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Novo programa de mentoria treina 52 líderes

Formato busca capacitar abeuenses a engajarem-se com a universidade

“Algo que foi falado no primeiro encontro ficou marcado em meu coração: que nós não levamos Deus para a universidade, ele é quem vai a nossa frente e nos leva até lá.” A lição que Brendha Oliveira, estudante de medicina da ABU Montes Claros (MG), compartilha conosco é o resultado do primeiro encontro que ela teve com seu grupo do Programa de Mentoria de Lideranças da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB). O novo projeto é uma ação para formar líderes estudantis que atuem na missão com o foco na temática de engajamento com a universidade. “Não somos chamados a desprezar a cultura universitária ou o mundo ao nosso redor”, comenta Brendha, “nem para assimilá-lo por completo. [Mas para,] através de Cristo em nossas vidas, sermos luz e sal. Somos chamados a nos engajar com a universidade porque o Senhor nos levou lá e este é o nosso campo missionário.”

Brendha faz parte dos 52 estudantes de todo o Brasil que foram selecionados internamente no início deste ano para participar do Programa de Mentoria de Lideranças. Os participantes representam 50 grupos locais diferentes e foram divididos em nove grupos com mais ou menos cinco participantes e um obreiro que os acompanha como mentor. Estes grupos se reúnem quinzenalmente para dialogar sobre o que chamamos engajamento com a universidade (engaging the university, na definição da nossa comunidade internacional, a IFES).

Além do que a estudante citou, Heitor Barboza, assessor da região Minas Gerais e um dos idealizadores do programa, nos explica o que seria esta expressão:

“No nosso contexto de uma comunidade de estudantes cristãos que se propõe a ter uma vivência missionária na universidade, esse tema nasce da certeza de que Cristo é o Senhor sobre tudo, inclusive sobre a universidade e todos os seus espaços, relações e agentes. O engajamento com a universidade é uma vivência comprometida com todos esses espaços, seja de pesquisa, de ensino, de serviço, de relações interpessoais, de militância, de pensamento político. Também engajado com todos os agentes, como professores, funcionários, estudantes e pesquisadores.”

Para levantar essa temática, alguns obreiros fazem a curadoria de textos, vídeos e materiais que precisam ser acessados pelos participantes antes da reunião, quando juntos discutem esse conteúdo e refletem sobre sua missão local. Serão até seis encontros online divididos em quatro meses, de março a junho de 2021 – já aconteceu a primeira e esta é a segunda semana de conversas.

Rui Lima, assessor da região Norte e um dos nove mentores, conta como foi o primeiro momento com seu grupo: “Conversamos a respeito do material indicado no programa e busquei tirar dúvidas, dialogar sobre os temas que giram em torno da evangelização, do discipulado e do serviço na universidade de maneira aprofundada. Busquei, ainda, estimular a reflexão quanto ao contexto de cada um”.

Na primeira reunião, conta Brendha, “conversamos sobre a Teologia da Criação e a Teologia da Redenção e sobre como precisamos buscar ter equilíbrio na nossa fé, vivência, pregação do evangelho e engajamento relevante com a universidade. Também falamos sobre como precisamos estar atentos às necessidades de nossos colegas e ter disposição para servi-los e ajudá-los. Ter atitudes encarnadas de amor e não apenas sermos fiéis às ideias”.

Mesmo no começo, Rui identifica que a experiência já tem sido positiva. “Tem sido muito interessante ouvir sobre os diferentes contextos, as distintas caminhadas de fé e de estudos em cada um no nosso grupo”, partilha. “Cada encontro é uma oportunidade de compartilhar não somente textos e demais materiais, que são muito importantes, mas também histórias e ideias. Espero encorajar (e ser encorajado) a pensar a universidade não somente como um lugar de formação profissional, mas como um ambiente onde Deus já está agindo e somos levados até lá para fazer parte do que Deus tem feito.”

Ao fim do programa pretende-se desenvolver algum projeto prático. “A ideia é que os estudantes possam pensar em algo que relacione esse tema do engajamento com a universidade a uma aplicação em seu grupo local”, explica Heitor.

Distantes, porém engajados

A ideia do programa foi fruto de incômodos e reflexões sobre o longo período de isolamento que estamos vivendo desde março de 2020 e os impactos desse contexto na missão estudantil. Nosso último evento presencial foi em janeiro de 2020 e os estudantes estão sem frequentar os campi em todo este tempo.

“Entendemos que, ano passado e este ano, tivemos uma taxa de entrada na ABUB muito baixa em comparação com outros anos em decorrência da pandemia. Então pensamos que as lideranças mais jovens que podemos formar estão aí no seu terceiro ano [de graduação], pelo menos. Isso gera um problema para a missão estudantil, pois as lideranças mais antigas já vão se graduar e temos, assim, lideranças mais jovens que estão no meio do curso e não passaram por eventos de formação ou tiveram poucas oportunidades, especialmente presenciais. Então esse pessoal que ainda tem pelo menos um ou dois anos pela frente é o nosso alvo”, explica Heitor.

Para Rui, “um dos nossos desejos é auxiliar que estes estudantes possam ser multiplicadores do que temos aprendido e discutido. Que possam liderar reflexões acerca do tema do engajamento com a universidade. Quanto mais os estudantes missionários compreendem o contexto acadêmico e universitário em que vivem, melhor podem testemunhar de Cristo”.

O objetivo do Programa de Mentoria de Lideranças é, portanto, formar líderes para os grupos locais, abordar o tema de engajamento com a universidade e, a partir dos projetos práticos, levar essa temática para perto dos grupos. Tudo isso por meio de mentoria e discussão em comunidade.

Brendha conta que ficou muito feliz quando recebeu o convite para participar desta primeira edição do Programa de Mentoria de Líderes. “Entrei na faculdade há pouco tempo e muitas coisas são desafiantes. Mas participando do programa espero aprender como verdadeiramente posso ter um engajamento saudável com a universidade, bem como ser mais encorajada a compartilhar o evangelho com meus colegas e professores, e manifestar o Reino através de minha vida. Também espero poder contribuir com meus amigos do grupo local e incentivá-los cada vez mais na missão”, conta.

“Tenho aprendido coisas novas e sido desafiada a sair da minha zona de conforto, a me engajar com a universidade, a amar mais e a ter mais disposição para servir. Espero poder compartilhar com meu grupo e com a região o que tenho aprendido, e que cada um de nós possamos ser mais capacitados para a missão do Senhor na universidade.”

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