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Campanha de Oração NE: DEUS, ESTOU AQUI! Mas como estar perto se estou longe?!

 

“Senhor meu Deus! Quantas maravilhas tens feito! Não se pode relatar os planos que preparaste para nós!” (Sl 40:5a). Nos últimos meses, tenho lido os Salmos, e a sinceridade dos salmistas em mostrar os seus sentimentos e levá-los a Deus, reafirmando o seu compromisso com Ele, tem sido ao mesmo tempo que inspiradores, desafiadores. Em especial, o Salmo 40 traz declarações bastante fortes desse compromisso. Ao experimentar a ação de Deus em sua vida, lhe conferindo esperança e confiança, e em seguida, ao compreender a graça de Deus, em não exigir ofertas mas em abrir os seus ouvidos, o salmista se coloca disposto, disponível a fazer a vontade de Deus, ao declarar no v.7: “Então eu disse: Aqui estou! No livro está escrito a meu respeito.” (NVI). É uma decisão difícil, mas que lhe traz alegria (v. 8), e o impulsiona a proclamar as boas novas de justiça (v. 9) e a falar da fidelidade e da verdade de Deus (v. 10).

Neste mês celebramos junto a IFES o Dia Mundial do Estudante, com o tema “Perto e longe”, no qual relembramos o ambiente que vivemos ou que já vivenciamos, buscando uma nova esperança na caminhada. Porém, além do desafio de refletir sobre nós como estudantes e sobre o ambiente estudantil, neste período precisamos ainda nos perguntar: Como ser estudante em um modelo de ensino tão diferente (seja remoto, semi-presencial, ou até não acontecendo)? Como participar do ambiente estudantil longe de nossa instituição e dos outros estudantes? Como seguir o lema “estudante alcançando estudante” se não encontramos pessoas nos corredores? Enfim, como estar perto estando longe? 

Na minha percepção, esse não é um mero momento de barreiras e impasses: Deus está nos oferecendo várias oportunidades, que só são possíveis neste período único que vivemos. Provavelmente muitas das coisas que fazemos hoje já com uma certa naturalidade, como criar reuniões no Google Meet ou organizar eventos virtuais, talvez nos parecessem impossíveis alguns meses atrás. Mas aprendemos, não é? Ou melhor, continuamos aprendendo e descobrindo novas habilidades. Imaginar o quanto ainda iremos aprender com as novas tecnologias parece ser bastante fascinante. 

Mais do que isso, estamos vivenciando formas novas de ensino e de aprendizagem, que com perdas e ganhos, nos permitem seguir valorizando a educação nas escolas e nas universidades. A ABUB, por exemplo, é um movimento que em sua essência depende do ambiente estudantil, pois como muitas outras instituições e pessoas, entende o espaço estudantil como um espaço transformador. Em um período em que o conhecimento é massificado e a informação é descentralizada, e, em que o propósito e a importância das escolas e das universidades têm sido questionados, como estudantes e cristãos, nós devemos prezar pela educação e ser um veículo de conteúdo relevante e comprometido com a verdade. Devemos questionar e construir conhecimento, não apenas recebê-lo passivamente. E, portanto, devemos usar nossos talentos e nosso potencial cognitivo com uma postura ativa quanto a educação, a ciência e a proclamação do Evangelho. Como está escrito no Salmo 78: “Povo meu, escute o meu ensino; o que ouvimos e aprendemos, o que nossos pais nos contaram. Não os esconderemos dos nossos filhos; contaremos à próxima geração os louváveis feitos do Senhor, o seu poder e as maravilhas que fez.” (v. 1a, 3-4, NVI).

Por fim, estamos aprendendo muito sobre nós mesmos e sobre nossas capacidades pessoais, nossa habilidade criativa e o quanto conseguimos aguentar situações que não imaginávamos que conseguiríamos. Portanto, esta é uma oportunidade de aprendizado. Uma oportunidade em que devamos dizer a Deus: “Aqui estou!”, e seguir em ação e em oração. 

O apóstolo Paulo passou por alguns momentos de isolamento social em sua vida, quando estava na prisão. Com base em Daniel Nakano, membro da Igreja Metodista Livre da Saúde (IMeL Saúde/São Paulo), que compartilhou uma mensagem pastoral* à sua igreja, muitas reações poderiam vir a Paulo diante desse contexto (e com justificativa!): frustração, indignação, solidão, ansiedade, desânimo, depressão. Muitos de nós provavelmente nos identificamos com várias destas reações e sentimentos, diante desafios que temos passado quanto à saúde física e mental, ao sustento financeiro, à estabilidade familiar, à rotina de estudos, ao ambiente de trabalho, que vão muito além do nosso controle.

