“Disseram um ao outro: ‘Não ardia o nosso coração quando ele falava conosco no caminho e nos explicava as Escrituras?’.” Lucas 24.32
Por Tiffany Guimarães
Participar do projeto Emaús (saiba mais aqui – inscrições apertas para o ano 4) em 2024 foi uma experiência diferente para mim. Normalmente a gente experiencia coisas bem legais e diferentes no contexto da ABUB quando estamos nos eventos de Treinamentos Locais, Microrregionais ou em Conselhos Diretores; mas o Emaús propõe ter momentos de reflexão, de contemplação e de confronto com nossas atitudes como cristãos acadêmicos enquanto estamos inseridos nesse ambiente do dia a dia.

É muito comum a gente se sentir capacitado durante um evento de cinco dias e depois, quando saímos “do monte”, não conseguimos colocar em prática tudo que vivemos. A beleza do projeto Emaús é nos instigar a subir ao monte enquanto vemos as grandes pedras no caminho e enquanto nos esforçamos para ver o que Deus quer de nós dentro do contexto acadêmico e científico.
As reflexões do livro usado no projeto nos ajudam a entender o movimento cristão acadêmico como algo que é muito maior do que nosso grupo local isolado na universidade, entendemos a ABUB como um movimento mundial e cheio de poder para transformação de vidas. Já as oficinas são muito legais para tocarmos nossa realidade e pensarmos, juntos, como podemos melhorar nossa interação com a nossa comunidade, seja pela nossa organização, pela comunicação clara e assertiva ou pela nossa forma de manejar os conflitos sempre lembrando o que nos é ensinado em Romanos 12:18.
Particularmente, o melhor momento do Emaús envolveu os momentos de reuniões de mentoria. A gente tinha um plano de estudo, estudos bíblicos indutivos (EBIs) sempre programados para serem discutidos, mas o especial vinha quando a gente conversava sobre os nossos dias, orávamos juntas sobre nossas lutas e conseguíamos ver Deus maravilhosamente guiando nossas conversas para os temas dos EBIs. Não era incomum a gente ver algo durante nossos devocionais ou nossas leituras isoladas e mandarmos alguma mensagem falando “olha, é exatamente o que tínhamos conversado aquele dia!”.
Correrias, pausas e o tempo de Deus no projeto Emaús
Gosto de pensar que a forma como o projeto Emaús me forçou a estabelecer um horário específico, desacelerar um pouco para poder conversar e refletir sobre meu modo de agir como cristã dentro da universidade foi um divisor de águas. Desacelerar é muito difícil, principalmente quando você acorda bem cedo para ir para a universidade, vê as aulas com o máximo de foco possível e saí correndo para as outras atividades do seu dia antes mesmo de poder desejar uma boa tarde para algum colega no meio do caminho.
Nossas vidas não são receptivas a pausas, mas o Emaús me ensinou que elas são extremamente necessárias quando queremos falar sobre o que Deus tem movido no Reino. Deus não age sob comando da minha agenda e da minha rotina, na verdade essas últimas deveriam agir sob o comando dele em primeiro lugar.
Esse ano de 2024, com todas as mentorias, as noites anteriores a reuniões em que eu corria para ler os textos que tinha esquecido, as oficinas e os encontros locais que participei com a cabeça cheia de mais mil coisas, me ensinou que os discípulos ao caminho de Emaús só convidaram Jesus para passar a noite em um lugar melhor, só ouviram atentamente suas palavras e sentiram seus corações em chamas com o que ele ministrou ali porque eles desaceleraram o passo e se propuseram a passar um tempo ali. Esse é o ponto mais precioso desse projeto: desacelerar e passar um tempo pensando no Reino.
O projeto Emaús foi o primeiro passo para muitas outras coisas que o Senhor fará na minha vida (e na vida dos outros irmãos que participaram) e é um convite a entender que a caminhada deve, sim, começar no momento que Deus chama, no meio da correria e da vida universitária e não quando estivermos mais tranquilos para isso. Chega de esperar o momento ideal como os homens de Lucas 9:60-62, é muito melhor queimar os barcos e caminhar como estamos diante do Senhor; até porque se ele nos chamou agora, significa que ele nos quer agora e não quando estivermos com a agenda mais calma, com a vida fi nanceira resolvida ou com o diploma na mão (ainda esperamos ansiosos por esse momento!).
Para finalizar, é claro que preciso dizer que todos os anseios e dúvidas não foram sanados. Como poderiam ser se o Senhor ainda tem tantas coisas para trabalhar no movimento e nos nossos corações por meio dos estudos, dos EBIs, das mentorias e das nossas agendas? Mas essa é a graça do Reino: ele continua sempre em movimento e a vida cristã nos chama para reviver diferentes assuntos durante toda a nossa caminhada. Deus ainda há de fazer grandes coisas com o que ele nos ensinou nesse último ano e com o que apenas começou a nos contar.