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Ao meu amigo presidente,

Carta

Ao meu amigo Presidente,        

                Mais um ano vem chegando e é você quem assume a presidência da próxima gestão do nosso grupo local. Eu fico mais uma vez ao seu lado sorrindo, agradecendo a Deus pelo que ele tem formado em você, vaso novo. Você caminhou comigo de perto e ver seus questionamentos quanto a Universidade, vida, família e coração me dão alegria de ver Deus movimentando coisas importantes em você. Compartilhamos nossas vidas, e eu sei da insegurança à porta por ser Presidente. Sei da inquietação quanto à relevância do nosso grupo. Eu sei do seu zelo pelo Evangelho. Sei que você tem sido fiel e comprometido mesmo com aquele núcleo de EBI em que a assiduidade das pessoas depende de tantas variáveis. Eu me lembro de te ver menino, tímido, mas tão disposto, sempre pude contar com você! Em pouco tempo você se tornou alguém em quem eu confiasse muito, e logo percebi características para te indicar ao cargo: o amor a Deus, o serviço, o engajamento com a missão estudantil e com a igreja local. Então, lhe escrevo essa carta. Ela não me isenta da responsabilidade de caminhar contigo de perto. Mas ela afirma compreensões importantes sobre o cargo, o movimento e principalmente sobre o Evangelho. 

                “UHH, O presidente!”. Há uma construção histórica, política e social que sugere o cargo como mais importante do que todos os outros cargos e pessoas, mas você sabe que não é assim. As pessoas esperarão muito de você e tenderão a te tratar como se você fosse mais importante que elas. Elas esperarão inclusive uma palavra autoritária ás vezes, mas no Reino a lógica é outra. Atente-se a vigiar seu coração contra qualquer lógica de poder e domínio sobre o outro. As palavras são duras mas a vivência é sutil. O poder humano, em ilusão, te atrai a afirmar-se e impor-se sobre o outro, quando em Cristo só nos afirmamos Nele mesmo, em sua vida, amor e serviço. E não se engane em pensar que tal ilusão é restrita a grandes poderosos, ricos e políticos... Não, ela está aqui, bem quietinha, tomando voz na impaciência, na discordância, nos próprios interesses. Por isso, cuidado! Lembre-se que um espírito manso e humilde é de grande valor diante de Deus (1 Pedro 3:4).

                Não se surpreenda, pois muitas vezes vai (re)descobrir que o seu trabalho é cuidar de pessoas. O presidente, quem diria? Sim, o cuidador. Muitas vezes durante as reuniões de GB, especialmente nos momentos de discordância quanto a decisões, me parecia que as coisas aconteciam em câmera lenta, enquanto Deus me lembrava que minha função “é sobre pessoas”, “é sobre cuidar de pessoas”. Isso direcionou meu coração para uma palavra de calmaria quando todos estavam nervosos, ou para uma cuidadosa repreensão quando todos estavam irritados uns com os outros. Não que eu não estivesse também nervosa, mas é preciso aprender a ser firme sem ferir. Mansidão e domínio próprio são frutos do Espírito de Deus em nós, formados nesses momentos de convívio (observe que os frutos do Espírito são direcionados a uma vivência em comunidade que nos afirme Corpo de Cristo e que nos afirme Filhos de Deus, pois todo filho é parecido com seu pai).

                Você já deve imaginar que a tarefa de cuidador vem acompanhada de uma disposição ao outro abrindo mão de seus próprios confortos. Talvez você tenha que estar de pé servindo quando todos estão sentados. Talvez você tenha que passar mais tempo ouvindo um choro quando todos estão lá fora jogando Blitz. Talvez você tenha que permanecer calmo em situações de afronta e reafirmar um amor que se alegra com a verdade quando todos já estão exaltados. Talvez você tenha que se lembrar dos detalhes quando todos já estão distraídos com suas ocupações. Liderança Bíblica é um passarinho cujas asas são o serviço; qualquer outra combinação da carne – orgulho, soberba, preguiça – é passarinho engaiolado. Aspire essa liberdade. Descontrua em si toda a “importância” desse cargo. Mais do que importante, queira ser relevante.

                Preze por uma hierarquia horizontal na diretoria: todos iguais, funções diferentes. Por isso, preze primeiramente pela autonomia e participação de todos os participantes ativos nos GBs e núcleos de EBI no andamento da missão estudantil – envolva pessoas e conte com elas, isso é parte da formação de novos líderes, bem como parte do “enfrentamento” de que todo o trabalho fique sobre os ombros da diretoria. Será preciso lembrar a si mesmo e a diretoria sobre o caráter servo do cargo, novamente, mais focado em cuidar de pessoas do que administrar as próprias funções. Dedique-se aos outros diretores e não dispense o cuidado de um tempo de qualidade em grupo, só vocês. Também não os deixe se perderem no ativismo e nem se perca você, meu amigo. Pois virão dias de corpo cansado, de sobrecarga, de decisões importantes, de falhas e broncas – sem falar nas provas, aulas e demandas da própria Universidade. Caminhe com o Pai, alegre-se sempre (Filipenses 4:4) e não ande inquieto (Filipenses 4:6). De fato, a paz de Deus guardará sua mente e coração em Cristo (Filipenses 4:7).

                Lembre-se também que os ideais de fracasso e sucesso que nossa cultura tanto valoriza não são nosso objetivo. Na verdade tais ideais não são nada diante da Glória de Deus. Por isso, não cobre a diretoria nem o grupo local tendo em vista esses ideais, mas incentive-os a conhecer a Deus, e a glorifica-lo. Incentive-os a caminhar de perto com outras pessoas e assim compartilhar o Evangelho. Esse é o nosso compromisso, esse é o alvo do nosso trabalho! Pensando nesse nosso compromisso, quero te incentivar ao maior de todos os trabalhos e compromissos: a oração. A missão caminha de joelhos, sim. Muitas preocupações vão rondar seu coração: a renovação de liderança, a formação de pessoas, os eventos locais, a ida a eventos regionais, os núcleos de EBI... você sabe, muita coisa mesmo! Mas é fundamental que você reconheça não a força do seu braço ou da sua capacidade, mas a sua dependência de Deus. Muitos já consideram esse assunto como “papo de criança”, pois já somos grandinhos demais para isso. Mas é fundamental reconhecer-se dependente: pequeno, fraco, filho! Rompa com a podridão da independência. Deixe de caminhar de pé, caminhe de joelhos.  

 

                E a você, meu amigo, espero sinceramente que não seja o melhor dos presidentes. Não faça história, nem queira ser o gestor de eloquência e sucesso, o super-herói imbatível e inacessível – esse tanto de coisa é pouco demais. Eu espero mesmo, de coração e em oração, que o Senhor te faça semelhança de Cristo. Humilde, bondoso e paciente. Calmo, sereno e tranquilo! Eu logo me despeço do grupo e também de você. Ficará parte do meu coração pra trás, eu sei. Mas o tempo voa e logo será sua hora de ir também. Espero que seu zelo pela missão estudantil continue, e por isso te digo: não vá embora da ABUB, a missão continua! Encontre seus meios de apoiá-la! Você sabe o quanto um contato, uma ajuda e um auxílio podem fazer a diferença no nosso grupo, e por isso te encorajo! Sei que chega o tempo em que saímos da missão estudantil, mas ela não sairá de nós. Seguimos juntos na mesma fé, no mesmo amor, juntos na mente e coração. 

Autor: Anônimo 

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