Missão 2026: Amanhar – congresso semeia esperança e conecta geração à missão de Deus

Por Andressa Marinho

Em julho de 2026, a Estância Árvore da Vida, em Sumaré (SP), tornou-se o solo fértil onde mais de 500 participantes, entre estudantes e profissionais, reuniram-se para o Missão 2026: Amanhar. O terceiro congresso missionário da história da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB) celebrou os 50 anos do primeiro encontro (1976) e os 20 anos do segundo (2006). Mas o evento não foi apenas uma celebração do passado, mas um ato de “amanhar”: preparar a terra, o coração e a mente para os desafios de uma geração que caminha para os 70 anos da ABUB em 2027.

O evento buscou semear esperança e reconciliação em um contexto de pessimismo e polarização, utilizando o estudo de parábolas e textos proféticos para incentivar uma visão integral de missão que permeia todas as esferas da vida. Para Saymon, estudante da Costa Rica, o maior impacto veio da compreensão de que a missão não é algo distante: “A missão começa exatamente onde Deus me colocou: na minha universidade, na minha igreja, na minha família. O lugar onde hoje estou sentado à mesa é o lugar que Deus escolheu para eu colocar o nome dele”.

Esse impacto na unidade da igreja foi personificado no relato de Ana Luíza, coordenadora da ABU Barreiras (BA). Para ela, ver pessoas de denominações e culturas tão distintas adorando juntas foi o ponto alto: “Acho que o que mais me impactou foi ver todas aquelas pessoas adorando juntas ao mesmo Deus. Cheguei a parar e pensar: ‘Se aqui na terra é assim, imagine no céu como será?’”. Ana Luíza destacou que leva consigo a essência da igreja como corpo, no qual cada parte possui sua função, mas todas servem a um mesmo propósito de semear o evangelho.

Um dos pilares do congresso foi promover conexões para que os jovens pudessem frutificar fora das fronteiras da ABUB, integrando sua fé às suas vocações e às necessidades da sociedade. O espaço Pomar, uma feira de missões com diversas organizações parceiras, serviu como ponte entre o vigor estudantil e as necessidades da igreja e da sociedade. Leandro Santos, diretor do Centro Evangélico de Missões (CEM), observou o “brilho nos olhos” de estudantes de áreas como medicina e engenharia ao descobrirem que suas profissões são ferramentas legítimas de missão. Segundo ele, a aproximação entre estudantes, igrejas e organizações é vital para potencializar o avanço do evangelho sem isolamentos.

O objetivo de frutificar fora da ABUB ganhou sua ilustração mais emblemática no relato de Márcia d’Haese, criadora dos personagens Smilinguido. Márcia, que conheceu seu falecido marido, Hialmar, no congresso de 1976, compartilhou como aquela semente plantada há 50 anos gerou frutos na área da comunicação cristã e da arte, impactando milhões de pessoas fora do ambiente acadêmico.

Ao retornar em 2026, ela ofereceu um adubo de esperança para os novos congressistas: “Eu vim ver o que Deus está fazendo, e ele está fazendo grandes coisas. Esse pessoal que está aqui pela primeira vez talvez não saiba, mas daqui a 50 anos eu tenho certeza de que eles também vão colher os frutos e trazer os feixes com alegria”. Márcia destacou que o processo envolve “podas” necessárias, mas que a fidelidade de Deus garante a continuidade da obra.

Grupo grande de pessoas com roupas coloridas posam para foto oficial do congresso Missão 2026: Amanhar em frente a um prédio branco e árvores grandes durante o dia. A foto está de cima para baixo e é possível ver bandeiras com logo da ABUB, bandeira do Brasil, de Minas Gerais e outros países da América Latina.
Foto oficial Missão 2026: Amanhar. Créditos: Rafael Prado.

Relatos de impacto e conexão do Missão 2026

Para Luiz Eduardo, estudante de Teresina prestes a ingressar na universidade, o congresso foi um divisor de águas ao apresentar a missão como o eixo central da vida. “Entrar na universidade dá medo, mas encontrar pessoas que continuam glorificando a Deus lá dentro é encorajador”, afirmou ele, destacando que a fé não é individualista, mas uma jornada coletiva de preparação do caminho para Deus.

Para Juan Santos, estudante de física em Curitiba e cego, o congresso foi a definição de “resposta”. Ele destacou como o cuidado da organização com a acessibilidade e a autodescrição o fez sentir-se plenamente parte do corpo de Cristo. “Deus me confirmou que eu já estou sendo um missionário dentro da universidade. O Amanhar foi uma resposta para as sementes que já estavam sendo plantadas em mim”, relatou Juan, que agora planeja continuar servindo ao movimento após a graduação.

O evento também serviu para adubar o próprio movimento, formando novos líderes e tirando projetos do papel. Na Incubadora de Projetos, os participantes compartilharam ideias e ouviram uns aos outros. Wilker Norberto, de Santo André (SP), encontrou ali o empurrão que precisava:

“Durante a incubadora eu me senti mais confiante para seguir em frente. Foi um lugar de semeadura, onde pudemos lançar nossas sementes escondidas para dar a elas a oportunidade de germinar”.

Havia uma convivência horizontal durante todo o evento, que era algo natural e, ao mesmo tempo, intencional na formação de uma nova geração. Higor Valin, assessor da ABUB na região Centro-Oeste, comentou que a acessibilidade e o tratamento igualitário entre “famosos” e “desconhecidos” definem o espírito do movimento: “Na ABUB somos todos iguais. A forma como a gente se relaciona acaba sendo formador também. É um espaço onde a maneira como as pessoas vivem retrata o que elas estão falando”. Para ele, essa vivência prática é um solo de formação e sabedoria que deve causar transformação real no cotidiano após o evento.

Sementes para o amanhã

Ao encerrar suas atividades, o Missão 2026 deixou claro que o impacto de um congresso missionário não terminou no dia 12 de julho. O impacto do Amanhar é levado para casa literalmente: os crachás dos participantes, feitos de papel-semente, foram criados para serem plantados em suas cidades. O encerramento em Sumaré marcou o início de uma nova jornada nas mais diversas áreas onde cada um está plantado. Como resumiu o obreiro Higor Valin, o congresso é parte de uma caminhada onde as informações devem alcançar o coração para causar transformação real no dia a dia.

Com o solo amanhado, a ABUB segue sua missão de cultivar o reino de Deus onde quer que seus estudantes e profissionais sejam enviados. Como resumiu Judson Augusto, assessor auxiliar na região Nordeste, o congresso reafirmou a esperança de que Deus trabalha em pequenos começos: “A gente lança sementes e confia no Deus poderoso para fazer germinar”.

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