Todavia, na sua carta a Filemom, Paulo demonstra buscar atitudes diferentes, que provavelmente o ajudam a arrodear a tristeza e a frustração. Ele constantemente procura se conectar com seus amigos, permanecer em oração e em intercessão, e reanimar-se pelo que Cristo tem trazido de bom. Ele não se cansa de dar atenção a seu amigo, mas de também aconselhá-lo a dar atenção às pessoas que estavam ao seu redor. Esta carta, provavelmente uma das mais pessoais que Paulo escreveu, mostra um relacionamento fundado pela comunhão e amor em Cristo. 

Ao nosso redor, sabemos que muitos outros também estão precisando de ajuda, de atenção, palavras de ânimo e de oração uns pelos outros. O dar atenção muitas vezes significa ser um ouvido amigo, e estar em comunhão de maneira a manifestar o amor de Cristo também significa ser um companheiro na oração. Portanto, este momento também nos oferece uma oportunidade de comunhão e de intercessão, em que podemos dizer ou ouvir o mesmo que Paulo disse a Filemom: “Seu amor, meu irmão, tem me dado muita alegria e conforto, pois sua bondade tem revigorado o coração do povo santo.” (Fm, 1:7, NVT).

Ademais, esta também é uma oportunidade de amadurecimento. Paulo revela também um espírito maduro em reconhecer a ação de Deus diante das adversidades. Mesmo sem saber como a situação iria se desenrolar, ele buscou se atentar às escrituras e a confiar plenamente que Deus cuidava dele e do futuro, se colocando obediente e de alerta para agir, em outras palavras, para ser um instrumento de Deus. 

Da mesma forma, encontramos no Salmo 40 o poeta disposto em fazer a vontade de Deus, apesar de estar em alguns momentos abatido ou com muitos problemas. Ele constantemente agradece por todas as maravilhas que Deus traz, sem deixar de rogar pela ação divina na sua vida e através da sua vida, independente do contexto exterior e do futuro desconhecido.

Certamente o ambiente estudantil e a vida dos estudantes têm sofrido mudanças que causarão impactos imprevisíveis no ensino e na sociedade. Da mesma maneira, o nosso contexto de missão também tem mudado, e precisamos estar atentos a participar deste mundo que já não é mais o mesmo. Assim, é importante termos uma postura madura diante do nosso contexto, com perspectiva no futuro, e não apenas esperar para “voltarmos ao normal”. Ter uma postura madura é confiar completamente na ação poderosa de Deus, na sua perfeita vontade, que está muito além de nós. E é também reconhecer nossas fragilidades e nossa imperfeição sem que elas sejam limitantes para pedir o auxílio de Deus e para sermos meio de ação da sua vontade. 

Quando eu estava iniciando minha caminhada na fé, muito impactada pela graça de Deus, desejava levar o Evangelho para minha escola, mas não sabia como começar, “eu queria proclamá-los e anunciá-los, mas são por demais numerosos!” (Sl 40:5b). Passei cerca de um ano e meio pensando e orando sobre isso enquanto Deus ia me formando, me dando oportunidades de fazer viagens, construir amizades e estudar a sua Palavra, principalmente através da ABS. Mas foi após eu me colocar à disposição diante de Deus que Ele me levou a agir concretamente. Lembro-me bem de um silêncio reflexivo do CF 2016 em Aracaju, que orei a Deus dizendo-o “Estou aqui! Faça a sua vontade em mim.”, e quando retornei para casa, ainda naquele mês iniciei um grupo de estudo bíblico na minha escola. 

Da mesma forma, como você e seus colegas poderiam pensar em iniciar ou continuar um grupo em seu ambiente estudantil hoje?

Não é possível que Deus use nossas vidas se não nos colocamos à disposição para que Ele nos molde e para ouvir a Sua voz. Quando olho exclusivamente para minha condição individual e para meus problemas, perco a oportunidade de ver a perspectiva de Deus e de ser um agente de sua vontade, assim como no v. 12 do Salmo 40: “Pois incontáveis problemas me cercam, as minhas culpas me alcançaram e já não consigo ver.”. De ser impactada pelo Evangelho para impactar os ambientes - universidade, família, sociedade, igreja - em que convivo. Concluindo, Deus nos chama para termos uma postura ativa, e não omissa, para propagar o Evangelho com amor e para sermos agentes de reconciliação. 

“Quanto a mim, sou pobre e necessitado, mas o Senhor preocupa-se comigo. Tu és o meu socorro e o meu libertador; meu Deus, não te demores!” (Sl 40:17)

 

Ore (sozinho ou com seu grupo de ABS, ABU e ABP):

  • Ore pelos desafios na educação pública e privada do Brasil, como uma oportunidade de aprendizado;
  • Ore pelos que estão precisando de ajuda e se ofereça em apoio, como uma oportunidade de intercessão;
  • Ore para que seja um agente de ação e reconciliação na sociedade, como uma oportunidade de amadurecimento.

 

*Para assistir a mensagem acesse o link aqui.