Uma volta pelo movimento

Participar por quê? Participar para quê?

Por Sarah Nigri, secretária geral

Se você tem acompanhado as atividades e o trabalho da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB) nos últimos meses, deve ter observado que boa parte dos nossos esforços e ações estão relacionados com os preparativos para o Congresso Nacional (CN) que se aproxima, em junho de 2018. Provavelmente você já ouviu falar do CN em algum treinamento local, Conselho Regional ou alguma conversa com outros estudantes ou profissionais da sua cidade. Talvez você tenha lido algo a respeito na internet ou tenha recebido um convite através das redes sociais.

Se você decidiu ir e já começou a preparar suas malas para “desembarcar” em Campo Limpo Paulista (SP), eu tenho um recado importante para lhe dar: saiba que “participar do CN” está longe de ser sinônimo de “comparecer” a um evento. O Congresso Nacional da ABUB é um encontro muito especial e estratégico para a missão na qual servimos e precisamos nos preparar para essa importante reunião.

Uma das coisas mais bonitas no ministério estudantil é o protagonismo dos jovens estudantes e profissionais. Muitos deles já estão há meses envolvidos com os preparativos para o CN, seja no planejamento dos encontros nacionais de ABS, ABP e ABU; na Comissão de Apoio ao Processo Eleitoral; no Grupo de Trabalho para Acompanhamento da Reforma do Estatuto e em muitos outros espaços! Não há uma instância sequer na ABUB em que estudantes e profissionais não estejam presentes ou sejam representados! Todos os processos importantes de tomada de decisão, planejamento e execução das nossas atividades envolvem a participação estudantil, o diálogo e a cooperação.

Não poderia ser diferente, pois somos um movimento enorme, presente em 135 cidades, com cerca de 300 núcleos em escolas, universidades e locais de trabalho espalhados por todo o Brasil. Somos diversos em nossas cores, sotaques, gêneros, áreas profissionais, denominações eclesiais, pertencimentos geracionais, costumes e culturas, do norte ao sul do país. Essa rica diversidade nos impõe desafios que precisamos enfrentar com humildade, respeito, comunhão, união e muita oração. Afinal, compartilhamos do mesmo propósito de manifestar o Reino de Deus nas escolas, universidades e ambientes profissionais em que o Senhor nos colocar.

O Congresso Nacional da ABUB é único e peculiar, pois compreende em um mesmo “encontro” diferentes “frentes de formação” (como o EBA e o EBP), assim como diferentes “instâncias de deliberação e tomada de decisão” (como o Conselho Diretor e a Assembleia Geral). Isso significa que quem participa do CN também assume o compromisso de aprender em comunidade e contribuir para a construção da nossa história e da nossa caminhada por meio de decisões sábias e saudáveis para a missão. Colaborar com o ministério estudantil e abençoá-lo devem ser as motivações de cada participante, seja estudante, profissional, obreiro ou diretor nacional.

Somos corpo de Cristo e, portanto, “participar” também deve ser sinônimo de “servir”. Por mais que tenhamos consciência disso, nem sempre é fácil colocar em prática. Muitos dos espaços de participação que conhecemos ou a que podemos estar habituados – seja na universidade, na escola ou em nosso campo profissional – se regem por uma outra lógica, marcada por disputas, competição, ambições pessoais e interesses próprios. Mas Jesus nos ensina a sermos diferentes, pois “quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro, deverá ser escravo; como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20:26-28, NVI).

O apóstolo Paulo nos fala em sua carta aos Filipenses sobre quais devem ser nossas motivações no ministério (participamos por quê?) e sobre o modelo que devemos seguir a fim de cumprirmos a nossa vocação (participamos para quê?). Ele também aponta o destino que compartilhamos com Jesus: a cruz. Somos chamados para morrer para o nosso ego e para sacrificar as nossas vontades.

“Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!” (Filipenses 2:3-8, NVI)

Sem esses princípios em mente, corremos o risco de simplesmente “participar por participar” do CN, de entrar e sair de mais um evento da ABUB sem compreendermos a dimensão sagrada do nosso compromisso como missionários e servos do Senhor. Portanto, prepare-se em oração e não seja apenas um espectador no Congresso Nacional da ABUB. Peça a Deus que lhe capacite, oriente e conceda humildade, paciência, sabedoria, compaixão e amor para servi-lo na missão estudantil.

Organize suas malas para a viagem, mas também a sua mente e as suas ideias. Esteja aberto para aprender com as palestras, exposições, debates e, especialmente, com aqueles que pensam diferente de você. Trate a todos com respeito e carinho, pois pertencemos à mesma família em Cristo Jesus. Prepare também o seu espírito. Considere sempre os interesses dos seus semelhantes acima dos seus e ouça todas as propostas apresentadas com atenção e boa vontade. Avalie os candidatos indicados para o processo eleitoral da Diretoria Nacional com amor, mas, sobretudo, considere e avalie o seu próprio coração diante do Senhor.

“Abençoados são vocês, que conseguem mostrar que cooperar é melhor que brigar ou competir. Desse modo, irão descobrir quem vocês realmente são e o lugar que ocupam na família de Deus.” (Mateus 5:9, na parágrase de A Mensagem)

Em um contexto delicado em nosso país, marcado por divisões, polarizações, conflitos, falta de empatia, de tolerância e de compaixão, o protagonismo estudantil na ABUB e a nossa participação e presença nas universidades, escolas, igreja e sociedade devem demonstrar e revelar a nossa filiação ao Pai, pois os laços de amor que nos unem são mais fortes do que as nossas divergências e do que a própria morte. Amém!