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Universitários alcançando vestibulandos

Com canetas e bate-papo, abeuenses dão apoio nas provas do Enem

As portas da Pontifícia Universidade Católica, do campus Coração Eucarístico, em Belo Horizonte (MG) tinham sido fechadas e, do lado de fora, estavam jornalistas, pais e os estudantes da Aliança Bíblica Universitária. Era o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio de 2016, o Enem, a maior porta de entrada atual na universidade brasileira. Do lado de fora dos portões, uma vestibulanda aos prantos.

Preocupada, uma das abeuenses foi "abraçá-la e conseguiu protegê-la do assédio dos jornalistas", conta o relatório que o grupo fez para o projeto "ABU no Enem". Junto com os demais, conseguiram afastá-la do local. "Abraçamos muito ela, demos a barrinha [de cereal] e água. Ela chorava, parava e contava o que aconteceu."

A história dela? "Mulher, negra, mãe solteira, 43 anos. Frequenta a igreja batista. Durante todo ano ela fez cursinho [gratuito] à noite no centro, [para onde] levava a filha de 8 anos por não ter com quem deixá-la. Foi aprendendo, teve suporte para usar internet, fez simulados, é boa de redação. Quer fisioterapia ou educação física", conta o grupo.

Por causa das ocupações nas escolas e universidades, a prova foi transferida para longe e, mesmo tendo saído às 10 horas da manhã, ela não conseguiu chegar a tempo, atrasada também por conta de uma briga em seu ônibus. Eles contaram que a protegeram da mídia, pois ela ficou bastante constrangida por ter sido filmada como alguém que se atrasou, e ofereceram uma palavra de conforto e um momento para se recompor.

O grupo da ABU Belo Horizonte estava no local desde às 10h45 conversando com os vestibulandos, orando com eles, oferecendo barras de cereal e abraços. A ação fez parte da iniciativa estudantil "ABU no Enem", que busca levar apoio àqueles que desejam entrar no ensino superior nos dias das provas. O projeto surgiu a partir da experiência própria de Bárbara de Abreu, da ABU São Carlos (SP). "Eu me sentia muito pressionada e na obrigação de passar no vestibular", conta ela, que hoje é estudante de engenharia física. "Em uma das provas, [logo] a que eu queria passar, comecei a chorar e não fiz."

"Estamos aqui para ajudar"

 Mesmo munidos do kit básico para todo vestibulando, como documento de identificação e caneta, as dificuldades vão além dos conhecimentos que serão testados. Caneta azul? A prova não é aceita. Não é de material transparente? Pode ser expulso da sala. E se não funcionar? O desespero toma conta! Às vezes nada disso acontece, mas o próprio nervosismo ou fatores externos no caminho driblam o estudante que sonha em entrar na universidade. Por isso o projeto surgiu, para servir aos vestibulando, acalmá-los e proporcionar uma experiência mais tranquila.

Já como estudante da Universidade Federal de São Carlos, em 2015 Bárbara organizou com seu grupo local algumas ações com o intuito de tranquilizar os vestibulandos. Para começar, todos compartilharam suas dicas para a prova em um vídeo:

No dia do Enem, ficaram em tendas na porta dos locais de prova e conversaram com os vestibulandos.Além de distribuírem um marca-página com o logo do projeto, da ABUB e algumas informações para encontrarem o grupo no facebook, os abeuenses vestiam as camisetas de seus cursos e, com isso, se colocavam à disposição para conversar sobre a universidade.

 

"A lógica era a seguinte", explica Bárbara: "[Como se disséssemos:] 'Nós passamos pelo que vocês estão passando, entendemos como é e estamos aqui pra ajudar.' Teve gente que abraçou, orou, conversou com os pais, com os vestibulandos dos nossos cursos."

E o mais importante: distribuíram canetas pretas. "Um amigo levou três canetas pro vestibular e duas estouraram. Então fiquei pensando: 'Já pensou se só tivesse uma?' Esse é o 'x' da questão, o que a gente espera não é dar caneta simplesmente pra alguém que não tenha. Mas ser alguém que possa ajudar outra pessoa em um momento de apuro", conta Lucas Batista, também envolvido no projeto atualmente e da ABU Ribeirão Preto (SP).

De acordo com Bárbara, o resultado foi positivo: "O que me marcou muito foi ver o pessoal tranquilo, feliz. Não parecia um local de prova, mas só mais uma fase. Eles entravam nos prédios rindo e os responsáveis pela aplicação do Enem em São Carlos nos agradeceram pela iniciativa".

No mesmo ano, a ABU Sorocaba (SP) se interessou e também atuou no dia da prova. Em Campinas (SP), um grupo organizou a distribuição de bombons e abraços grátis na Universidade Presbiteriana Mackenzie de Campinas, no vestibular da instituição. Já em 2016, o grupo local da cidade realizou intervenção nos dois dias do Enem. "Não sofri tanta pressão, mas meu amigos sim, e realmente faz total diferença. Se eu soubesse de um grupo cristão logo antes de entrar na faculdade, muita coisa poderia ter sido diferente", conta a estudante da ABU Campinas Letícia Novais.

Em 2016, 22 grupos locais de todo o Brasil organizaram atividades ligadas a "ABU no Enem". Juntos, eles também fizeram um novo vídeo com dicas de todo o país:

Foi nesse ano também que a ABU Ribeirão Preto (SP) começou. "Distribuímos caneta, água, abraços -- muitos abraços --, e também fizemos amizade com o pessoal", conta Lucas. Bárbara ressalta que a preocupação dos participantes da Aliança Bíblica Universitária vem de antes de seu projeto: o grupo da ABU Curitiba (PR) já tinha alguma ação e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (RJ) os estudantes palestram em escolas para incentivar os secundaristas ao ensino superior, por exemplo.

Quem estiver interessado em organizar as atividades da "ABU no Enem" com seu grupo local pode participar de uma reunião que falará sobre a edição deste ano. A conversa, via Skype, será às 22 horas de 8 de maio -- dia em que também começam as inscrições para o Enem 2017, que durarão até o 19. De acordo com o edital publicado, as provas desta edição serão realizadas em dois domingos: 5 e 12 de novembro.

Para participar da conversa, entre no grupo "ABU no ENEM - Brasil" no facebook e peça para lhe adicionarem no dia.

Ainda curioso? Veja também o vídeo explicativo que o grupo da ABU São Carlos realizou sobre o projeto:

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