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Campanha de Oração NE - E viu Deus que era bom: a contemplação e a oração.

A vida pode ser muito corriqueira se vivermos de acordo, tão somente, com a nossa rotina. Vamos para faculdade, para o trabalho, igreja, saída com os amigos e tantos outros compromissos que nos colocamos. Sabiamente, e antes que houvesse mercado, carteira assinada e universidades, Deus instituiu um dia de descanso, de contemplação do que foi feito, dia em que o mesmo olhou para suas obras e se agradou. 

O dia do descanso, o shabbat, é um momento muito educativo e de memória que Deus instituiu para conosco, é como se diante do labor, fosse necessário um dia para refletir sobre o que temos feito, recentralizar a vida e nossas atitudes. E isso tem muita relação sobre como respeitamos a criação, a vida, a nós e aos outros, como imagem e semelhança do Criador.

Os tantos desastres naturais, de lixo nas praias, esgotos abertos em bairros pobres e inúmeras situações que poderiam ser relatadas aqui, não transmitem respeito e zelo pela criação e  nem pelo Criador. Pode parecer óbvio trazer esse tipo de pensamento, de como o desenrolar de um desenvolvimento não reflexivo e impulsionado pela ordem capitalista envolve uma destruição do natural e da vida. E nossas práticas de fé, como respondem a esse tipo de percurso? Será que temos nos inserido dentro dessa lógica, sem parar e refletir, sem utilizar do descanso como momento de recentralizar nossas práticas? 

Paulo na carta aos Romanos, trouxe no capítulo 12 a importância de não nos moldarmos ao padrão deste século/mundo. O que por muitas vezes é abordado em um sentido de comportamento moral e de distanciamento das pessoas não-cristãs, mas trazendo esse texto para essa discussão presente: Será que temos nos moldado ao “padrão do mundo”, através de um consumo irresponsável, do uso excessivo de plásticos, do descarte errado dos lixos, da falta de compromisso com reciclagem e reutilização? Quais dessas práticas estão inseridas dentro da nossa rotina de fé? Tanto na esfera pessoal, quanto na esfera pública e dentro de nossas igrejas? 

Quando no sétimo dia, Deus observa sua criação e diz que é bom, é muito significativo que sua contemplação ocorra sempre ao final do trabalho, ao final dos dias, ao completar toda criação e ver tudo e ressaltar sua beleza. A contemplação e a reflexão não ocorrem dentro de uma lógica desenfreada e de ritmo acelerado, ocorrem no silêncio, e na oração. 

Orar sobre o descaso comum que há sobre a natureza, exige reflexão sobre as nossas ações para com o próximo e com o nosso meio. Tiago foi muito perspicaz em falar sobre como a fé sem obras é morta, e trago um chamamento para todos nós a respeito da nossa prática de fé e o distanciamento do compromisso com a vida nas esferas de responsabilidade com a natureza. Será que temos sido responsáveis, ou temos nos ausentado da discussão? Como podemos requerer que empresas e instituições públicas assumam  compromissos de responsabilidade, se nós que temos um Deus que respeitou sua criação e a contemplou, não o fazemos? 

Que possamos parar e recentralizar nossas práticas, observar como Deus contemplou para podermos contemplar, que a partir da oração, possamos ser mais responsáveis pelo o que o Criador, com tanto gosto, nos reafirmou tantas vezes que era bom. 

Nayara Melo - ABU Recife

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