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"Quando o tempo for propício..."

Um tempo para reflexão sobre esse ingrato e fugaz elemento das nossas vidas

"Tô sem tempo", "quando eu arranjar tempo", "tenho que ver meu tempo", é difícil achar alguém que nunca tenha ouvido alguma dessas frases. Na verdade, difícil é encontrar alguém que nunca tenha falado algum desses dizeres. Parece que as vinte e quatro horas diárias são encurtadas diariamente. Apenas vinte e quatro horas por dia? Isso é tão pouco. Precisaríamos de pelo menos trinta horas por dia para desempenharmos todas as nossas atividades. Não é verdade? Mas será mesmo que é a quantidade de horas o maior responsável pelo nosso "insucesso" em "cumprir a agenda"? Ou ainda, será que nosso tempo e o "sucesso" de "administrá-lo" devem ser medidos a partir da quantidade de atividades que conseguimos realizar? Como tirar o tempo do papel de vilão e torná-lo um amigo simpático? Porém, antes de conversarmos sobre tempo, vamos falar sobre sociedade.

Vivemos em um meio em que somos alvo das mais diversas expectativas: ter um curso superior, participar de um projeto/grupo de pesquisa, fazer uma pós-graduação, ser fluente em Língua Inglesa, se envolver com as atividades da igreja, ter um tempo a sós com Deus, trabalhar ou estagiar, estar por dentro do cenário político nacional/mundial, utilizar as mais diversas redes sociais, acompanhar as séries e filmes de maior sucesso... é realmente bastante coisa. Claro que não precisamos (e nem devemos) satisfazer a tudo isso, mas muitas vezes isso parece não ser uma opção. Além disso, essas expectativas não se configuram como coisas que devem ser feitas ao fim dos quarenta ou quando for possível. Há praticamente um prazo de validade para cada um desses objetivos: falar bem em Inglês aos 17, ter uma graduação aos 22, estar bem empregado aos 25... ufa! Acho que precisamos refletir sobre isso.

Como foi dito, parece impraticável dizermos "não" há boa parte dessas coisas, e já me adianto ao dizer que esse artigo não se propõe a dizer qual dessas áreas você deve escolher privilegiar e qual deve preterir. Isso deve vir de uma reflexão pessoal (algo que você deve tirar um tempo para fazer). Considere todas as expectativas que são lançadas sobre você, desde acompanhar diversos seriados (algo que nos atinge de maneira sorrateira na maior parte das vezes), passando pelas suas atividades na igreja e até as atividades acadêmicas (muitas vezes sendo cobrados a terminar laureados e com nota máxima, deixando até de ter as vivências e discussões que só encontramos na universidade). Aliás, vê como estamos discutindo sobre o tempo a partir das nossas atividades? Isso pode nos levar a deixarmos as coisas importantes para buscarmos aquelas que são urgentes. Quantas vezes não deixamos de ter nosso momento pessoal com Deus por causa de uma atividade do curso, ou não visitamos um amigo que está passando por uma situação difícil porque tínhamos duas horas de aula naquele dia, ou deixamos de fazer qualquer outra coisa importante para realizarmos uma atividade que era apenas... urgente.

Apesar de todas essas situações dadas há pouco, é necessário notar que cada um possui um "dilema" pessoal com o tempo. Alguns não conseguem dizer "não" há qualquer pedido que seja feito, o que o deixa "cheio de coisas pequenas", que acabam por tomar boa parte do seu dia. Outros não conseguem utilizar bem seu tempo livre (tempo esse que é muito importante, mas que costuma ser negligenciado ou mal administrado), o que acaba tomando um tempo enorme e o levando a fazer tudo mal feito e em cima da hora. E ainda há os que têm dificuldades práticas do dia a dia, como tempo de locomoção ao trabalho ou universidade, necessidade de trabalhar o dia inteiro e estudar, entre outros. Por isso, cada um deve entender o seu próprio uso do tempo. Não será esse texto que irá dizer como você deverá dividir seus horários ou coisa do tipo, mas sim a reflexão através da sabedoria dada por Deus (Tg 1.5) a respeito de atividades, objetivos de vida, coisas das quais devemos nos abster... é fácil culpar o tempo pelo mau uso que nós fazemos dele.

Devemos estar dispostos a por as pessoas em primeiro lugar, e não as atividades. Tempo livre é não apenas importante, mas essencial, quando bem dosado. Saiba dizer não ao pedido de alguém, principalmente quando essa atividade pude ser desempenhada por outra pessoa. Tenha tempo para si, para ir à praia, para ler um livro, para sair com os amigos, para brincar com o cachorro, para tocar violão, para fazer uma pintura, para ver o céu. Agora reflita. 

 

Thiago Felinto, ABU João Pessoa

1 Comentário

Elogio

Belo texto para a nossa reflexão. O que é mais fácil dizer tempo é ouro ou ouro é tempo? rsss Que possamos aproveitar bem nosso tempo, pois como diazia Cazuza: o tempo não para.

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