primeiros programas de formação da ABUB, foram estes encontros que mais a impactaram e a ensinaram sobre a “hora tranquila” (práticas meditativas/devocionais).

Braulio partilhou que um dos maiores aprendizados que teve foi o da relevância bíblica, ou seja, o modo como foi encorajado a pensar e a refletir a partir da palavra e como ela se aplica a todas as esferas da vida, incluindo a profissional.

Ziel se recordou das tensões que permearam os anos 80 e como foi importante firmar as bases da identidade da ABUB, como a importância da igreja local e a autoridade das escrituras. Neste contexto também foi essencial reafirmar e delimitar o campo missionário da ABUB - os campi e as escolas.

Os quatro participantes também mencionaram a importância dos assessores auxiliares que, ao abrirem suas casas, acolhiam estudantes e os auxiliavam na caminhada cristã. O trabalho destes voluntários sempre foi essencial para que a missão estudantil crescesse em um país continental com poucos obreiros remunerados.

Para concluir o primeiro dia do Encontro de 60 Anos, a secretária geral Sarah Nigri de Angelis apresentou o segundo Painel de Gerações do dia, com Ricardo Borges, secretário geral da ABUB de 1998 a 2006 e atualmente parte da equipe da América Latina da Comunidade Internacional dos Estudantes Evangélicos (IFES, na sigla em inglês); Alexandre Brasil, que foi secretário geral adjunto de Borges e coordenador do Congresso Missionário de 2006; Daniela Frozi, atual Primeira Vice-Presidente da ABUB; e Esdras Bispo, atual Segundo Vice-Presidente da ABUB.

Dois eventos foram bastante comentados pelos três primeiros convidados: o Congresso Nacional de 1992, "Visão, Compromisso e Sacrifício", e o Missão 2006. Enquanto no primeiro eles eram participantes, no último eles eram os responsáveis. Dentre os marcos, Ricardo lembrou o treinamento de um ano dado aos líderes dos grupos pequenos, uma das partes mais importantes do congresso mesmo que com 900 participantes. Já Alexandre destacou a dependência em Deus em meio aos imprevistos, do diagnóstico de um câncer a uma pregação que teve de fazer de última hora. Esdras, por sua vez, como o mais jovem do painel, comentou da importância do movimento estudantil para que ele se firmasse na fé.

Dia 16/06, segundo dia

O segundo capítulo de filipenses foi partilhado por Ruth Borges, mestre em biologia e professora de inglês, preletora e expositora em eventos da IFES. Ruth enfatizou que a harmonia, característica do relacionamento dos filipenses, não anulava a diversidade entre eles - e o parâmetro de unidade que temos é a própria trindade: o relacionamento entre Deus Pai, Filho e Espírito Santo. 

No lugar dos paineis de gerações, na manhã e tarde do segundo dia aconteceu a mesa "Experiências de Missão", cujo objetivo era ouvir o testemunho dos pioneiros.

A autora do livro Estudo Bíblico Indutivo (veja uma entrevista dela aqui sobre o método), Tonica, partilhou de sua trajetória ao animar estudantes a fazerem estudos bíblicos por si mesmos. Também contou como foi desafiada a responder perguntas sobre a fé com um estudante “genial” da Universidade de Brasília, irmão de um cristão do grupo local. Ainda que estivesse amedrontada, recebeu suas dúvidas, e com honestidade e firmeza, o respondeu. Pouco tempo depois, soube que ele havia se convertido. Este é um dos conselhos de Tonica para esta geração: “Permaneçam firmes, baseados na Palavra e tenham o coração aberto para os que querem conhecê-la”.

Outro pioneiro foi José Miranda Filho, estudante na década de 70 e membro da diretoria nacional por mais de 20 anos, até 2012. Miranda e alguns estudantes de Fortaleza foram fundadores do projeto Castelão (apoio educacional às crianças carentes da capital cearense) e partilhou os desafios do início e da manutenção do projeto: “Éramos estudantes ousados. Sim, inadequados, mas olhávamos para o horizonte”. Diante da possibilidade de saírem do galinheiro emprestado onde acontecia o projeto, vivenciaram um milagre ao conseguir um empréstimo bancário com juros baixos (1,4%) em época de alta inflação para a compra do imóvel.  

Ageu Lisboa, um dos fundadores do Corpo de Psicólogo e Psiquiatras Cristãos (CPPC), partilhou que a ABU o inspirou a se reconhecer como enviado (missionário) e o quanto se sentiu acolhido em seu grupo local. O CPPC nasceu no contexto do Congresso Missionário de 1976 e tem se destacado por sua produção científica e diálogo com a teologia.

No período da tarde, ouvimos testemunhos das últimas três gerações de abeuenses.

Matheus Shibakura, estudante da ABU em Ribeirão Preto (SP) testemunhou sobre o papel da ABU em sua conversão - sua irmã tambéḿ se converteu na ABU Franca (SP). Ele animou os participantes a perseverarem pois Deus tem usado o movimento. “Eu pensava: se esses estudantes que me receberam estudam a bíblia tão a sério como estudam as outros livros da faculdade, ela deve ser verdadeira”.  

