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GPS Literário continua vivo!

O projeto de compartilhar comentários sobre livros lidos continua; participe

Há algum tempo, foi proposto que nós, os próprios estudantes, a partir de leituras feitas e desenvolvidas, compartilhássemos dicas, sugestões e comentários acerca de livros lidos anteriormente. Foi então que surgiu o projeto da região Leste GPS Literário e várias ponderações já foram feitas.

Nós resolvemos compartilhar aqui para incentivar ainda mais a participação de todos e dar ânimo para que você leia e participe também!

Desta vez, as notas foram feitas pelo ex-abeuense do grupo de Vitória, Thiago Simões Lacerda, atualmente, advogado da União em Brasília (DF). Ele fez exclarecimentos sobre o livro “Como integrar fé e trabalho”, de Timothy Keller e Katherine Alsdorf (Ed. Vida Nova).

Fiquem atentos a essas ponderações e não deixem de ler e buscar conhecimento para crescimento!

 

“Deus existe, existe um mundo futuro restaurado que ele trará, e nosso trabalho é mostrá-lo (em parte) aos outros.” (Como integrar fé e trabalho, p. 31)

Um dos marcos da Reforma Protestante do século XVI foi o rompimento com a ideia dualista de trabalho que prevalecia na igreja medieval. Segundo essa ideia, o único trabalho para Deus era o desempenhado para a igreja, vista como a totalidade do Reino de Deus na terra, de forma que os demais empregos (normalmente braçais) eram vistos como seculares, mundanos. Em oposição ao trabalho sagrado dos sacerdotes, o trabalho secular era visto como um mal necessário (p. 67).

Martinho Lutero opôs-se com vigor a essa ideia, afirmando, com base nas Escrituras, que Deus chama todos (o ferreiro, o sapateiro, a autoridade civil, o sacerdote) para diferentes formas de trabalho, um instrumento da providência de Deus, que sustenta toda a criação. João Calvino, semelhantemente, defendeu o trabalho humano como vocação dada por Deus a todos para cultivo da criação (desenvolvimento da cultura).

Quinhentos anos depois, podemos perceber que uma boa parcela das igrejas cristãs evangélicas não absorveu essa ideia. Em muitos contextos, seja por discurso, seja por omissão, sutil ou abertamente, reforça-se a distinção, estranha às Escrituras, entre o “trabalho que agrada a Deus” e o “meu trabalho”, o que potencializa e, ao mesmo tempo, reflete, uma série de outros problemas, como frustração na profissão, indecisão persistente, decisões precipitadas e até falta de fé (enfraquecida pela visão do trabalho como uma forma de justificação pelas obras).

Nesse assunto, a obra de Tim Keller e Katherine Alsdorf, ambos líderes cristãos atuantes no mundo do trabalho, é uma dádiva.

O deleite do livro começa no sumário. (!) O conteúdo é dividido em três partes (subdivididas em quatro pontos), segundo a ordem criação-queda-redenção (Plano, Dificuldades e Evangelho), categoria que resume a cosmovisão bíblica.

Keller demonstra como a cosmovisão cristã, longe de ser antiquada, nos dá soluções para problemas vocacionais que os sistemas alternativos do nosso tempo não são capazes de responder satisfatoriamente.

Essa visão de mundo nos fornece um retrato equilibrado do trabalho como peça do belo mundo planejado por Deus, arruinado pelo pecado e restaurado por Cristo – história de redenção que começou no Éden e continua nos dias de hoje, através de mim e de você.

Recomendo muito a leitura!

Thiago Simões Lacerda, advogado da União em Brasília (DF)

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