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Campanha de Oração NE: o que pensa o cristão sobre os direitos humanos?

O objetivo desse texto é demonstrar, de forma sucinta, a influência do cristianismo sobre a formação do conceito de dignidade humana e a compatibilidade pragmática dessa noção na defesa dos Direitos Humanos.

Sabe-se que a positivação jurídica da noção de dignidade humana é recente na história. A discussão dessa temática acentuou-se, sobretudo, após as barbáries verificadas na segunda guerra mundial diante de todas as atrocidades ocorridas na Alemanha nazista de Hitler, mas também nos gulags; nos paredões comunistas, na escravização dos seres humanos etc. Mesmo diante da verificação de tantas violações a dignidade humana, é no cenário pós segunda guerra mundial que a comunidade internacional se reuniu e desenvolveu a Declaração Universal dos Direitos Humanos que em seu preâmbulo reconheceu a dignidade como sendo inerente a todos os membros da família humana e seus direitos inalienáveis, como por exemplo, à vida. A Dignidade Humana é o núcleo essencial para a defesa dos direitos humanos!

Diante do que foi dito anteriormente, pode-se acrescentar que a noção de dignidade humana deve muito à doutrina cristã, já que foi a partir desta doutrina que se entendeu o homem (ser humano) como sendo criado à imagem e semelhança de Deus e que, portanto, tem valor especial. Tobeñas (1969, p.4, citado por MORGADO, 2010), preleciona que foi o Cristianismo que, desde seus primeiros momentos, afirmou o indivíduo como um valor absoluto, exaltando o sentimento de dignidade da pessoa humana e proclamando uma organização da sociedade que viesse a permitir o total desenvolvimento de sua personalidade, sem prejuízo para o bem comum, ao revés, colaborando para desfrutar deste. 

O próprio Jesus Cristo, figura central do cristianismo, não só afirmou que devemos fazer aos outros o mesmo que gostaríamos que eles fizessem a nós (Mt. 7:12), mas também mandou que amassemos nossos inimigos (Mt5:44). Essas são claras expressões de fraternidade e solidariedade, ligadas diretamente a noção de dignidade. O cristianismo realçou uma nova visão do homem que até então era pouco percebida: a da pessoa humana. De acordo com Morgado (2012):

“Jesus não apenas ensinou ou teorizou acerca da dignidade, ele a vivenciou em sua experiência humana prática e diária. Jesus Cristo tratou indistinta e dignamente todas as categorias de pessoas com quem conviveu: homens, mulheres e crianças; pobres ou ricos; nacionais (judeus) ou estrangeiros (ver exemplos das mulheres gentias, samaritana (Lc. 4,1-42) e siro-fenícia (Mat. 15,21-28)); prestou assistência espiritual, moral e até material, aos pobres e doentes (Mat. 15:30; Jo 9,1-41, Lc.5,1-26); aos leprosos (Mat. 8,1-3); às pessoas marginalizadas como por exemplo: coletores de impostos (Lc. 5,27-39; 19,1-10); uma prostituta (Lc. 7,36-50) e uma mulher flagrada em adultério (Jo 8,1-11), entre outras.”

A revelação escrita (bíblia) e a história comprova que a mentalidade cristã sempre esteve atrelada a uma visão real de dignidade humana: (1) Gregório, bispo de Nissa, no ano de 370 d.C lutou contra escravidão; (2) Martinho Lutero foi um dos grandes defensores da educação pública no período em que houve a reforma protestante e, por último, (3) tem-se Martin Luther King, um pastor protestante que lutou contra o racismo nos Estados Unidos no século XX.

Em conclusão, pode-se retornar ao título e tentar respondê-lo. O que pensa o Cristão sobre os direitos humanos? O verdadeiro Cristão, aquele que assimilou as mensagens de amor ditas, pregadas e vividas por Jesus e, que também assimilou a doutrina cristã apresentada na revelação escrita (Bíblia), entende de maneira convicta que todo ser humano possui dignidade e, portanto, direitos humanos ou fundamentais, que são garantias jurídicas assimiladas nos ordenamentos jurídicos para fazer valer a igualdade de tratamento e a liberdade para todos.

O cristão que defende os direitos humanos, no final das contas, defende o próprio Cristo em essência. Peço que reflitam no texto que acabaram de ler e, no versículo abaixo. 

 “Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. "Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar? ’ "O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’. (Mateus 25:35-40/NVI).

 

Após a reflexão orem por esses pontos abaixo:
•Pelos líderes nacionais e internacionais tomem medidas justas que preservem a vida, seja no contexto que for.
•Pela humanidade: que aprendam a amar o próximo de maneira pragmática.
•Pelos cristãos: que a verdade do evangelho os torne exemplos e luz na escuridão.

REFERÊCIAS
As versões bíblicas utilizadas para consulta durante a escrita do texto foram a Almeida Revista e Atualizada (ARA) e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH).
MORGADO, Gerson Marcos. A importância do cristianismo para a concepção da dignidade da pessoa humana e para a universalização de sua consciência. Jus, 2013. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/26022/a-importancia-do-cristianismo-para-a-co.... Acesso: 24 de Maio de 2020.
TOBEÑAS, Juan Castan. Los Derechos del Hombre. Madrid: Editora Reus, 1969

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