Keila Lin, formada em design de interiores e graduanda em artes, é parte da ABP Belo Horizonte (MG) e deu testemunho sobre a Semana do Cristianismo de seu grupo local que em suas programações, no espaço acadêmico, propõem discutir a fé. 

Já Fabi Pereira, formada em ciências sociais e assessora auxiliar da ABU São Paulo (SP), compartilhou sua experiência de missão no Quênia, por meio do intercâmbio ABUB-NKSS/Focus, e falou da fé vibrante dos irmãos africanos e o empenho deles em alcançar estudantes para Cristo.

Morgana Boostel, secretária de engajamento missionário da ABUB compartilhou sobre a Rede Fale e o impacto que teve em sua fé, na medida que as campanhas de defesa de direito uniam prática e oração. Já a secretária de formação, Nilsa de Oliveira, falou o projeto Didaquê em que participou quando estudante da ABU Rural/Seropédica (RJ) na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. O projeto estruturado e mantido pelos estudantes, que durante anos teve apoio da universidade, era um cursinho comunitário e recebia alunos de baixa renda.

“Comecei a entender um pouco do significado de missão integral me envolvendo no Didaquê e olhando para a vida de muitos colegas da ABU Rural, que coordenavam o projeto. Vi Deus ressignificando a vida de muita gente, inclusive a minha”, partilha Nilsa.

Lançamento do A Palavra Entre Nós

No período da tarde houve o lançamento do livreto A Palavra Entre Nós. A secretária de administração e comunicação, Giovanna Amaral, partilhou sobre o esforço de estudantes e assessores brasileiros em traduzir, revisar e editar o material, que também teve o apoio de Ricardo Borges, secretário adjunto da IFES América Latina. A versão impressa recebeu doações de fundos nacionais da ABUB, Associação Basiléia e do fundo da IFES para engajamento com as escrituras.

Ricardo apresentou as sessões do livreto e o modo como pode ser usado como instrumento de crescimento pessoal e em grupo. Para saber mais e ver o livreto, acesse http://apalavraentrenos.abub.org.br. Para obter a versão impressa, entre em contato com as diretorias e assessorias das regiões. 

A Ceia e a celebração

Na noite da sexta-feira (19), Ricardo Borges partilhou a reflexão baseada no Salmo 103 - a vida humana frágil e passageira é sustentada pelo eterno, bondoso e amoroso Pai. Por meio do Salmo há uma perspectiva da dimensão pessoal da esperança, o que Deus faz por cada um em sua história com ele, e a dimensão comunitária, em que Deus convida seus filhos a serem parte de seus planos no mundo. 

Durante a ceia, a secretária de formação, Nilsa de Oliveira, convidou os participantes a adorar a Jesus pelo que ele tem feito em cada vida, pessoalmente, e como tem agido no outro, para edificação de sua Igreja. Em pequenos grupos  os elementos foram partilhados juntamente com expressões de gratidão pelo que se passou e os sonhos futuros para a missão estudantil. 

Dias 17 e 18/06

Apesar da programação dos últimos dois dias do encontro estarem destinadas ao Conselho Diretor, reunião do órgão administrativo da ABUB, as exposições bíblicas continuaram a ocupar as manhãs. Abordando Filipenses 3, Philip Rout, ex-assessor da região São Paulo e Mato Grosso do Sul, perguntou aos participantes: "Qual é o objetivo da sua vida?".

Argumentando que, para ele, o capítulo trata-se da explicação de Paulo sobre como permanecer firme em Cristo, Phil, como é conhecido, encorajou os estudantes a partir do texto bíblico a progredirem rumo a Cristo e, para isso, buscar sempre escolher cuidadosamente o caminho e os modelos adotados, "de acordo com o padrão" que Paulo apresenta. Além das discussões em mesa a partir de perguntas como houve todos os dias, Phil também sugeriu uma reflexão individual sobre nossos maiores desejos a partir do que fazemos de fato.

Já no último dia a exposição bíblica ficou a cargo do José Miranda Filho, ex-presidente da ABUB, que fechou o último capítulo da carta aos Filipenses. Dentre os diversos pontos abordados, Miranda falou de como Deus nos usa como somos e a nossa história não existe para nos exaltar, mas para ser um instrumento pelo qual serviremos ao Senhor. Ele explicou também sobre oração, solução de Paulo para a ansiedade, como um espaço da nossa sinceridade transparente com Deus. Miranda também desafiou os estudantes: "O que tem alimentado nossa mente?"

Já o Conselho Diretor apreciou os relatórios de diversas áreas do movimento e da ABU Editora, que estava presente com seus livros, dentre três relançamentos, e pode fazer importantes decisões.

*Fotos de Giovanna Amaral, Jessica Grant e Cássia Surama Oliveira (ceia)

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