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Mais braços para a obra

Assessores auxiliares fortalecem a missão no Norte do Brasil

"Está dando muito trabalho", conta Consuelo Oliveira, assessora da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB) na região Norte. "Mas é um investimento porque vai durar muito tempo." Este "investimento" ao qual ela se refere são os assessores auxiliares, profissionais que participaram como estudantes da nossa missão e hoje acompanham e ajudam voluntariamente os grupos locais da região. Quando ela começou a trabalhar como assessora de tempo integral no Norte, em 2014, havia apenas voluntários informais, que apoiavam mas não prestavam relatórios. "Foram necessários, úteis e ajudaram demais", destaca. Entretanto, a falta de formalização fazia com que a presença não fosse constante.

Um ano depois, em meio a uma troca de e-mails, Consuelo teve a percepção que era necessário oficializar até para que ela pudesse acompanhá-los melhor. E então começou a trabalheira, que é recompensadora. "Eu falo para eles: 'Hoje vocês estão ajudando a obreira Consuelo, mas isso é para vocês auxiliarem a/o obreira/o do Norte, não importa quem seja. Quero que se mantenham firmes para ajudar quem estiver aqui'. É um trabalho de base."

O investimento começou com um levantamento de nomes e o contato pessoal. Consuelo observou o envolvimento das pessoas com a igreja, conversou com elas e deixou Deus guiar. "Foi um processo [de mapeamento e convites] que começou em 2015 e culminou no Conselho Diretor de janeiro deste ano.", explica.

"Conversei pessoa por pessoa, valorizando o que fizeram e convidando-os para que continuassem ajudando [a ABUB na região Norte]. (...) Falo das dificuldades de trabalho na região, que seria necessário ter assessor auxiliar. E faço a pergunta: 'Você já pensou nisso?' E [depois] entro na parte de formalização etc. Já falo também para pensarem em outros para dividir com eles a tarefa. Por exemplo, Tucuruí (PA) tem dois. Um cuida do grupo através da diretoria local e o outro faz mais aconselhamento. Assim não sobrecarrega."

O acompanhamento com os assessores auxiliares também garante que continuem com a visão da missão e sem pesar demais. Na próxima conversa, Consuelo conta que vão discutir o capítulo 6 do livro Vença a Fadiga Espiritual, de Paul Borthwick (ABU Editora).

A assessoria auxiliar foi desenvolvida pelo primeiro secretário executivo da ABUB, Wayne Bragg, no final dos anos 60. Um dos motivos da criação do cargo de apoio voluntário foi a existência de poucos obreiros contratados, a imensidão do Brasil e a dificuldade de vencer a distância da comunicação. Hoje em dia, Consuelo, por exemplo, dribla o tamanho (e os preços caríssimos dos voos regionais) com constantes reuniões via Skype, mas a comunicação online não substitui a presença física, e ela continua sendo apenas uma obreira para sete estados - e aí que entram os assessores auxiliares espalhados

Dos que aceitaram o convite, sete já estão formalizados, mas a equipe total é de dez: Américo Lamas de Menezes, para apoiar os grupos locais em Belém (PA); Eduardo Paegle e Gileade Natã Ramires Franco, para Boa Vista (RR); Priscila Pinho, para Manaus e Itacoatiara (AM); Térlys Araújo Silva, para Tucuruí e Belém (PA); e Vinícius Mata, para Teresina e São Luís (MA).

Para Andressa Souza (Tucuruí e Belém, PA), Fernando César Cardoso (Araguaína, TO, e Imperatriz, MA) e Sâmila Ranielle (Araguaína, TO, e Imperatriz, MA) falta apenas parte da documentação, mas a situação dos correios no Norte do Brasil faz com que demore bastante - só mais um dos detalhes que complica a missão nesta região. Há quase um mês, por exemplo, Consuelo está esperando um livro chegar de São Luís (MA).

A região Norte da ABUB abrange os estados do Amazonas, Roraima, Pará, Amapá, Tocantins, Maranhão e Piauí - Consuelo mora em Manaus (AM). Outros estados da divisão geográfica geralmente conhecida por Norte, como Acre e Rondônia, estão na região Centro-Oeste da ABUB, de forma a facilitar os deslocamentos, entre outras coisas. Extensa e de difícil circulação, são diversas as dificuldades na região que fazem do trabalho voluntário uma "solução", ainda que limitada, para os desafios:

"Eu preciso fortalecer o Norte com assessoria auxiliar principalmente porque é muito grande isso aqui, é uma coisa louca. Se não tiver assessores auxiliares, independente de quantos obreiros [trabalhando em tempo integral], não conseguimos fazer as coisas. E eles têm ajudado demais, muito mesmo."

Priscila Pinho, que participou da ABU Manaus (AM) [foto acima] quando estudava administração na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) entre 2012 e 2015, é uma das novas assessoras auxiliares. Para ela, o sentimento ao aceitar o cargo é de "amor e gratidão". "A ABU foi muito importante na minha vida quando fui universitária. Um estudante me disse: 'Não é todo estudante que vai à igreja, mas todo estudante vai à escola e universidade'. Isso mostra o quanto a ABU tem um papel importante na missão estudantil [por estar dentro destes espaços] e o quanto ela pode somar esforços às igrejas", ressalta Priscila.

Como voluntária, ela está acompanhando os jovens universitários, transmitindo suas experiências e compartilhando com eles a fé em Cristo. "São oportunidades de exercitarmos o nosso dever como cristãos", ela conta.

Quando iniciou o cargo, Bragg convidou profissionais liberais e professores universitários, como Daison Olsany Silva, da Universidade Federal de Viçosa (MG), e Descartes Teixeira, do Instituto Técnico de Aeronáutica de São José dos Campos (SP) em 1968. A ideia era que pudessem não só dar apoio e colaborarem na transmissão da visão da obra, mas também abrirem suas casas para receberem os estudantes.

O perfil de hoje em dia é mais amplo, assim como o trabalho. Elenilson, por exemplo, será responsável por mapear a Aliança Bíblica de Secundaristas na região, suas possibilidades futuras e dificuldades, e fará isso a distância. Consuelo também está dividindo algumas tarefas entre os voluntários e, além disso, a região recentemente aplicou a segmentação em microrregiões. Com isso, os assessores auxiliares também conseguem concentrar em uma área menor, fortalecendo a missão local, sem deixar de manter o norte unido.

As novas configurações visam transformar as características da missão estudantil na região e consolidar o trabalho. "Nós só vamos poder mudar a situação de distâncias, de desafios enormes que temos de logística, valores financeiros, se nos unirmos e nos fortalecermos, em Cristo, em primeiro lugar, e depois com pessoas também", compartilha Consuelo. Durante uma dinâmica no Conselho Regional, ela mostrou aos estudantes que os assessores auxiliares seriam mais "braços" para o trabalho e as microrregiões aproximariam mais ainda o Norte. E assim surgiu o novo slogan da região: "Somos fortes, podemos mudar o Norte!" E podem!

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